Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

05
Abr21

Auto-Sabotagem

A meio de Fevereiro, quando o meu curso estava a terminar, comecei a perder energia. Fiquei sem interesse nas aulas e na possível entrada numa nova realidade laboral e num novo começo. Depositei imensa esperança na oportunidade que tive de estudar. Houve momentos em que me senti extremamente confiante e as expetativas estavam altíssimas e houve outros tantos momentos em que me senti muito insegura e incapaz, especialmente durante trabalhos de grupo.

Chegou um momento, em todo o processo, em que deixei de me ver seguir a profissão (Técnica de Segurança do Trabalho), a minha procura por um estágio diminuiu (também pelo facto de quase nenhuma empresa estar a aceitar estagiários por causa do confinamento) e decidi-me acabar o curso porque sim. Porque quando começo algo não gosto de desistir. A matéria foi óptima, adorei o curso e será, com certeza, útil de alguma forma. Mostrou-me a complexidade e variedade que há no mundo e nas pessoas. Há tanto para aprender e pouco tempo para conseguir assimilar tudo.

Medo é uma das emoções que mais intensamente reside em mim e é, no entanto, muito tímida e reservada. Diria, até, que é a grande regente do meu dia a dia pois muitas das minhas (in)acções não deixam esconder o meu medo de quase tudo. O medo revela-se em inquietude, nervosismo, ansiedade e, de forma mais extrema, em pânico e terror. Durante muito tempo tive medo de sair de casa ou de ir a certos sítios, tenho medo de grupos grandes de pessoas, tenho medo de falar de mim, medo de falhar...

Quando comecei a pesquisar mais sobre a profissão, compreendi que teria de ultrapassar muitos dos meus medos, teria de me modificar e moldar diariamente para poder praticar a profissão e, cedo ou tarde, teria de me colocar atrás de um volante de carro. Lembro-me de pensar no assunto e achar que seria de mais... Não seria capaz de lidar com tanta coisa. Além disso, todos os meus colegas já tinham estágio garantido e estavam mais empenhados em percorrer a última fase do curso.

Neste caso a sabotagem teve início de forma inconsciente mas tornou-se bastante consciente principalmente agora que sei que não quero ser certificada. Talvez um dia... Noutros casos, tantos outros, só muito mais tarde me apercebi de que fui eu que dei início ao meu próprio declínio.

daqui

15
Fev21

Reta Final

Estou na reta final do meu curso. Não acredito que 5 meses se passaram em 5 minutos. E se no início achei que, provavelmente, não me levaria a lado nenhum, hoje já começo a ver alguma luz ao fundo do túnel e a minha tão aguardada rescisão com o mundo da hotelaria.

Ainda falta uma etapa muito importante e, sem dúvida, A MAIS importante. E é, precisamente, nesta altura que me estou a desmotivar e todas as minhas dúvidas e descrenças se destacam como azeite da água. Será que vou passar com distinção? Será que vou conseguir uma oportunidade para, sequer, terminar a última etapa. Será que vou conseguir fazer este tipo de trabalho? Acima de tudo, será que eu aguento tanta emoção e tanta mudança. Não tenho problemas com, nem aversão à mudança. Sei que é uma constante e que nada podemos fazer em relação a isso. Mas venho tão traumatizada de uma indústria que me tratou tão mal que estou convencida de que não haja muita coisa que saiba fazer.

Sinto, muitas vezes, que vivo na sombra da minha depressão e que quase nunca tenho a energia suficiente para superar desafios do dia a dia. Pergunto-me se, por causa disto, estou sujeita a não assentar profissionalmente nem conseguir alguma estabilidade. Se estou sujeita a acomodar-me a um emprego que não me estimule nem me encoraje a ser melhor, que pague mal, que não me permita conseguir comprar uma casa...

IMG-20210128-WA0004.jpg

18
Jan21

auto-mutilação

Quando me comecei a cortar - e já nem sei quando foi - já estava bem adulta. Não conhecendo ninguém a passar pelas mesmas dificuldades que eu, procurei fóruns online para ler testemunhos de pessoas como eu. Descobri que a auto-mutilação pode ser mais comum na adolescência mas há muitos adultos (com 50 e mais anos) que nunca deixaram de o fazer porque nunca encontraram outra forma de lidar com a sua dor psicológica.

O termo inglês self harm é mais inclusivo e o artigo acima menciona a expressão auto-lesões para incluir outras formas de auto tortura.

daqui

30
Dez20

Bom Dia

Sou acompanhada pela mesma psicóloga há pouco mais de três anos. Não parece muito mas nunca estive com o mesmo terapeuta tanto tempo. Ela diz que eu estou bastante diferente. Quero acreditar que sim. Houve muitas luzinhas que se acenderam durante as sessões, houve umas menos produtivas e outras que foram além do tempo devido. Ainda não me abro por completo porque há muitos sentimentos e muitas características minhas que ainda me envergonham mas devagar sei que me vou folheando.

Este foi, sem dúvida, um ano de transformação e muita introspeção. Devo muito do meu desenvolvimento deste ano à medicação que tomo. Sempre resisti a ter de tomar o que quer que fosse por medo, por preconceito ou fraqueza mas não teria conseguido viver este ano da forma calma como vivi (calma e não zen!) se não fosse pelo santo valproato de sódio. Com grande sinceridade, não alimento grandes expetativas em relação a 2021. Vai ser um ano extremamente difícil mas fico contente com a possibilidade de desmame a partir de março.

IMG_20201211_155957.jpg

Mais sobre mim

Fórum Saúde Mental Portugal

A Ler

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D