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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

18
Out21

O Que Retiro deste Hábito?

Pergunta original: What am I getting out of my journaling ritual?

Na verdade acho que ainda não se tornou num hábito, esta prática de escrever diariamente, exactamente porque não consigo fazê-lo todos os dias. Gostava de conseguir pegar num caderno e passar as minhas notas para papel todas as manhãs e todos os finais de dia. Sei que é uma questão de gestão de tempo mas não me lembro de me sentir tão cansada como me tenho sentido nestes últimos meses neste novo emprego. Não só pela viagem de casa - trabalho - casa mas pelo tipo de trabalho em si e pelo horário que tanto desejava mas que me obriga a acordar cedo - e cansada - e ainda pelas horas extra que tenho feito...

Copiei esta ideia de um blog que já não existe (ou não consigo encontrar, pelo menos...). Estas questões estão publicadas no livro "The Daily Stoic Journal" de Ryan Holiday e têm sido boas deixas para pensar um bocadinho sobre o que tenho feito da minha vida e na forma como encaro os meus dias. O livro incita-nos à reflexão no início e no final de cada dia sobre a mesma pergunta e tem 366 diferentes, uma para cada dia do ano.

O que retiro deste exercício é mesmo isso: uma maior consciência/ atenção nas minhas acções durante o meu dia a dia.

Só porque escrevi a expressão "maior consciência", permitam-me partilhar algo que aprendi há uns dias. Pelo que eu compreendi a consciência não expande, não aumenta nem abre nem reduz. Tomamos, sim, consciência da própria consciência que somos nós. Cada indivíduo, no processo de autoconhecimento, toma conhecimento de si enquanto consciência.

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04
Out21

Maus hábitos

Pergunta original: What bad habit did I curb today?

Que mau hábito contive hoje?

Atrevo-me a dizer que não foi só hoje. Quero acreditar que um dos meus maiores maus hábitos tem sido, cada vez mais, contido como resultado do trabalho interior que tenho feito nos últimos anos: pensamentos destrutivos. Ainda os tenho, em abundância, mas já consigo criar um diálogo interno onde uma das vozes refuta o que a outra quase impõe. Tenho-me apercebido da má preparação que tenho para a vida, em geral, e de como me apetece, cada vez mais, sentir segura no meu canto, sem grandes complicações nem aventuras emocionais. Precisamente pela desordem que é a minha psique por si só. Considero-me uma pessoa controlada (ou simplesmente reservada ou, até mesmo, reprimida) até me ver confrontada com as emoções não controladas dos outros. Sei que não sou uma pessoa fácil e carrego um semblante por vezes pesado, negativo e introspectivo por me virar tanto para dentro e não me dar a conhecer e, creio que por esse motivo, as pessoas não compreendem a minha forma de desabafo. Acabo por me sentir mal e responsável por um ambiente pesado mesmo sabendo que existe tolerância para as "explosões" dos outros, fico, ainda assim, com a percepção de que as minhas são inaceitáveis.

Tenho o mau hábito do isolamento e deste é, igualmente, difícil de me esquivar principalmente quando traz calma e conforto. Sei que a médio e longo prazo é um hábito que mata mas é o meu prazer imediato. Isso e bolachas.

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14
Set21

Saber Viver

Pergunta original: Como posso reacender os meus princípios e começar a viver o presente?

Primeiro que tudo deixem-me que diga que tenho andado exausta... Muito trabalho, muito caos, pouco sono e pouca energia mental e psíquica. Diria que a minha energia vibra a uma frequência muita, bastante, baixa. E isto não é viver.

O que me leva, directamente, a este tema. Quando li esta pergunta tentei fazer, imediatamente, uma lista mental dos princípios que mais prezo. Deixei esta ideia a marinar, achei que a resposta iria por este caminho mas depois surgiu uma dúvida... E digam-me se isto acontece ou não convosco. Os meus princípios, vejo-os projectados nos outros, ou seja, quando penso no que me é mais importante e nas regras que regem (ou que deveriam reger) a minha vida, penso que os outros deveriam ser assim. Parto do princípio de que eu já me comporto dessa maneira e que coloco em acção tudo o que para mim é importante. Só que não... E é aqui que compreendo a importância e a pertinência da questão.

Porque só quando agimos de forma consciente, alinhados com os nossos princípios, é que conseguimos viver no presente. E, tirando um psicopata ou outro, todo o ser humano estima os mesmo princípios básicos que deveriam conduzir a sociedade à harmonia. E lá vou começar com a minha lenga-lenga de a Humanidade ser uma só e é muito mais aquilo que nos aproxima do que aquilo que nos separa. Isto a um nível espiritual e não material. As nossas preocupações e batalhas pessoais são as mesmas, só em fases diferentes da vida e se calhar, até, em intensidades desiguais.

