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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

08
Jun20

Turistando - Sintra I

Ainda na maré de visitar o país nesta altura, passei mais uma tarde a turistar, desta vez em Sintra. E, se Lisboa estava vazia três dias antes, Sintra está praticamente encerrada. A maior parte dos estabelecimentos estão fechados e um ou outro café está aberto. A Periquita apenas com take away. Não há autocarros, não há caos, não há tuk tuks.

Entrei no Palácio da Vila e não vi ninguém lá dentro. Creio que estavam menos de 10 pessoas a visitar o palácio e pela primeira vez consegui olhar para detalhes e apreciar as salas com tempo e paciência sem os encontrões habituais de quem quer sacar a melhor foto. Prefiro o Palácio da Vila ao Palácio da Pena. A Pena é um edifício muito bonito por fora mas por dentro acho-o demasiado apertado e congestionado. Tive de estudar com algum detalhe tanto um como o outro mas guardo um espacinho no coração só para o Palácio da Vila. A sua construção teve início do século XV e foi utilizado até ao final da monarquia Portuguesa. Cada sala, cada quarto, cada compartimento tem uma história e a sua decoração apresenta as épocas por que passou e as influências decorativas que sofreu.

Já visitei a Pena diversas vezes mas, pessoalmente, prefiro explorar o parque da Pena. Não o faço há imenso tempo e também lhe devo uma visita muito proximamente.

Depois de comprar umas queijadas (uma grande perdição minha desde pequena) rumei à Quinta da Regaleira.

A Quinta estava mais composta. Os seus jardins justificam as visitas mas, por ainda estarmos em Estado de Calamidade, os espaços que mais suscitam curiosidade estavam fechados ou com acesso limitado, incluindo o poço iniciático, algumas torres e todos os subterrâneos. Com alguma calma visitei os jardins em 2 horas.

Já tinha visitado estas duas atracções antes mas nunca com a calma que o fiz neste dia. Adoro Sintra mas não suporto multidões e vou, por isso e com toda a certeza, aproveitar esta altura para visitar o que nunca visitei e fazer os trilhos que existem na serra. Há imenso por explorar naquela zona e por vezes parece que nem estamos em Portugal. Sei que somos um país de costa mas há mais para além do mar e da praia e gosto muito das minhas caminhadas de serra. São revigorantes.

 

06
Jun20

Turistando - Lisboa I

Aproveitando a baixa de turismo que temos vivido, aproveitei para dar um passeio por Lisboa.

Longe das massas a que nos habituámos nos últimos anos, a cidade de Lisboa descansa para deleite de uns e agrura de outros.

Já não apanhava transportes públicos desde Março e é impossível não sentir a claustrofobia que o uso obrigatório de máscara faz sentir. Embacia os olhos e mal consigo mantê-los abertos.

Toda a extensão pedonal do Cais do Sodré ao Terreiro do Paço está praticamente vazia. Não devo ter visto uma centena de pessoas sequer. A própria Praça do Comércio tinha uma mão cheia de turistas a tirar fotografias e outra mão cheia sentada na vastidão de esplanadas com os empregados a ver o tempo passar. A Rua Augusta parecia mais composta mas decidi virar à direita em direcção à Sé. Já tinha passado muitas vezes na Rua da Alfândega mas nunca tinha parado para admirar a fachada da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Apenas a fachada sobreviveu ao terramoto de 1755 e está a precisar de uma boa esfregadela. Subi a Rua da Madalena e virei à direita, no largo, onde se situa a Igreja de Santa Maria Madalena. Fiz uma breve paragem pela Igreja de Santo António e ainda não foi desta que consegui visitar o claustro da Sé, aberta mas praticamente vazia.

Passando pelo Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, antiga prisão desde a ocupação muçulmana e pelo edifício do Centro de Estudos Judiciários, também ele antiga prisão e não só, fiquei na dúvida se desceria para explorar Alfama ou se continuaria em frente. Fui ver as vistas do Miradouro de Santa Luzia. Paisagem limpa, sem cruzeiros, ao som da guitarra de um par de músicos de rua. Passado o Largo das Portas do Sol e admirando a calma e a nova arquitetura da cidade enquanto atravesso a Rua de S. Tomé (com uns minutos para admirar aquela que é a mais velha casa de Lisboa na Rua dos Cegos), chego ao Miradouro da Graça. Daqui é possível ver, encavalitadas, a velha e a nova Lisboa.

