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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

21
Abr21

Pequena Fuga

Há dois anos atrás, em recuperação da crise de dois meses antes, pensei em fugir durante o fim de semana dos meus anos. Não tinha motivo para ficar em casa e decidi ser uma anónima por terras marroquinas. Nunca tinha visitado e reservei uns dias da minha vida para me passear pelas paisagens berberes. Costumo fazer os meus planos e andar sozinha mas desta feita procurei atividades ou agências para fazer algo diferente (que acabou por ser nada de especial mas muito divertido).

Voei para Casablanca, por ser mais barato, onde permaneci uma noite. Confesso que não aproveitei a cidade a 100%. Senti-me um tanto tímida, confusa e perdida. Nesse final de tarde fui até à Mesquita Hassan II e passeei-me ao longo da promenade até ao pôr do sol. À noite visitei a medina e conheci um senhor, artista, que deixou a sua tenda para me mostrar a medina e um antigo forte português. Ajudou-me a procurar um bom sítio para comer - que não desiludiu! Na manhã seguinte passeei-me novamente pela medina onde me lembro, nitidamente, de uma bancada com sardinha fresca. Voltei à Mesquita para relaxar antes da minha viagem até Marraquexe, onde já cheguei de noite.

Na medina de Marraquexe senti-me, pela primeira vez nas minhas viagens sozinha, um pouco assustada. Perdi-me e não queria dar muito mais nas vistas mas lá consegui dar com o hostel. O dia seguinte foi de muita chuva mas consegui visitar os Jardins Majorelle e o Palácio da Bahia. Confesso que não tenho muitas memórias desta viagem e, como não levei máquina, não tenho muitos registos fotográficos. Confesso também que estava muito concentrada na pequena aventura que me esperava no dia seguinte.

Pouco antes das oito da manhã já o Ali me esperava. Com os seus contactos (porque o mundo do Turismo é mesmo assim) consegui um pequeno almoço gratuito num hotel onde mais um casal da minha idade (americanos) e um grupo de 10 brasileiros com as hormonas aos pulos, se juntaram à nossa carrinha para duas noites e três dias de viagem. Deixámos para trás uma Marraquexe que tinha amanhecido soalheira e quente e ascendemos, pela estrada cada vez mais sinuosa, até aos picos invernosos e ainda cheios de neve onde o vento gélido nos apanhou totalmente desprevenidos. Ao nosso tour ainda se juntaram mais duas carrinhas de vinte lugares.

Entre tantas outras paragens para admirar as paisagens, almoços de comida marroquina e a óbvia compra do tão típico cheche, visitámos a antiga cidade Ait-Ben-Haddou que já foi pano de fundo para diversos filmes, explorámos o lindíssimo desfiladeiro Todra e, na tarde do segundo dia, demos entrada no deserto do Sahara. E ainda me lembro de todos os "aaahh" proferidos aquando do vislumbre das primeiras dunas no horizonte. De uma dormência elegante e quente, pareciam inalcançáveis e imperturbáveis. Saímos da estrada encavalitados em jeeps e rumámos mais tarde até ao nosso acampamento algures em Zagora com a preciosa orientação de um ancião berbere e o seu espanhol quebrado.

Subir dunas a pé é extremamente difícil e descê-las numa prancha de snowboard  é um must  Assisti a um dos pores do sol mais bonitos. No acampamento fomos recebidos por muita música e dança que se prolongou durante toda a noite. Os aniversariantes (éramos dois ou três) tiveram direito a bolo surpresa e acredito que isto aconteça em todos estes acampamentos, mas a máxima "o que acontece no deserto, fica no deserto" aplica-se a esta noite, ou não estivéssemos em Marrocos. Vi o céu noturno como nunca antes tinha visto, deitada, entre dunas, em colchões improvisados até o frio entorpecer os meus dedos dos pés. Conheci imensa gente de todo o mundo. Gente divertida e despreocupada que ali estava para esquecer o mundo para lá das muralhas de areia. Trocámos ideias, detalhes e histórias pessoais sem expectativas e sem medo. Fomos nós.

