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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

03
Ago20

Segundas-feiras

Segundas são, de longe, os dias mais stressantes para mim. Foi o dia da semana que decidi dedicar à procura de emprego. Ele é palpitações, mãos suadas e um sem fim de posturas desconfortáveis em frente ao portátil só para justificar o meu subsídio.

Além de não haver muitas vagas, como esperado, as que há recebem centenas de candidaturas pelo que a escolha do/a melhor candidato/a se torna mais morosa para o empregador e se traduz em silêncios para mim.

Há alguns anos que uso o LinkedIn para este efeito mas confesso que esta plataforma me encaganita cada vez mais. Os meus contactos são todos super estrelas, os melhores dos melhores com imensas postas de pescada servidas em folha de ouro para partilhar. São todos supra sumos das suas áreas e têm muito cuidado em alterar os seus status e anunciar aos sete ventos cada vez que decidiram aceitar um novo desafio profissional ou precisam partilhar com o mundo os seus altos níveis éticos e morais.

Mas falava eu das segundas-feiras... Estudei Turismo e Hotelaria e trabalho há mais de 10 anos na área. Foi das indústrias mais afetadas pela pandemia e, apesar de ter sido dispensada por outras razões, o timing foi péssimo mas uma boa oportunidade de mudar de área.

Neste momento, e um pouco por desespero de querer desprender-me da hotelaria, tenho 3 planos que espero me tragam algum benefício a longo prazo.

O dia está a acabar...

13
Jul20

Amizade

Amizade é um conceito que me é bastante estranho. Não sei bem em que consiste. Não sei o que esperar de um amigo nem o que é esperado de mim como amiga.

Este post está aqui estacionado há imenso tempo e a minha laranja está seca. Não há sumo. E, por mero acaso, neste último mês tenho visto imensa coisa sobre amizade que me tem dificultado expressar sobre estas relações.

Enquanto criança, na escola, conseguiria apontá-los sem dificuldade. Saberia dizer quem eram os melhores e o papel que cada rapaz e cada rapariga tinham no meu dia a dia. Sabia com quem podia contar apesar de já, na altura, não me sentir totalmente integrada.

Suponho que a amizade seja uma qualquer relação de confiança e segurança e, por algum motivo, nunca ninguém me fez sentir segura nem à vontade para partilhar nem os meus muitos medos e anseios nem as minhas poucas alegrias.

Pinky Swear Poster | JUNIQE

daqui

07
Jul20

Há dias assim

Há dias normais, há dias maus e há dias muito, mas mesmo muito maus. E agora, enquanto ainda trepo as paredes do poço em que caí, arfando por ar fresco (uma correntezinha de ar seria suficiente, na verdade), estou incapaz de não me preocupar com todas as futuras crises que, como esta, vêm e arrasam como uma guerra.

Parece que cada quebra, cada viagem súbita às profundezas da depressão é pior que a anterior mesmo quando acho que já senti dores que nunca pensei voltar a sentir. Elas voltam mais fortes e enfraquecem-me a mim.

Por algum motivo vejo estas minhas crises como a expressão do desespero de algo com o qual não tenho lidado que é, na realidade, só toda a minha vida!

Basta um segundo e o estímulo mais banal para começarem a cair as lágrimas e a vontade de sorrir desaparece. Por muito que tente, os cantos da boca teimam em não reagir. O telemóvel fica de lado com mensagens e chamadas por atender. Mas ninguém insiste. Ninguém sabe onde estou nem como estou nem do que mais preciso. E a dor persiste. O sono, esse, ora desaparece, ora pesa em demasia, mas o tempo deitada na cama nunca aborrece. A auto-estima é aniquilada e deixo de existir.

Sou um conjunto de causas infelizes. Sou um efeito difícil de emendar. Há dores tão fortes que são impossíveis de explicar. Estão fora da escala. Agonias tão profundas que apertam o peito e colhem o fôlego.

Não sei explicar a ninguém como é que passo de um humor normal para um estado tão sinistro em apenas milissegundos. Costumam ser ocasiões em que me sinto posta de parte, momentos de isolamento e quando sinto um ínfimo indício de humilhação.

É nestes momentos que sei que o apreço por mim própria não existe. Repetem-se, continuamente, na minha cabeça, as vezes que falhei no passado. Essas vezes que, por sua vez, me arrancaram mais a vitalidade e a motivação e a direção.

O que mais me frustra na depressão é que não há uma solução milagrosa. Posso pegar num telefone e desabafar? Posso! Posso falar com a minha psicóloga? Posso! Mas não altera nada. Não previne as crises futuras nem avisa de antemão o grau de intensidade e dor que se vai sentir.

