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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

28
Mai20

A Arte Subtil de Dizer que se F*da

Deixava-me furiosa ver toda a gente com este livro na mão. Com uma capa laranja quase fluorescente não passava despercebido.

Nunca gostei do conceito de auto-ajuda. Aliás, nunca gostei de livros de auto-ajuda. Muitas das pessoas que os compram e que precisam de alguma orientação na vida necessitam de um tipo de ajuda mais... profissional. E estes livros não só não melhoram as preocupações de quem os lê como poderão até criar uma dependência e acabam esquecidos numa prateleira a ganhar pó.

Sempre achei que este livro fosse mais um desses. Escrito por um qualquer puto que só porque viajou imenso e levou uma palmadas e sofreu algumas desilusões, achou-se iluminado o suficiente para escrever um livro de auto-ajuda. Nunca li nenhum mas sempre os imaginei a todos com discursos similares, com listas de afazeres e hábitos a criar para atingirmos os nossos objetivos, sejam eles quais forem e dependendo do tema do livro.

Vi uma colega de trabalho lê-lo na hora de almoço e perguntei-lhe se era bom. Ela diz que sim e diz-me que o devia ler. Considerei a opinião dela por saber que os seus gostos literários não recaem neste tipo. Acabei por levá-lo para casa e surpreendeu-me imenso pela positiva. É um livro de auto ajuda ao contrário. Sou uma leitora lenta, gosto de ler e reler as mesmas páginas para interiorizar bem a mensagem escrita mas este livro foi lido rápido por não ser meu. Não me senti à vontade tomá-lo como refém. Mas precisava de o ter lido e ainda bem que o fiz.

Já tinha ouvido falar de Mark Manson, o seu autor, exatamente quando este livro foi publicado em Portugal. Lembro-me de ter ido ao site dele e ter subscrito para receber coisas. Coisas que acabei por nunca ler, para ser honesta.

De alguns anos a esta parte tenho-me oposto imenso à Psicologia positiva tão em voga hoje em dia. Dispenso mensagens inspiracionais de entendimentos vagos, quase ocos e os caminhos batidos dos clichés. São bonitos, não distantes da perfeição quando escritos com a letra certa e a paisagem utópica de fundo. E nem vou tocar no assunto das palestras motivacionais nem da infinidade de workshops que existem para o desenvolvimento pessoal em qualquer área da vida.

Isto para dizer que a mensagem de Mark Manson é a minha mensagem. É a que eu escolho seguir e apregoar por este mundo. Esta necessidade frenética que temos nos tempos que correm de ser melhor em tudo, de fazer e querer mais e melhor, de nos compararmos incessantemente com amigos, vizinhos, familiares e até através das redes sociais com quem não conhecemos tem como resultado o exato oposto do que procuramos. Quanto mais queremos, menos satisfeitos nos sentimos.

Um dos exercícios mais conhecidos da Psicologia positiva são as afirmação positivas. Olharmo-nos ao espelho, nos olhos, e repetir uma mensagem positiva sobre nós próprios como, por exemplo, "és bonita". Se temos necessidade de o fazer diversas vezes significa que não o sentimos. Se não o sentimos, aumentamos os nossos níveis de ansiedade e frustração que resultam precisamente em sentimentos, emoções e pensamento negativos como "nunca vou conseguir gostar de mim".

Cada pessoa, cada corpo, cada mente e cada espírito tem os seus tempos, a sua velocidade de aprendizagem e de vivência e faz-nos mal, danificamos a nossa forma de ser, a nossa essência, querer violar esses tempos.

Não me oponho, de todo, à Psicologia positiva. Apenas acho que não se aplica a toda a gente nem em qualquer situação. Só não sou a favor de pessoas que publicam livros de auto-ajuda baseados nas suas experiências pessoais e que, muito provavelmente, dificilmente ajudarão os seus leitores. Este é um negócio que, tal como a cosmética, gera milhões à conta do nosso mal estar.

Como um dia li algures por esta blogosfera (e peço imensa desculpa porque não sei nem me lembro mesmo em que blog o li e não quero estar a roubar as palavras aos outros), prefiro ser negativa porque é a forma mais próxima da realidade.

23
Mai20

Na Linha

Se pudesse, agora, estaria sentada no banco de um qualquer comboio com destino incerto. Sabia-me bem sair daqui e fugir à responsabilidade. A minha alma implora por aventura. Preciso da liberdade. De me libertar da rotina que se impôs, livrar-me do desespero entranhado.