De volta a Marraquexe, procurei por um hammam e aconselho vivamente a experiência. Perdi-me a procurá-lo, perdi-me a sair de lá e voltei a perder-me para sair de Marraquexe. Mas a cidade é mesmo assim. Aqui, pela primeira vez, sentei-me numa mesa de restaurante, sozinha, para almoçar. Fiz algumas compras mas não me arrisquei a muito. Os marroquinos são atrevidos e não tenho fibra para embarcar nas suas brincadeiras e negociatas. Fui enganada? Claro! Mais que uma vez? Com toda a certeza!...

Não tive tempo para muito e o que tive podia ter sido gerido melhor. Quero voltar com mais calma e visitar este país de paisagens tão díspares, com tanto para ensinar.

Fotos minhas

16
Abr21

Veneza

Como o tempo voa. E voa ferozmente.

Esta manhã acordei com o Google a refrescar-me a memória e consegui, por breves momentos, esquecer os meus primeiros pensamentos do dia e viajar ao fim de semana de Páscoa de 2017. E se Veneza é uma cidade lotada em qualquer altura do ano, nunca imaginei estar rodeada de tanta gente - turistas - como estive neste fim de semana. Felizmente é uma cidade sem trânsito. Estive lá três dias e soube a muito pouco, claro está! Principalmente para alguém como eu, que gosta de visitar todas as esquinas e recantos e tirar tempo para relaxar num beco onde ninguém passa, onde ninguém me vê e onde posso ser eu mesma sem o ruído da vida que passa por mim. E, acreditem ou não, em Veneza consegui encontrar esse beco (sem foto para partilhar, infelizmente, ) .

Este fim de semana de Páscoa foi planeado a dois mas acabámos por viajar como amigos. Que, analisando bem, não deixou de ser a dois só que... vocês percebem! Três dias não foi suficiente para ver muita coisa tendo em conta que havia filas intermináveis para qualquer monumento e gostava muito de voltar a visitar novamente com a minha mãe. Tínhamos, as duas, uma viagem planeada de 9 dias para Itália no ano passado mas por razões óbvias não aconteceu. Gostava que a minha mãe visitasse outros países e experimentasse outras comidas e conhecesse outros contextos e estilos de vida, uma vez que nunca teve essa oportunidade. Apesar dos seus quase 70 anos acho-a bastante aventureira. Mostrou-se bastante disposta a viajar comigo de mochila às costas.

Há quatro anos a ideia de ir a Veneza foi dele porque nunca foi prioridade minha lá ir mas é impossível não gostar da cidade ilha.

fotos minhas

04
Fev21

Grande Rota do Vale do Côa

Tenho a sorte de já ter percorrido Portugal e conhecer uma boa parte se bem que ainda há tantas cantinhos (especialmente cantinhos) onde gostaria de ir. Quando estive em Foz Côa em Dezembro vi a placa deste trilho que me deixou logo o bichinho a saltitar. Adoro caminhar e gostava de o fazer com mais regularidade e percursos maiores do que os que faço. Já pensei fazer parte de qualquer caminho de Santiago mas o tempo acaba por passar e os planos desfazem-se.

Também adoro andar de bicicleta e, se pudesse, estas já estavam todos feitas.

daqui

03
Fev21

Viagens

Desde 2017 que ganhei um interesse pela Isle of Skye e está na minha lista mental de sítios a visitar. Edimburgo, com certeza, fará parte do roteiro. A obscuridade e história da cidade atraem-me imenso. Tive imensas oportunidades de visitar mas outros planos foram-se sobrepondo.

Não sei se já, por aqui, vos disse que tenho uma atracção enorme pelo Médio Oriente (o meu nariz não o deixa mentir  Gostava até de fazer daqueles testes de ADN.) e todos os países do Mediterrâneo oriental me seduzem imenso. A cidade de Jerusalém tem também um lugar na minha lista mental. Também há um ou dois anos comecei a planear um viagem à Jordânia que nunca se concretizou e, quem lista Israel/ Palestina e Jordânia, lista também o Líbano e aquela comida maravilhosa. Viajei muito pouco pela Turquia mas sei que é terra de mais de mil encantos. E comida... 

