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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

05
Mai20

Vamos falar sobre solidão?

Não tinha certeza se havia de publicar este post. Hesitei bastante. Porque formas de sentir são subjetivas mas se falamos sobre distanciamento e isolamento social, parece-me importante compreendermos como a solidão afeta muito mais gente e há mais tempo.

Picos existem em épocas como a que vivemos, mas não podemos virar as costas àquela que provavelmente já se tornou um pandemia ainda antes do COVID 19 existir. E esta pandemia que é a solidão não afeta apenas os idosos.

Identifico 2 tipos de solidão: a física e a emocional.

Sabemos e muito bem através de experiências pessoais que o Homem é um ser social e que o contacto físico é importante para a nossa sobrevivência. Sendo a necessidade de abrigo uma das nossas necessidades mais básicas, não é de estranhar que procuremos essa sensação de bem estar através de um abraço quando o sentido de abrigo não se limita somente à sua forma mais material.

Esta solidão sentiu-se agora. Estar distante e não poder abraçar quem mais gostamos e com quem estávamos todas as semanas. Contudo, e apesar da distância física, temos telefones, mensagens, fotografia e vídeo. Podemos contactar e ser contactados. Mas sabemos... Não é o mesmo! Mas temos uma voz para nos escutar. A voz de alguém que se lembrou que existimos e se preocupou com o nosso bem estar.

Depois, há a solidão emocional. Que pode advir, por imposição, da solidão física ou por razões mais profundas e, aqui sim, subjetivas. Já todos ouvimos dizer que apesar de vivermos num mundo super tecnológico com a possibilidade de nos conectarmos imediatamente com qualquer parte do mundo, esta é, ainda assim, uma sociedade que se queixa cada vez mais da solidão.

Por um lado, esta nova pandemia é um produto da sociedade tecnológica que nos permite fazer quase tudo com um clique sem levantar o rabo da cadeira. E os mais pequenos, que nasceram nesta era, sofrerão mais com isto se não tiverem controlo parental. Não são desenvolvidas competências interpessoais, não há empatia nem entreajuda na sociedade.

A solidão de que falo, a emocional, é aquela em que nos sentimos totalmente sós e vazios por dentro. Podemos estar rodeados dos nossos amigos mais chegados e não conseguir uma ligação profunda com ninguém. Em retrospetiva, acho até que me tornei numa pessoa mais introvertida por isto. Todos gostamos de falar e ser ouvidos, mas ninguém pára para ouvir e mostrar interesse nos outros.

A solidão emocional é o tipo de solidão que não se procura, é uma insatisfação com o ambiente em que vivemos, é a anulação do que somos e sentimos. É aquela que aperta o peito e faz-nos duvidar se merecemos viver.

Idosos que foram deixados em lares e que a família não visita ou raramente telefona, crianças e adolescentes sem amigos que sejam alvo de bullying e não têm o apoio e aconselhamento apropriado, pessoas sem abrigo...

A solidão não escolhe idades, não escolhe épocas do ano nem classes sociais.

Podia estar a falar sobre o assunto durante dias porque infelizmente conheço este sentimento demasiado bem e enquanto escrevi este post a minha mente vagueou bastante e percebi que o problema é bem complexo.

Segundo o filósofo brasileiro Fabiano de Abreu, estas são algumas causas do problema.

Depressão, ansiedade e outras doenças de foro psicológico podem ser consequência da solidão. Ainda que se fale muito mais sobre este tipo de doenças, o estigma está muito presente porque quando falamos nelas não é fácil fazer compreender o sofrimento que trazem. Falamos em números, em medicamentos. Não sabemos abordar a questão, que perguntas fazer... Não sabemos (e muitos não querem nem sequer sabem) lidar com as próprias emoções, quanto mais inquietar-se com as dos outros. E é aqui que o ciclo vicioso se inicia. Isolamento. Solidão.

A solidão desregula a serotonina, a adrenalina e o cortisol. Pode causar tensão alta, diabetes, insónia, dependências, dores musculares e nas articulações, maior predisposição a desenvolvimento de cancro, e pode, em casos extremos, levar à morte por suicídio.

Maio é o mês dedicado à Saúde Mental e, por isso, peço que se conhecem alguém de quem não têm notícias e que acham ser pessoa de risco, entrem em contacto nem que seja com uma mensagem. Insistam.

27
Abr20

Inquietações

Tenho ouvisto muito sobre o aumento de ansiedades e ataques de pânico por causa deste tempo de quarentena.

A falta de ocupar o tempo (de forma produtiva ou não) aumenta a tendência natural à ruminação que advém destas circunstâncias. A ruminação mental é a espiralização de pensamentos. Em casos de depressão e ansiedade crónica, muitos destes pensamentos são negativos, de tom auto depreciativo e, tornam-se tão constantes e automáticos que os tornamos como verdades absolutas.

De alguém que tem aprendido a viver com isto desde sempre, só posso dar o melhor conselho que já me deram até hoje: ocupem o vosso tempo livre o mais possível, nem que seja vendo vídeos no Youtube. Nos meus momentos mais difíceis, é a única coisa que me apetece fazer apesar de chegar ao final do dia e pensar que não fiz nada de produtivo. Esta forma de pensar é, também ela, negativa. O conselho é da minha psicóloga e esta forma de lidar com o nosso dia a dia em quarentena é uma forma de prevenir a espiral de pensamentos que se assomam.

Claro que nem sempre é tão fácil. Bem sei disso, mas é uma estratégia que requer muita tentativa sem efeito imediato.

Só espero que não haja um aumento exponencial na prescrição de ansiolíticos e antidepressivos (que haverá). Felizmente a minha médica de família deixou de nos passar receitas para estes medicamentos e começou a focar-se em alternativas mais naturais.

Para quem não costuma ter ansiedade, suplementos ou chá de raíz de valeriana poderão ser uma boa solução. A valeriana cheira muito mal, é verdade, mas há muita gente que confirma os seus efeitos.