Gosto muito que as pessoas sejam transparentes e que a comunicação flua. Mas sabemos que isso não é possível. Muita coisa é deixada por dizer por medo de ferir sentimentos de alguém que se encafua no quentinho do seu próprio ego e não é capaz de compreender que o mundo não gira à sua volta.

Sei que não vivo de acordo com alguns dos meus princípios. Limito-me a seguir as normas da sociedade e a fazer o que é suposto. Que vivo existo de forma pouco consciente já eu sabia, mas foi uma novidade perceber que parte do problema foi exactamente o abandono dos meus princípios.

daqui

02
Ago21

Livre Arbítrio

Pergunta original: Good or bad, high or low, do I still have choices?

Há uns anos uma amiga minha viu-se confrontada com a aparente incompatibilidade entre karma e o livre arbítrio e na questão de que se tudo nos está, realmente, predestinado, que impacto e diferença terão as escolhas que fazemos na nossa vida. Pois eu na altura estava mais preocupada com outros assuntos e pouca importância e atenção dei à sua divagação.

Hoje, apesar de já lhe ter dado um pouco mais de atenção, ainda é assunto que não me tira o sono nem sei se alguma vez me vai tirar. Acho que a nossa liberdade para fazer escolhas vai estar sempre condicionada pelas nossas crenças e expectativas mas não deixam de ser tomadas em pleno uso de liberdade uma vez que não nos são forçadas por terceiros.

Já o karma é outra história. E, apesar, de ligado à nossa livre escolha, é uma lei universal à qual ninguém escapa e, quando bem compreendida, nos é útil na tomada de escolhas mais conscientes para a nossa evolução. Mas, lá está! Isto é outra história.

É um tema complexo, abordado aqui de forma muito leve. Um click na imagem abaixo e encontrarão um artigo sobre o karma.

daqui

 

 

29
Mar21

A Beleza dos Detalhes

Pergunta original: Can I find grace and harmony in places others overlook?

Em 2018 viajei com uma pessoa que não conhecia. Tínhamos uma amiga em comum que viajou connosco e serviu de ponte entre os dois. Partilhávamos o mesmo gosto pela fotografia com a diferença de que ele se dedicava a essa arte de forma mais empenhada e era (e suponho que ainda seja) um hobby sério, quase profissional. Apesar de ter levado a sua máquina xpto, decidiu nunca a utilizar preferindo explorar o seu novo telemóvel.

Quando partilhou as suas fotografias connosco admirei a sua sensibilidade ao detalhe e a forma como o consegue captar na sua forma de fotografar. E muitas vezes são objetos que não vemos ou lugares por onde passamos e para onde não olhamos duas vezes.

Procuramos belezas óbvias e lugares cliché para nos sentirmos bem mas creio que a pergunta tem a intenção de nos fazer entender que podemos encontrar equilíbrio e bem estar no mundano. No comboio da linha de Cascais os lugares do lado costeiro são os que se ocupam primeiro. Ninguém quer olhar para paredes graffittadas nem para os empreendimentos em betão, muito menos para as casas degradadas.

Sei que vivemos uma era de adormecimento. Dá-nos demasiado trabalho olhar para algo feio e fazer um exercício de imaginação. Mas não mudaria a nossa compreensão do mundo?

Não sou grande fotógrafa apesar de gostar da arte, mas fica, para variar, uma foto tirada por mim.

IMG_20181214_204102.jpg

(...) baking bread splits in places and those cracks, while not intended in the baker’s art, catch our eye and serve to stir our appetite.

Marco Aurélio

08
Mar21

Faço alguma coisa com significado?

Pergunta original: Am I doing work that matters?

Não sabia nem me tinha apercebido que esta pergunta, que dá titulo a este post, deixou a sua marca no meu inconsciente e me acompanhou desde que criei o rascunho há mais de um mês atrás.

Escrevi e reescrevi, sem certeza de como começar nem desenvolver este tema. Sem conseguir pôr por escrito tudo o que me vem à cabeça sobre o que faço com a minha vida. Se posso fazer mais. Se sou boa pessoa. Não tanto pelo que os outros acharão de mim mas pela diferença que posso fazer. Se soa a cliché? Epá, soa mas não há outra forma de o explicar. Acredito que todos nós tenhamos um lado menos egoísta porque todos queremos deixar a nossa marca mas atrevo-me a dizer que não o querem pelas razões certas. Por certo quero dizer, por puro altruísmo e questiono-me se isso existirá realmente. Mas depois surge um problema na definição de certo porque, convenhamos, é um termo subjetivo.

