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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

22
Out20

Depois da Tempestade...

... um post de uma hater ...

Moro a, sensivelmente, três quilómetros da praia e a dois da estação de comboio. É certo que, se à noite ouvimos o comboio passar, é sinal que vai chover. Em dias de tempestade, no silêncio da noite, consigo ouvir o tumulto do mar.

Sim... moro naquela localidade onde foi construída uma universidade à beira mar. Onde ser surfista e skater é a coisa mais importante da vida e que dá likes e followers. Moro na localidade que se vende como a Califórnia portuguesa. Onde os cabelos estragados pelo sol e sal (e coincidentemente cada vez mais longos - deve ser uma coisa de surfistas e skaters) contrastam com a pele bronzeada, até no Inverno! A mesma localidade onde, aquela a que chamávamos por gozo de feira internacional de Carcavelos, tornou-se mesmo um espaço cosmopolita, de relevância e qualquer dia é elevada a uma daquelas categorias de Património Mundial da UNESCO.

Sou pouco dada a modas. Maria não vás c'as outras! Gosto de ser do contra. E se o areal carcavelense já estava mais pequeno, os banhistas têm de se desviar constantemente das zonas denominadas (de forma irregular, e demarcadas com bandeirolas para onde as ondas os levem) para as escolas e escolinhas e surfirstas independentes durante o verão e as enchentes de pinguins e focas na água que se atropelam na p*ta! da água!

Odeio ver como a minha terra foi vendida. Desenvolvida para estrangeiros. No caminho que faço de casa à praia não consigo ficar indiferente ao facto de não ouvir português. Esta é uma terra de contrastes. Uma mistura de casas velhas e mal tratadas com 10 inquilinos por metro quadrado com aquilo que considero mansões de vedações altas, algumas como nos filmes, e respetivos topos de gama à porta.

Deixa-me f*dida saber que não havia (e continua a não haver) interesse no bem estar da população antes de nos tornarmos no país "ganha prémios". É sempre tudo em função de atração e investimento estrangeiros. Deixa-me f*dida saber que a praia está sobrecarregada e que se planeia destruir mais espaço ao ar livre para levantar mais betão.

Perdoem-me o desabafo mas diz que há uma qualquer conjunção astrológica pouco favorável. Vamos acreditar que sim...

Hoje fui até à praia apanhar um solinho.

praia.jpg

24
Set20

Quem Sou Eu?

Quem sou e o que represento?

Pergunta Original: "Who am I and what do I stand for?"

Podia achar que a resposta à pergunta sobre quem sou seria fácil mas pode ser mesmo a mais difícil.

daqui

Definimo-nos através das nossas profissões, da nossa idade, de onde somos e pelo que temos. Mas somos mais do que isso. Nos últimos anos tenho-me definido pelo que sinto ser. É a forma como me vejo. Sou um sentir humano, mais do que ser humano. Passo muito do meu tempo a desenrolar emoções e sentimentos. O que sinto em relação a mim, em relação a quem me é próximo e menos próximo e em relação ao mundo. Tenho uma identidade mas não a sei descrever. Ou teria falar de mim e da perceção das minhas memórias durante muito tempo.

Há quem defenda que a depressão seja uma perda ou falta de identidade. Em parte acredito que sim pois foi assim que sempre me senti. Não faço parte do grupo dos que acreditam que a depressão poderá ser causada (entre outras coisas) por um desequilíbrio químico do cérebro. Acredito que o contrário aconteça. A depressão causa desequilíbrio ou o desequilíbrio tem causas mais profundas. Mas a depressão aparece sempre por um motivo nem sempre óbvio e esse motivo não tem de ser catastrófico. Basta algum acontecimento colocar em causa a nossa forma de ser e o que defendemos e com o que nos identificamos num momento em que estejamos mais sensíveis, ou algum padrão de acontecimentos que se estendam no tempo que nos afecte a longo prazo.

Sei que a depressão é uma condição bastante complexa e que envolve muito mais variáveis mas também acho que a complicamos demais.