A solidão impõe-se quando me apercebo que por muito que partilhe, por muita terapia e desabafos que faça, sou EU que vou ter de viver assim para o resto da vida. Ninguém tem o poder de ajudar e eu não tenho as forças necessárias para o fazer sozinha.

poço.jpg

poço (?!) pintado por mim

03
Jul20

Porque estar doente é supé glamouroso

Ao que parece a revista Vogue Portugal está sob os radares por causa da sua última capa. Que, aliás, são 4, alusivas à saúde mental. Não leio nem vou ler mas sei que esta edição fornece artigos sobre a história de instituições e como o assunto tem vindo a ser tratado, e entrevistas com especialistas no assunto. 

Considero-me uma pessoa com muito bom humor, acho que devemos gozar com TUDO. A capa não me ofende, de todo (sendo eu uma pessoa que vive com depressão), mas é exatamente este tipo de representação antiquada que previne uma melhor compreensão das doenças do foro psicológico.

Pior. Impede aqueles que sofrem em silêncio de procurar ajuda por medo de chacota. Os mais jovens já se sentem mais à vontade e falam sobre o assunto. Contudo, os mais velhos (não tão velhos assim) têm mais dificuldade em abrir-se. Pessoas com 30 anos ou mais ainda estiveram expostos a esta representação da saúde mental através dos media (manicómios e asilos, lobotomias, terapia de choque, amarras).

Somos o país da Europa com mais casos de depressão. Todas as doenças que se inserem neste espectro vão muito além da doença física e os media entram num campo perigosíssimo quando se romantizam estas doenças e o próprio suicídio.

Porque uma imagem vale mais que mil palavras e nem toda a gente paga 10€ para ler a Vogue.

Gosto de achar que não me insiro nesta geração de gente que se ofende com tudo (e repito, não me sinto ofendida com a capa), mas a imagem aliada ao tema estão, na minha opinião, um pouco desencontrados.

25
Jun20

O Passarinho Azul

Curiosamente, pássaro azul é um prenúncio de felicidade e harmonia.

Prefiro falar do meu passarinho azul do que do meu cão negro.

 

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too tough for him,

I say, stay in there, I'm not going

to let anybody see

you.

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I pour whiskey on him and inhale

cigarette smoke

and the whores and the bartenders

and the grocery clerks

never know that

he's in

there.

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too tough for him,

I say,

stay down, do you want to mess

me up?

you want to screw up the

works?

you want to blow my book sales in

Europe?

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too clever, I only let him out

at night sometimes

when everybody's asleep.

I say, I know that you're there,

so don't be

sad.

then I put him back,

but he's singing a little

in there, I haven't quite let him

die

and we sleep together like

that

with our

secret pact

and it's nice enough to

make a man

weep, but I don't

weep, do

you?

24
Jun20

Coisas Que Chocam

Esta manhã tive uma consulta e logo depois fiz um desvio pela praia antes de voltar a casa.

No principal caminho pedonal até à praia iam duas crianças, uma com uma filha e outra com um casal de filhos. O rapaz com os seus 6 anos e a rapariga com 4 no máximo. À menina de 4 anos saiu-lhe o chinelo e não estava a conseguir colocar os dedinhos da forma certa.

A mãe, já sem paciência, exclama: "Mete o pé, f*dasse!"

E é isto...

20
Jun20

Feliz Solstício

Apesar de viver relativamente perto do mar, sempre tive uma relação de amor-ódio com o verão e idas à praia por razões que não vale a pena explicar.

Gosto muito de tempo quente, de apanhar sol e sabe pela vida estar estirada na areia num merecido descanso de preferência com uma bola de berlim fresquinha na mão. Adoro a cor azul mas... sou pessoa de serra e prefiro estar rodeada pelos castanhos e verdes, pela calma e silêncio que emite.

Talvez por ter a serra de Sintra como referência, associo as densidades das matas e serras ao mistério e misticismo. O silêncio dos seus ruídos incita à busca pelo desconhecido e ao desbravamento do medo.

IMG_20170525_163148288.jpg

Neste ano de 2020, o solstício de Verão ocorre precisamente neste momento, 20 de Junho pelas 22h43 e como as suas celebrações poderão remontar à Idade da Pedra, ficam aqui algumas curiosidades.

Dia 21 de Junho o nosso planeta Terra será agraciado com um eclipse solar anelar, infelizmente não visível por terras lusas. Para os que gostam que astrologia , um eclipse é sempre um sinal de mudança. Este proporciona um bom momento para resolver questões do passado. Para seguirmos em frente precisamos de nos livrar de mágoas, traumas e emoções negativas.