Mas estou a desviar-me do assunto.

Não posso dizer que faça alguma coisa com significado, honestamente. O que é fazer algo com significado? Lá está... com certeza o conceito será diferente para cada pessoa. Acho que a minha ideia de fazer algo com significado é uma muito romântica, uma de mudar o mundo. Mas, já sei... podemos, efetivamente, mudar o mundo de uma pessoa de forma muito subtil sem ser preciso mover mundos nem fundos. Acredito, honestamente, num propósito único que liga toda a Humanidade e era esse tema que gostava de aprofundar e "apregoar" mas não sei muito bem como me envolver, nem onde.

Fazer algo com significado é ser humano. Nada mais simples e, paradoxalmente, mais complicado. A Prof.ª Helena Lúcia Galvão responde à eterna questão sobre o propósito da vida desta forma. O nosso propósito é sermos humanos.

daqui

08
Fev21

Que suposições não questiono?

Pergunta original: What assumptions have I left unquestioned?

Todas as manhãs, quando abro os olhos e a consciência retorna, suponho que não vale a pena.

Suponho que não mereço ser feliz.

Suponho que nunca vou ser saudável.

Suponho que eu seja insignificante.

Suponho que eu não tenha valor.

Suponho que eu seja incompetente.

Suponho que não vale a pena viver.

Suponho que mereço tudo o que (não) tenho.

Suponho que mereço este sofrimento, toda a solidão...

Às vezes suponho os preços errados quando os produtos estão fora do sítio.

É fácil aos outros dizerem-me que tenho de me ver de forma diferente e acreditar mais em mim. Mas como fazê-lo se não sei sê-lo. Nunca me foi ensinado a sê-lo? Onde se começa? Como posso ser algo que nunca fui nem nunca me foi mostrado?

Estas verdades, tão só e não só minhas, vêm de comparações, de perda de identidade, de crítica, de negatividade, de doença.

O meu pai comparava-nos muito com os outros. Ainda hoje o faz. Há uns meses atrás cortei contacto com quase toda a gente, especialmente duas amigas. Estar com elas não é mau. Torna-se um pesadelo quando volto para casa e me pergunto porque não posso ser como elas. Cheguei à conclusão que não me refiro ao que têm ou ao que são ou como são mas invejo-lhes, sim, a capacidade de amar, de oferecer a sua vulnerabilidade. Ao fim destes meses sei que sou eu a pessoa tóxica nas vidas dos outros. Sou eu que peço mais do que posso dar nas relações.

Faço parte de uma geração que ainda teve professores "da velha guarda". Castigos sem recreio, virados para a parede, alvos de comentários pessoais e pouco apropriados para um ambiente escolar, puxões de orelhas e chamados de burros bem alto aos nossos ouvidos, as reguadas... Há um ou dois anos recebi uma fotografia de uns textos que nós, miúdos de 9 e 10 anos, escrevemos à professora no final da escola primária. Devo confessar que fiquei chocada. A prostração é notável, na nossa escrita. Li algures que para cada comentário negativo que recebemos, são precisos 7 positivos para compensá-lo. Eu não me lembro de nem um, se foram feitos.

Não sei se foi neste blog se no que tive anteriormente que falei de Jacque Fresco e da sua teoria de que a depressão é, em grande parte, a falta de uma identidade própria, uma que não seja projetada em outras pessoas nem em profissões ou hobbies ou em objetos e posses. Pessoalmente, é algo que me faz bastante sentido mas cada um é como cada qual, com a sua experiência de vida e, nem todos nos revimos nas mesmas opiniões.

Segundo o neuro cientista Nick Hanson, a negatividade é consequência da nossa evolução. Com ela os nossos antepassados aprenderam a fazer decisões inteligentes em situações de alto risco. Com o tempo, a nossa - do Homem - estrutura cerebral adaptou-se a prestar mais atenção à informação negativa. Estudos realizados pelo psicólogo John Cacioppo, comprovam que a resposta do cérebro a estímulos negativos é muito maior em relação aos positivos. Para estar em harmonia com o título, suponho que estas explicações estejam relacionadas com a ansiedade e os modos fight, flight ou freeze.

Algo que aprendi na hotelaria e que uma chefe (por sinal, má chefe) nos martelava todos os dias é: never make assumptions.

Fonte 1, Fonte 2

daqui

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