Se pudesse, agora, via a paisagem passar de trás para a frente, pela janela de um qualquer comboio com destino incerto. A paisagem seca, amarela e azul, vazia de gente, sem sentido. Quero perder noção do tempo, não saber quem sou nem olhar-me ao espelho.

Se pudesse, agora, seria invisível.

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20
Mai20

Zona de Conforto

Há 3 anos por esta altura tinha decidido voltar para Portugal. Tirar tempo para estudar e mais tarde voltar a sair para mais um novo recomeço. Embora estivesse decidida a dedicar-me a 100% aos estudos, acabei por encontrar emprego (de temporário a quase efetivo) e a minha vida encarrilou por alguns meses. A minha carteira de conhecimentos resume-se a uma mão cheia mas a minha vida social até estava minimamente ativa.

Há pouco mais de um ano, as coisas começaram a mudar e num mês dei por mim numa nova espiral negativa. Senti-me completamente abandonada, para trás, esquecida. Depois de um cocktail medicinal, decidi sair um bocadinho da minha zona de conforto.

Sempre fui uma pessoa física, nunca fugi a exercício (se o fiz foi mesmo por falta de motivação e não por não gostar) mas sempre me faltou companhia para fazer mais atividades além de caminhar. Inscrevi-me num mini curso de escalada. 4 dias a trepar paredes artificiais e rochosas e adorei. Apesar de ser um grupo pequeno tive pena de não conseguir treinar mais. Ao terceiro dia comecei a acusar cansaço e fiquei doente. Ao quarto dia não consegui fazer nada. Em pleno março, as mudanças de temperatura e estados de tempo ao longo do dia são cansativos e obrigam a tirar e a pôr camadas de roupa vezes sem conta. Apanhámos sol e calor e uma tempestade de vento e trovoada ao final da tarde.

Foi uma experiência refrescante que precisava na altura e felizmente soube aproveitar.

Gostei tanto que em novembro voltei à aventura. Desta feita um fim de semana prolongado na Andaluzia a fazer vias ferratas. Um género de escalada em rocha feita através de estruturas férreas, escadas, cabos, pontes e ... impõe respeito! Muito respeito. O tempo voltou a trair-nos e alguns planos foram cancelados. Conseguimos, ainda assim, terminar 4 ferratas e não dá mesmo para esconder o sentimento de triunfo no final do percurso. É impossível ignorar o esforço conjunto do grupo e a confiança que se desenvolve durante a escalada. Ali todos triunfamos com apoio mútuo. O grupo passou por alguns momentos de tensão mas tudo se resolveu.

Ao que parece, não me calo quando estou cheia de medo nervosa. 

 

16
Mai20

Primeiro Olhar

A conversa foi íntima, pouco casual e foi fácil.

Foi fácil olhá-lo nos olhos e abrir o coração. Falar de medos e desejos e quase segredos. Nunca, num primeiro contacto, me tinha sentido tão bem com alguém.

Dez minutos passaram a correr. Era todo o tempo que tínhamos mas foram proveitosos.

A química estava lá. No primeiro olhar, no primeiro toque e no primeiro beijo.

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13
Mai20

Pausa

Está uma tarde caótica! Telefones não param, não consigo fazer o meu trabalho, está tudo atrasado e ainda tenho de fazer uma visita a um cliente. Estou ao telefone há 20 minutos e há, pelo menos, 10 deixei de ouvir as queixas de quem, do outro lado, acha que sou saco de porrada. Estou farta, pensei. Descansei a caneta, reclinei-me para trás e inspirei bem fundo. Peguei no telemóvel. "Café?" dizia a mensagem. Sorri e respondi que sim. Despachei a chamada, peguei na minha tralha e avisei a equipa que tinha uma visita.

Nervosa, ainda esperei um pouco por ele. Nunca nos tínhamos conhecido mas sabia que não era difícil identificá-lo. Já falávamos há um mês mas nunca tínhamos conseguido conciliar horários. A conversa sempre fluiu, sempre foi boa mas e se não houvesse química?

Adiantei-me e pedi 2 cafés esperando que ele não se ofendesse e no mesmo momento em que foram servidos, ele chegou. Sentámo-nos. Nenhum dos dois tinha muito tempo e sabíamos que íamos atar pontas soltas das conversas escritas que tivemos.