Saber identificar aquilo que represento pode ajudar a responder à pergunta quem sou. Como ser individual não me consigo desligar da ideia de que faço parte de toda uma raça e que estou ligada de alguma forma a todos os seres humanos. Aquilo que defendo é a sobrevivência da comunidade humana e uma vivência pacífica, simples, consciente e sustentável.

O universo é complexo e há um universo em cada um de nós. Todos somos infinitamente complexos.

18
Set20

Atenção ao Cliente

Qualquer emprego que tenha como função principal o atendimento ao público é visto um pouco como o parente pobre das profissões. Tarefas que não necessitam especialização são executadas por pessoas com poucas habilitações e, por algum motivo, há quem ache que estas pessoas se encontram na base de uma qualquer pirâmide que mede a dignidade humana e o seu direito ao respeito alheio.

Há umas semanas atrás enquanto revistava as novidades do LinkedIn (que, honestamente, me dá uma vontade de apagar mas acredito que poderá ainda vir a ser útil) li uma pequena publicação de um senhor sobre as pessoas que lhe servem um café todas as manhãs antes de ir para o trabalho. Muito sucintamente, comparou tirar um café da sua máquina Nespresso aos grunhidos que recebe de quem, do outro lado do balcão, não serve com excelência. O mesmo senhor não era fiel a um estabelecimento em particular, parando onde mais lhe desse jeito a caminho do trabalho. E de 5 estabelecimentos, consegue obter um "bom dia", dois ou três grunhidos e dos restantes, silêncios. E deixava uma pergunta qualquer no ar dando a entender que para ser atendido por máquinas, mais vale tirar o seu próprio café da sua própria máquina. E os moralistas desta vida aplaudiam e comentavam que, sim senhor, realmente, estamos muito mal servidos, as pessoas não têm brio no que fazem. Não me lembro da última vez que fiquei tão quente e alterada ao ler algo na internet. Nem mesmo quando me aventuro e arrisco ler comentários por essa web fora. E por esse motivo, contive-me e não respondi.

Durante vários meses fui cliente assídua de um estabelecimento perto do meu trabalho. Por vezes passava lá de manhã, outras vezes depois do almoço, noutros dias até duas vezes ao longo do dia. Quem entrasse e fosse atendido pela rapariga que lá estava praticamente todos os dias e a apanhasse num dia mais cinzento, diria que era muito mal educada. Mas não era. Era super animada, falava pelos cotovelos e sabia muito bem fazer o seu trabalho.

Quem não trabalha atrás de um balcão ou do outro lado de um telefone não tem noção do tipo de pessoas com que lidamos diariamente. Também recebemos grunhidos e silêncios, faltas de respeito galore porque fazemos um trabalho menos digno. Estamos ali para servir. Quem nunca fez este tipo de trabalho não percebe que somos apenas empregados, não fazemos as regras, cumprimos ordens.

Se há qualidade que prezo é empatia. Antes de trabalhadores, somos pessoas. Somos humanos. Temos problemas pessoais muitas vezes impossíveis de esconder e esquecer e que acabam por atrapalhar o nosso trabalho. Quem nunca? Não sabemos se a pessoa que nos serve um café é especializada em qualquer área que não lhe proporciona um emprego apropriado e nos tira café para pagar as contas porque não tem outra hipótese e sente-se frustrada. Quem nunca? Não conhecemos o ambiente de trabalho daquele estabelecimento e se os trabalhadores se sentem satisfeitos (que se traduz num bom serviço). Trabalhar atrás de um balcão é extremamente esgotante pelo trabalho físico (muitas horas em pé ou em passo rápido) e mental (lidar com pessoas, queixas, atrito) e ainda assim ter de manter a postura porque, literalmente, lidamos com quem nos paga o salário.

Portanto, não... não somos máquinas... E parece ser mesmo isso que este senhor e tantos outros procuram.

daqui

19
Ago20

Diferenças que nos aproximam

Enquanto vagueava pelo Youtube, tinha este vídeo nas minhas recomendações (não devo ter sido a única). Apesar de curto, é um vídeo que me faz viajar no tempo e no espaço e me faz salivar (já explico o porquê de salivar), com imagens de imigrantes à chegada aos Estados Unidos no início do século XX.

