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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

16
Abr21

Veneza

Como o tempo voa. E voa ferozmente.

Esta manhã acordei com o Google a refrescar-me a memória e consegui, por breves momentos, esquecer os meus primeiros pensamentos do dia e viajar ao fim de semana de Páscoa de 2017. E se Veneza é uma cidade lotada em qualquer altura do ano, nunca imaginei estar rodeada de tanta gente - turistas - como estive neste fim de semana. Felizmente é uma cidade sem trânsito. Estive lá três dias e soube a muito pouco, claro está! Principalmente para alguém como eu, que gosta de visitar todas as esquinas e recantos e tirar tempo para relaxar num beco onde ninguém passa, onde ninguém me vê e onde posso ser eu mesma sem o ruído da vida que passa por mim. E, acreditem ou não, em Veneza consegui encontrar esse beco (sem foto para partilhar, infelizmente, ) .

Este fim de semana de Páscoa foi planeado a dois mas acabámos por viajar como amigos. Que, analisando bem, não deixou de ser a dois só que... vocês percebem! Três dias não foi suficiente para ver muita coisa tendo em conta que havia filas intermináveis para qualquer monumento e gostava muito de voltar a visitar novamente com a minha mãe. Tínhamos, as duas, uma viagem planeada de 9 dias para Itália no ano passado mas por razões óbvias não aconteceu. Gostava que a minha mãe visitasse outros países e experimentasse outras comidas e conhecesse outros contextos e estilos de vida, uma vez que nunca teve essa oportunidade. Apesar dos seus quase 70 anos acho-a bastante aventureira. Mostrou-se bastante disposta a viajar comigo de mochila às costas.

Há quatro anos a ideia de ir a Veneza foi dele porque nunca foi prioridade minha lá ir mas é impossível não gostar da cidade ilha.

fotos minhas

29
Mar21

A Beleza dos Detalhes

Pergunta original: Can I find grace and harmony in places others overlook?

Em 2018 viajei com uma pessoa que não conhecia. Tínhamos uma amiga em comum que viajou connosco e serviu de ponte entre os dois. Partilhávamos o mesmo gosto pela fotografia com a diferença de que ele se dedicava a essa arte de forma mais empenhada e era (e suponho que ainda seja) um hobby sério, quase profissional. Apesar de ter levado a sua máquina xpto, decidiu nunca a utilizar preferindo explorar o seu novo telemóvel.

Quando partilhou as suas fotografias connosco admirei a sua sensibilidade ao detalhe e a forma como o consegue captar na sua forma de fotografar. E muitas vezes são objetos que não vemos ou lugares por onde passamos e para onde não olhamos duas vezes.

Procuramos belezas óbvias e lugares cliché para nos sentirmos bem mas creio que a pergunta tem a intenção de nos fazer entender que podemos encontrar equilíbrio e bem estar no mundano. No comboio da linha de Cascais os lugares do lado costeiro são os que se ocupam primeiro. Ninguém quer olhar para paredes graffittadas nem para os empreendimentos em betão, muito menos para as casas degradadas.

Sei que vivemos uma era de adormecimento. Dá-nos demasiado trabalho olhar para algo feio e fazer um exercício de imaginação. Mas não mudaria a nossa compreensão do mundo?

Não sou grande fotógrafa apesar de gostar da arte, mas fica, para variar, uma foto tirada por mim.

IMG_20181214_204102.jpg

(...) baking bread splits in places and those cracks, while not intended in the baker’s art, catch our eye and serve to stir our appetite.

Marco Aurélio

09
Mar21

Projecto

Não sei se já tinha comentado por aqui que me inscrevi nuns cursos de artes manuais no site da Domestika. Numa promoção, inscrevi-me em 3 cursos diferentes que vou assistindo quando posso. Temos acesso ilimitado e vitalício às aulas em que nos inscrevemos e pensei... "Porque não?".