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11
Mai20

Marselha

Em 2014 tinha-me fartado de vir de férias a Portugal. Era um retorno àquilo de que tinha fugido e não fazia qualquer sentido colocar-me nessa posição vezes e vezes sem conta. No embalo da minha recém descoberta liberdade, decidi passar uns dias em Marselha. Ouvi de tudo: "Marselha é bonito"; "Vais sozinha? És louca! Aquilo é perigoso!"; "Aproveita". Levei todas em conta e compreendi-as a todas.

Não sou famosa pela minha memória de elefante e os detalhes da viagem têm-se desvanecido com o tempo mas tenho uma característica. As minhas memórias são emocionais. Em qualquer viagem que fiz sozinha senti-me bastante só em diversos momentos mas não são esses detalhes que emergem quando olho para as minhas fotografias. As minhas memórias são sempre boas, felizmente.

Marselha pode assustar. Tem muitos sem abrigo à porta da, provavelmente, mais movimentada entrada na cidade, a estação Saint-Charles. Intimida. Está situada numa colina e, mal saímos, temos um vislumbre do que nos espera lá em baixo.

Tenho-me hospedado em hostels. Para poupar dinheiro, vou comprando comida e cozinhando nas instalações. A ideia de me confinar num quarto de hotel sozinha deixa-me ansiosa e só o faço quando não tenho alternativa. Também é uma oportunidade de falar com pessoas para quebrar um pouco a minha introversão e, quando se proporciona, fazer umas refeições juntos, dentro ou fora do hostel.

Contudo, há coisas que gosto de fazer sozinha e uma delas é mesmo turistar. Ter os meus planos, fazer as coisas ao meu ritmo. Faço, quando possível, tudo a pé. Também o faço porque gosto de me perder. Aprendi que tenho um bom sentido de orientação e mesmo quando este falha, tudo se resolve.

Qualquer vista para o Porto Velho é linda. O brilho do sol refletido na água ilumina toda a cidade velha e não é difícil imaginar como seria a vida, ali, há 2 e 3 séculos atrás. A vida de todos está muito ligada ao mar. Qualquer grupo de jovens sai num barco em direção a zonas mais calmas para namorar, para fazer festas, para apanhar sol... Num dos meus passeios fui dar a um pequenino porto atulhado de barquinhos de pesca, redes e cordas e gaiolas chamado Vallon des Auffes. Creio também ter um ou dois restaurantes onde, com toda a certeza, se servirá peixe fresco. Desconhecia na altura mas parece ser um must quando se visita Marselha.

Como qualquer cidade secular europeia, Le Panier é o bairro velho pituresco da cidade com diversos edifícios fechados, grafitados e salpicados de tantas outras obras de arte. Outros edifícios mais ou menos renovados ainda nos mostram a traça característica da cidade.

Fiz uma excursão de barco aos Calanques, um Parque Nacional, ao longo da costa. Calanques são enseadas conhecidas pelas praias de um azul límpido manchado por algas, ladeadas pelas escarpas rochosas. Voltaria para fazer os trilhos do parque.

Ao largo da cidade existe um pequeno arquipélago. Na ilha mais pequena, If, a antiga fortaleza e prisão serviu de inspiração a Alexandre Dumas para o Conde de Monte Cristo. Eu decidi aportar na ilha maior, Pomègues, e passar a tarde a caminhar.

Tenho um bichinho por catedrais que não consigo explicar e sempre que sejam gratuitas, entro para visitar. Atrai-me, de uma forma sombria, a arquitetura, a decoração, o jogo de luzes, os vitrais. Fui criada católica, fiz catequese e primeira comunhão mas não consigo compreender a religião. Estar ali não é confortável. A Catedral La Major é relativamente recente mas foi construída nas ruínas da catedral velha. A cidade tem, ainda, como cartão postal a Basílica de Nossa Senhora da Guarda, mesmo no cimo de uma colina no 6º arrondissement. Uma zona claramente mais elegante com pequenas boutiques, cafés e restaurantes mais ostentosos.

Tive ainda tempo de travar uma breve amizade com uma espanhola com quem passeei um pouco numa zona menos turística da cidade.

Marselha é uma cidade jovem e com vida onde os mais novos sabem e tomam gosto pela tradição do mar.

A manhã do dia de regresso foi, provavelmente, dos dias mais stressantes da minha vida. Os comboios para o aeroporto estavam atrasados, não havia transporte alternativo, ninguém falava inglês. Saltitei de balcão em balcão, passei fitas e filas e chorei de frustração. Ía perder o meu voo. Milagrosamente lá saiu um comboio, apenas para chegar ao aeroporto e ter o meu voo atrasado em 2 horas 

 

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