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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

06
Jun20

Turistando - Lisboa I

Aproveitando a baixa de turismo que temos vivido, aproveitei para dar um passeio por Lisboa.

Longe das massas a que nos habituámos nos últimos anos, a cidade de Lisboa descansa para deleite de uns e agrura de outros.

Já não apanhava transportes públicos desde Março e é impossível não sentir a claustrofobia que o uso obrigatório de máscara faz sentir. Embacia os olhos e mal consigo mantê-los abertos.

Toda a extensão pedonal do Cais do Sodré ao Terreiro do Paço está praticamente vazia. Não devo ter visto uma centena de pessoas sequer. A própria Praça do Comércio tinha uma mão cheia de turistas a tirar fotografias e outra mão cheia sentada na vastidão de esplanadas com os empregados a ver o tempo passar. A Rua Augusta parecia mais composta mas decidi virar à direita em direcção à Sé. Já tinha passado muitas vezes na Rua da Alfândega mas nunca tinha parado para admirar a fachada da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Apenas a fachada sobreviveu ao terramoto de 1755 e está a precisar de uma boa esfregadela. Subi a Rua da Madalena e virei à direita, no largo, onde se situa a Igreja de Santa Maria Madalena. Fiz uma breve paragem pela Igreja de Santo António e ainda não foi desta que consegui visitar o claustro da Sé, aberta mas praticamente vazia.

Passando pelo Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, antiga prisão desde a ocupação muçulmana e pelo edifício do Centro de Estudos Judiciários, também ele antiga prisão e não só, fiquei na dúvida se desceria para explorar Alfama ou se continuaria em frente. Fui ver as vistas do Miradouro de Santa Luzia. Paisagem limpa, sem cruzeiros, ao som da guitarra de um par de músicos de rua. Passado o Largo das Portas do Sol e admirando a calma e a nova arquitetura da cidade enquanto atravesso a Rua de S. Tomé (com uns minutos para admirar aquela que é a mais velha casa de Lisboa na Rua dos Cegos), chego ao Miradouro da Graça. Daqui é possível ver, encavalitadas, a velha e a nova Lisboa.

Desci pelo caracol da Graça, virei à esquerda na Rua dos Lagares e logo à direita para a calçada de Santo André, continuando pelo Largo do Terreirinho e pela cosmopolita Rua Cavaleiros até ao Martim Moniz.

Já na praça do Rossio, não pude deixar de rir quando vi uma fila de gente para entrar numa loja de roupa interior. "O confinamento foi violento!", pensei. Continuei pelos Restauradores até à Praça da Alegria e daí até ao Príncipe Real. Aproveitei o bom tempo para visitar o Jardim Botânico.

Na pressa de apanhar o comboio, desci pela rua de O Século até à calçada do Combro onde ainda dei um pulinho ao miradouro de Santa Catarina (conhecido também por Adamastor) com o seu cheiro sempre emblemático  e finalmente desci pela rua da Bica até ao Cais do Sodré.

Dos bairros por onde passei, decididamente o da Bica era o mais movimentado com moradores a fazerem as suas vidas normais, na rua, no convívio, de sofás na calçada a fugir ao calor das casas.

Se tiverem a oportunidade, esta é das melhores alturas para visitarmos o que o nosso país tem para oferecer. Aproveitem para visitar aquele sítio que já não vão há imenso tempo ou onde sempre quiseram ir mas nunca conseguiram.

Este foi um passeio que fiz numa tarde e ainda tenho tanto pra ver.