Entretanto já comecei um: "Bijuteria em Macramé". Nunca na minha vida tinha feito tal coisa e como não sou de modas até desenvolvi um certo desdém por tal prática. Mas como não fico indiferente à palavra bijuteria, vi nesta oportunidade uma forma de criar peças personalizadas.

Ao dia de hoje já tenho brincos e pulseira feitos, fica apenas a faltar o colar que terá a sua oportunidade assim que eu tiver vagar... Espero que gostem.  A pulseira, entretanto, sofreu uma alteração porque não sabia que mecanismo de fecho havia de fazer mas lá consegui desencantar qualquer coisa! 

 

06
Mar21

O Melhor Ano da Minha Vida

Vi este desafio da abelha e senti um dever em escrever sobre o melhor ano da minha vida.

Podia dividir este post em duas partes: o melhor ano que já tive e o melhor ano que ainda está para vir.

O melhor ano da minha vida foi, com toda a certeza, qualquer um antes dos meus 10 anos. Total despreocupação e completo egocentrismo. Era extrovertida, tinha amigos e acima de tudo e, apesar de tudo, espaço para ser eu mesma.

Hoje, acredito que os meus melhores anos ainda estão por vir. Ainda vou voltar a sentir-me bem comigo mesma e aceitar-me a 100%. No meu melhor ano não vou prostrar-me aos meus medos, não vou hesitar nem desistir diante de frustrações. Vou aprender a ser mais assertiva e ter-me em conta, a mim e às minhas necessidades, nas decisões que tomar. Quero e vou domar estas tantas emoções que se me infiltram e se propagam diariamente e que tornam atividades tão mundanas em prisões mentais.

Best is yet to come and babe won't that be fine
You think you've seen the sun
But you ain't seen it shine

The Best Is Yet To Come, Cy Coleman

Frank Sinatra

daqui

11
Fev21

Desafios Meus

Na minha vida profissional, o meu último emprego foi o mais virado para vendas que tive e, por isso, tinha de estar em cima de clientes a todo o momento para pedir detalhes e pagamentos. Não gosto de me sentir pressionada nem assediada e era um trabalho que não gostava de fazer.

A imagem abaixo reflete na perfeição o que me acontecia quase diariamente e acaba sempre neste diálogo simples entre uma colega minha (que telefonava a clientes por tudo e por nada) e eu, que só telefonava mesmo, mesmo em última instância ou quando já estava chateada.

Só a ideia de ter de telefonar a alguém faz-me nascer gotas de suor por todo o corpo.

Screenshot 2020-12-27 at 22.30.54.png

08
Fev21

Que suposições não questiono?

Pergunta original: What assumptions have I left unquestioned?

Todas as manhãs, quando abro os olhos e a consciência retorna, suponho que não vale a pena.

Suponho que não mereço ser feliz.

Suponho que nunca vou ser saudável.

Suponho que eu seja insignificante.

Suponho que eu não tenha valor.

Suponho que eu seja incompetente.

Suponho que não vale a pena viver.

Suponho que mereço tudo o que (não) tenho.

Suponho que mereço este sofrimento, toda a solidão...

Às vezes suponho os preços errados quando os produtos estão fora do sítio.

É fácil aos outros dizerem-me que tenho de me ver de forma diferente e acreditar mais em mim. Mas como fazê-lo se não sei sê-lo. Nunca me foi ensinado a sê-lo? Onde se começa? Como posso ser algo que nunca fui nem nunca me foi mostrado?

Estas verdades, tão só e não só minhas, vêm de comparações, de perda de identidade, de crítica, de negatividade, de doença.

O meu pai comparava-nos muito com os outros. Ainda hoje o faz. Há uns meses atrás cortei contacto com quase toda a gente, especialmente duas amigas. Estar com elas não é mau. Torna-se um pesadelo quando volto para casa e me pergunto porque não posso ser como elas. Cheguei à conclusão que não me refiro ao que têm ou ao que são ou como são mas invejo-lhes, sim, a capacidade de amar, de oferecer a sua vulnerabilidade. Ao fim destes meses sei que sou eu a pessoa tóxica nas vidas dos outros. Sou eu que peço mais do que posso dar nas relações.