Um bocadinho mais para cima, gostava imenso de conhecer a Arménia e a Geórgia.

Acredito que qualquer pessoa com juízo tem uma vontade enorme de visitar o Egito. O meu percurso pela filosofia, iniciado em 2020 aumentou ainda mais a vontade de lá ir (e não me sentir engolida por turistas). Descer ao Sudão e Etiópia.

Quando ainda trabalhava  acabava de almoçar e se ainda me restasse tempo, abria um mapa do mundo no Google e viajava assim. 

Adorava fazer uma épica jornada de comboio por África. E pelo mundo. Valha-me nosso senhor Euromilhões!

Screenshot 2021-02-02 at 13.33.25.png

27
Nov20

Magia

Há cinco anos comprei-me uma máquina fotográfica. Acontece que não sou grande fotógrafa e de há dois anos para cá deixei de fotografar cada detalhe que achava que valia a pena. As minhas viagens ficaram mais leves e passei a confiar mais na minha memória. O tempo voa e faz agora dois anos que fiz a minha viagem ao Irão.

My Brilliant Image

I wish I could show you

When you are lonely or in the darkness

The Astonishing Light

Of your own Being!

   Hafez                                         

A magia dos momentos está mesmo na forma como os queremos lembrar.

persepolis.jpg

Pôr-do-sol sobre Persépolis

07
Out20

Aurora Dourada

Em maio de 2017, enquanto deambulava na minha última tarde por Atenas, dei de caras com o que percebi ser uma manifestação. Como o meu grego está enferrujado (é inexistente mesmo!) não percebia porque se gritava tanto nem conseguia perceber, sem vento, que bandeiras seguravam os manifestantes. Era um grupo bastante homogéneo na forma de vestir mas muito disperso nas idades.

Depois de um vislumbre da simbologia presente compreendi do que se tratava. Uma manifestação anti-Islão organizada pelo partido Aurora Dourada. Foi um percurso pequeno mas muito barulhento até à praça Sintagma.

Assim me despedi de Atenas.

IMG_20170529_214206983.jpg

26
Jul20

Retiro no Luso

Há uns anos apanhei o comboio regional da Guarda a Coimbra. A passagem pela estação do Luso ficou-me na memória e na lista de sítios a visitar. Já tinha feito uma pequena excursão ao Palácio do Buçaco mas nunca tinha explorado a mata. E foi esse o plano que fiz no início de Junho. A CP estava (e ainda está) com boas promoções em viagens e, por menos de 20 Euros, ida e volta, fui até ao Luso na semana passada. Abusei um bocadinho no número de noites porque pensei que fosse capaz de fazer mais caminhadas mas, tal não aconteceu.

A vila do Luso situa-se a norte na mata do Buçaco e é conhecida pela qualidade da água proveniente de chuva infiltrada na serra, e pela sua utilização termal. Pelas bicas da fonte de S. João passam dezenas ou centenas de pessoas diariamente em busca da melhor água. Nunca gostei muito da Luso engarrafada mas a da bica é muito boa! Fresquinha, era a primeira coisa em que pensava assim que acordava e a última antes de me deitar - encher garrafas.

Apesar de ser uma viagem curta de comboio, sentia-me cansada e a tarde do dia em que cheguei foi para dar uma pequena volta à vila. Ao segundo dia lá me aventurei na mata. Os trilhos estão bem marcados mas há sempre espaço para aventuras... desde que haja tempo até ao pôr do sol no caso de me perder.  A mata faz lembrar muito a serra de Sintra. Densa e mística. Há riachos e cursos de água por todo o lado, muita vegetação e lagos e espaços para convívio além do Palácio (hoje hotel) e do convento de Sta. Cruz do Buçaco.

Consegui ainda uma marcação nas termas que infelizmente estão a menos de meio gás. A vila tem sofrido imenso com a baixa na Turismo. O calor apertou de tal forma que não fui capaz de fazer uma das caminhadas previstas. Tive de me contentar com as piscinas municipais para refrescar a mioleira.

       

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