A globalização é uma faca de dois gumes. Se, por um lado, nos aproxima como seres humanos, facilita a partilha cultural e troca de ideias, por outro, tem-nos transformado em farinha do mesmo saco.

Há algum tempo que questiono a nossa definição de desenvolvimento e progresso e se estes passam por perdermos povos e respetivas identidades pela pressão imposta pelos valores ocidentais. Mas, olhando para trás, percebemos que a história tem sido isso mesmo, principalmente desde o século XVI.

Sou da opinião que as diferenças aproximam as pessoas e que, apesar de todos termos experiências diferentes e as mais variadas origens e educações, encontramos sempre conteúdo que nos aproxima. E se não encontramos este conteúdo na troca de culturas, encontramos, com certeza, na única característica que nos une. A nossa humanidade, as nossas emoções e sentimentos. E claro... COMIDA!

Há 2 anos, numa conversa com uns turistas, disse-lhes que não gosto de fronteiras. Não gosto de nacionalismos (os políticos) nem patriotismos muito menos dos extremismos que daí advém no contexto político atual. A nossa identidade cultural já está marcada no tempo e na história e as fronteiras físicas já não me parecem ser essenciais. Obviamente que a realidade é bem mais complexa. E se por um lado essas fronteiras são necessárias, o seu desaparecimento poderia acelerar o sumiço da nossa diversidade.

28
Mai20

A Arte Subtil de Dizer que se F*da

Deixava-me furiosa ver toda a gente com este livro na mão. Com uma capa laranja quase fluorescente não passava despercebido.

Nunca gostei do conceito de auto-ajuda. Aliás, nunca gostei de livros de auto-ajuda. Muitas das pessoas que os compram e que precisam de alguma orientação na vida necessitam de um tipo de ajuda mais... profissional. E estes livros não só não melhoram as preocupações de quem os lê como poderão até criar uma dependência e acabam esquecidos numa prateleira a ganhar pó.

Sempre achei que este livro fosse mais um desses. Escrito por um qualquer puto que só porque viajou imenso e levou uma palmadas e sofreu algumas desilusões, achou-se iluminado o suficiente para escrever um livro de auto-ajuda. Nunca li nenhum mas sempre os imaginei a todos com discursos similares, com listas de afazeres e hábitos a criar para atingirmos os nossos objetivos, sejam eles quais forem e dependendo do tema do livro.

Vi uma colega de trabalho lê-lo na hora de almoço e perguntei-lhe se era bom. Ela diz que sim e diz-me que o devia ler. Considerei a opinião dela por saber que os seus gostos literários não recaem neste tipo. Acabei por levá-lo para casa e surpreendeu-me imenso pela positiva. É um livro de auto ajuda ao contrário. Sou uma leitora lenta, gosto de ler e reler as mesmas páginas para interiorizar bem a mensagem escrita mas este livro foi lido rápido por não ser meu. Não me senti à vontade tomá-lo como refém. Mas precisava de o ter lido e ainda bem que o fiz.

Já tinha ouvido falar de Mark Manson, o seu autor, exatamente quando este livro foi publicado em Portugal. Lembro-me de ter ido ao site dele e ter subscrito para receber coisas. Coisas que acabei por nunca ler, para ser honesta.

De alguns anos a esta parte tenho-me oposto imenso à Psicologia positiva tão em voga hoje em dia. Dispenso mensagens inspiracionais de entendimentos vagos, quase ocos e os caminhos batidos dos clichés. São bonitos, não distantes da perfeição quando escritos com a letra certa e a paisagem utópica de fundo. E nem vou tocar no assunto das palestras motivacionais nem da infinidade de workshops que existem para o desenvolvimento pessoal em qualquer área da vida.

Isto para dizer que a mensagem de Mark Manson é a minha mensagem. É a que eu escolho seguir e apregoar por este mundo. Esta necessidade frenética que temos nos tempos que correm de ser melhor em tudo, de fazer e querer mais e melhor, de nos compararmos incessantemente com amigos, vizinhos, familiares e até através das redes sociais com quem não conhecemos tem como resultado o exato oposto do que procuramos. Quanto mais queremos, menos satisfeitos nos sentimos.

