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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

04
Jun21

Um Ano Ocupado

Sabem aqueles últimos momentos de vigília, em relaxamento total antes de, finalmente, adormecermos? Não sei se acontece só comigo mas a minha mente está num estado do tipo "sonhar acordada". Passam-me imensas coisas pela cabeça, umas reais, outras nem tanto. Tenho boas ideias das quais, infelizmente, me esqueço e com as quais nada posso fazer. Até porque não se aplica aqui a regra do levantar-me para anotar... Estar quase a adormecer para mim é "ouro". Numa destas noites revisitei o meu último ano e não pude deixar de me sentir um quanto orgulhosa.

Assim que, em Março de 2020, vim para casa, terminei a tela para pintar por números que já estava começada, comprei mais duas mas só iniciei uma que ainda não está terminada. A outra requer muita dedicação e coragem por causa dos detalhes.

Dei-me ao luxo de aproveitar os meses de verão para férias a sério e dediquei-me apenas à leitura, às telas e a colorir aqueles livrinhos anti-stress (que eu comprei para me distrair nos voos). Fui até ao Luso. Inscrevi-me nuns cursos gratuitos no site edX que fui deixando para trás por falta de interesse. Estive quase para me inscrever na faculdade em horário pós laboral e trabalhar em part-time mas percebi que era demasiado tarde para o curso que tinha em mente (Contabilidade) tendo em conta que não tenho matemática há 20 anos. Seria preciso, pelo menos, um ano para voltar a perceber as bases e não me queria colocar muito mais pressão por causa e durante os estudos antes de me sentir bem e ter um melhor controlo sobre mim.

Entretanto fiquei desempregada em junho e cheguei a fazer testes para entrar num curso de programação. O programa era uma parceria entre o IEFP, algumas faculdades e empresas. Um género de bolsa de estudo para estimular a procura de emprego nas áreas das TI dando uma oportunidade a desempregados com 12.º ano. Fiz testes de admissão, daqueles de "lógica" mas não passei, infelizmente.

E já não sei como cheguei à ideia de estudar Segurança no Trabalho. Mas assim foi. Vi uma promoção e inscrevi-me numa escola com boas referências, com aulas online. Na minha ingenuidade, pensei mesmo que conseguisse um trabalho por volta de setembro ou outubro e, por essa razão, fiz o curso em horário pós laboral. Silly me!  Estive apeada com o curso até Fevereiro deste ano, sem conseguir um emprego. Terminei a teoria mas nunca cheguei à prática porque me desencantei com a área. Adorei o curso e é matéria que ficará para sempre comigo.

Em novembro iniciei a minha jornada na "tecelagem" de mandalas (que já por aqui expus os mais belos exemplos). Esta prática tem sido uma aliada enorme (provavelmente a mais significante) na minha estabilização de humor. Pela mesma altura comprei três cursos na Domestika. Estes estão parados porque requerem mais matéria-prima e mais cara mas a minha mente está sempre a criar e mal posso esperar por colocar mãos à obra.

Em fevereiro iniciei o meu curso de Filosofia que está quase a chegar ao fim e, em meados do mesmo mês, fui contactada para voltar a fazer testes de lógica para o curso de programação. Passei, comecei o curso em Abril e não consegui acompanhar. Ia tendo um colapso nervoso quando telefonei (a gastrite acompanhou) a desistir mas sabia que não valia a pena insistir. Senti que tinha voltado à estaca zero e voltei à procura de emprego.

Tenho-me questionado imenso sobre que rumo quero que a minha vida tome. Como me quero sentir a longo prazo e não o que me vejo fazer ou ter. Questiono cada vez mais qual a importância de um curso superior quando os salários estão cada vez mais baixos (excetuando os cursos "clássicos" como medicina, advocacia, engenharias e afins para as quais sei que não tenho vocação). Mais que isso, quão importante é mesmo ter um curso superior destes ou qualquer outro? Que faz de mim, como me enriquece? Além do título e prestígio social que só alimenta uma ideia de um falso eu. Cheguei à conclusão que prefiro um trabalho seguro que me permita a ordem que a minha cabeça precisa, sentir-me útil e treinar a mente e o corpo a encontrar prazer no que farei. Contudo, no meu outro ombro sussurra-me ao ouvido o ascendente em Capricórnio que há em mim. A parte em mim que é ambiciosa e não admite estagnação profissional.

Neste momento estou a fazer mais um cursinho gratuito de UX Design no site Coursera, uma parceria entre IEFP e Google (espero ter paciência para o terminar) que disponibilizou 3000 cursos com direito a diploma final (e, que todos sabemos, não levará a lado nenhum...). Estou extremamente entusiasmada e ansiosa por fazer um curso de 3 dias em Inteligência Emocional este mês e, se continuar desempregada até à segunda metade de Junho, já tenho mais planos .

Tendo em conta o meu estado mental e os altos e baixos que vivi neste último ano, acho que estive muito bem.

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