Faço parte de uma geração que ainda teve professores "da velha guarda". Castigos sem recreio, virados para a parede, alvos de comentários pessoais e pouco apropriados para um ambiente escolar, puxões de orelhas e chamados de burros bem alto aos nossos ouvidos, as reguadas... Há um ou dois anos recebi uma fotografia de uns textos que nós, miúdos de 9 e 10 anos, escrevemos à professora no final da escola primária. Devo confessar que fiquei chocada. A prostração é notável, na nossa escrita. Li algures que para cada comentário negativo que recebemos, são precisos 7 positivos para compensá-lo. Eu não me lembro de nem um, se foram feitos.

Não sei se foi neste blog se no que tive anteriormente que falei de Jacque Fresco e da sua teoria de que a depressão é, em grande parte, a falta de uma identidade própria, uma que não seja projetada em outras pessoas nem em profissões ou hobbies ou em objetos e posses. Pessoalmente, é algo que me faz bastante sentido mas cada um é como cada qual, com a sua experiência de vida e, nem todos nos revimos nas mesmas opiniões.

Segundo o neuro cientista Nick Hanson, a negatividade é consequência da nossa evolução. Com ela os nossos antepassados aprenderam a fazer decisões inteligentes em situações de alto risco. Com o tempo, a nossa - do Homem - estrutura cerebral adaptou-se a prestar mais atenção à informação negativa. Estudos realizados pelo psicólogo John Cacioppo, comprovam que a resposta do cérebro a estímulos negativos é muito maior em relação aos positivos. Para estar em harmonia com o título, suponho que estas explicações estejam relacionadas com a ansiedade e os modos fight, flight ou freeze.

Algo que aprendi na hotelaria e que uma chefe (por sinal, má chefe) nos martelava todos os dias é: never make assumptions.

Fonte 1, Fonte 2

daqui

03
Fev21

Estou no caminho certo ou a desviar-me?

Pergunta original: Am I staying the course or being steered away?

Estou longe do caminho certo e só pode ser porque me desvio dele. Aliás! Não estou longe porque o vejo. Caminho em paralelo àquele que penso ser o correto. Estou no errado, porque tomo as decisões erradas. E é mesmo assim que me tenho sentido desde sempre. A tomar as decisões erradas. E, se estou no caminho certo, é bom que haja uma espécie de Santo Graal algures na jornada ou no seu fim porque ninguém merece tamanha aflição.

Invejo as pessoas que têm uma vida normal. Quem, aos 24 vive com o/a namorado/a que tem há 6 anos, que tem um emprego que o/a satisfaz o suficiente, que passam férias na praia com os amigos e têm vida social.

Não sei se nasci assim porque já não me lembro de ser diferente, mas acho que vim ao mundo sem a capacidade de sentir coisas boas, positivas. As escolhas que tenho feito só me trazem mais dor, mais frustração, deceção e cada vez menos esperança. Vejo os anos passarem cada vez mais rápido sem qualquer alteração. Nos dois últimos anos tenho trabalhado para algum tipo de mudança mas para cada passo que dou, sou empurrada, violentamente, para trás, como se os meus pés estivessem bem assentes na terra e o meu corpo fosse sovado pela vida. Uma espécie de saco de boxe de mim própria e das minhas consequências.

Já comentei por aqui diversas vezes que tenho uma família disfuncional, pouco harmónica, uma ligação kármica com certeza e, mesmo sentindo a sua influência negativa até à mais ínfima parte de mim, estou-lhe demasiado ligada e parece impossível libertar-me do impacto nefasto que teve em mim. Não tenho liberdade financeira para sair de casa, não tenho liberdade para ser eu. Tenho tanto para dizer e tantas contas a ajustar...

daqui

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