Um dos exercícios mais conhecidos da Psicologia positiva são as afirmação positivas. Olharmo-nos ao espelho, nos olhos, e repetir uma mensagem positiva sobre nós próprios como, por exemplo, "és bonita". Se temos necessidade de o fazer diversas vezes significa que não o sentimos. Se não o sentimos, aumentamos os nossos níveis de ansiedade e frustração que resultam precisamente em sentimentos, emoções e pensamento negativos como "nunca vou conseguir gostar de mim".

Cada pessoa, cada corpo, cada mente e cada espírito tem os seus tempos, a sua velocidade de aprendizagem e de vivência e faz-nos mal, danificamos a nossa forma de ser, a nossa essência, querer violar esses tempos.

Não me oponho, de todo, à Psicologia positiva. Apenas acho que não se aplica a toda a gente nem em qualquer situação. Só não sou a favor de pessoas que publicam livros de auto-ajuda baseados nas suas experiências pessoais e que, muito provavelmente, dificilmente ajudarão os seus leitores. Este é um negócio que, tal como a cosmética, gera milhões à conta do nosso mal estar.

Como um dia li algures por esta blogosfera (e peço imensa desculpa porque não sei nem me lembro mesmo em que blog o li e não quero estar a roubar as palavras aos outros), prefiro ser negativa porque é a forma mais próxima da realidade.

22
Abr20

Opiniões

Valem o que valem.

Ao ler este artigo (para ser sincera li-o na diagonal que de números e estatísticas estou eu farta! Já sabemos que o mundo vai bater no fundo) fui de imediato transportada à capital grega onde estive há 3 anos.

O estado da cidade (e de outras zonas) deixou-me francamente chocada e revi Lisboa na mesma situação num futuro não muito longínquo.

Qualquer cidade tem a sua beleza, nem que seja a que foi em tempos e de que guardamos na memória.

Sou profissional de Turismo mas não consigo aceitar a forma como a indústria se tem desenvolvido. Não apenas em Portugal como no Mundo. Acredito que a maior parte das pessoas não gosta de viajar. Fá-lo porque é socialmente aceitável ou pelo sucesso que as fotografias terão nas redes sociais e o prestígio que isso trará. O nosso status já não é definido apenas pelas roupas que vestimos ou pelas nossas posses, é definido também pelo número de países visitados. E quantos mais em menor tempo, melhor. Vejo nesta correria, uma fuga aos problemas do dia a dia com os quais não sabemos lidar. De repente viajar tornou-se sinónimo de crescimento pessoal e espiritual e todos queremos ser iluminados da noite para o dia.

Não quero que se deixe de viajar. A interculturalidade é, definitivamente, uma experiência riquíssima que dissolve fronteiras e preconceitos (contraditório a movimentos xenófobos e racistas cada vez mais presentes). Gostava apenas que o Turismo fosse feito de uma forma mais consciente, desde as companhias aéreas que escolhemos, ao alojamento e às atividades no destino. Deem preferência a empresas que se preocupam com os seus empregados e os tratem com respeito, reservem aquele alojamento familiar. Utilizem motores de busca para decidirem a vossa escolha mas tentem sempre reservar diretamente com o alojamento. Esses motores de busca cobram uma comissão e nem sempre os donos do alojamento ajustam os preços adequadamente. Se tiverem preocupações ambientais, é mais provável que pequenos negócios tenham esse cuidado em contraste com grandes cadeias hoteleiras (que tendem também a pagar salários mais baixos). Consumam o que seja local: tours de pequenas empresas poderão ter menos pessoas e proporcionar experiências menos convencionais e que fogem às massas.

Caso prefiram pacotes de meia ou pensão completas, utilizem agências de viagem das vossas localidades. São efetuados por operadores e agências, compostos através de trabalho árduo, procurando os melhores preços e negociando alojamento, transporte e guias intérpretes oficiais. Tem igualmente a vatagem do fator humano. Recorrer a um agente com quem possam falar cara a cara em caso de dúvidas, não correndo o risco de ficarem de mãos a abanar com agências online internacionais porque não leram as letras miúdas. E digo isto pelo contacto diário que tenho com viajantes que ainda não compreendem o que são termos e condições.

 

É a minha opinião. Vale o que vale.

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