Desci pelo caracol da Graça, virei à esquerda na Rua dos Lagares e logo à direita para a calçada de Santo André, continuando pelo Largo do Terreirinho e pela cosmopolita Rua Cavaleiros até ao Martim Moniz.

Já na praça do Rossio, não pude deixar de rir quando vi uma fila de gente para entrar numa loja de roupa interior. "O confinamento foi violento!", pensei. Continuei pelos Restauradores até à Praça da Alegria e daí até ao Príncipe Real. Aproveitei o bom tempo para visitar o Jardim Botânico.

Na pressa de apanhar o comboio, desci pela rua de O Século até à calçada do Combro onde ainda dei um pulinho ao miradouro de Santa Catarina (conhecido também por Adamastor) com o seu cheiro sempre emblemático  e finalmente desci pela rua da Bica até ao Cais do Sodré.

Dos bairros por onde passei, decididamente o da Bica era o mais movimentado com moradores a fazerem as suas vidas normais, na rua, no convívio, de sofás na calçada a fugir ao calor das casas.

Se tiverem a oportunidade, esta é das melhores alturas para visitarmos o que o nosso país tem para oferecer. Aproveitem para visitar aquele sítio que já não vão há imenso tempo ou onde sempre quiseram ir mas nunca conseguiram.

Este foi um passeio que fiz numa tarde e ainda tenho tanto pra ver.

22
Abr20

Opiniões

Valem o que valem.

Ao ler este artigo (para ser sincera li-o na diagonal que de números e estatísticas estou eu farta! Já sabemos que o mundo vai bater no fundo) fui de imediato transportada à capital grega onde estive há 3 anos.

O estado da cidade (e de outras zonas) deixou-me francamente chocada e revi Lisboa na mesma situação num futuro não muito longínquo.

Qualquer cidade tem a sua beleza, nem que seja a que foi em tempos e de que guardamos na memória.

Sou profissional de Turismo mas não consigo aceitar a forma como a indústria se tem desenvolvido. Não apenas em Portugal como no Mundo. Acredito que a maior parte das pessoas não gosta de viajar. Fá-lo porque é socialmente aceitável ou pelo sucesso que as fotografias terão nas redes sociais e o prestígio que isso trará. O nosso status já não é definido apenas pelas roupas que vestimos ou pelas nossas posses, é definido também pelo número de países visitados. E quantos mais em menor tempo, melhor. Vejo nesta correria, uma fuga aos problemas do dia a dia com os quais não sabemos lidar. De repente viajar tornou-se sinónimo de crescimento pessoal e espiritual e todos queremos ser iluminados da noite para o dia.

Não quero que se deixe de viajar. A interculturalidade é, definitivamente, uma experiência riquíssima que dissolve fronteiras e preconceitos (contraditório a movimentos xenófobos e racistas cada vez mais presentes). Gostava apenas que o Turismo fosse feito de uma forma mais consciente, desde as companhias aéreas que escolhemos, ao alojamento e às atividades no destino. Deem preferência a empresas que se preocupam com os seus empregados e os tratem com respeito, reservem aquele alojamento familiar. Utilizem motores de busca para decidirem a vossa escolha mas tentem sempre reservar diretamente com o alojamento. Esses motores de busca cobram uma comissão e nem sempre os donos do alojamento ajustam os preços adequadamente. Se tiverem preocupações ambientais, é mais provável que pequenos negócios tenham esse cuidado em contraste com grandes cadeias hoteleiras (que tendem também a pagar salários mais baixos). Consumam o que seja local: tours de pequenas empresas poderão ter menos pessoas e proporcionar experiências menos convencionais e que fogem às massas.

Caso prefiram pacotes de meia ou pensão completas, utilizem agências de viagem das vossas localidades. São efetuados por operadores e agências, compostos através de trabalho árduo, procurando os melhores preços e negociando alojamento, transporte e guias intérpretes oficiais. Tem igualmente a vatagem do fator humano. Recorrer a um agente com quem possam falar cara a cara em caso de dúvidas, não correndo o risco de ficarem de mãos a abanar com agências online internacionais porque não leram as letras miúdas. E digo isto pelo contacto diário que tenho com viajantes que ainda não compreendem o que são termos e condições.

 

É a minha opinião. Vale o que vale.

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