Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

22
Jul21

O Que me Preocupa

O que me preocupa e terá importância daqui a três anos.

Aos 34 anos sinto que qualquer decisão importante será relembrada daqui a três anos. Seja em termos de emprego, de relações, de vida em geral. Estou solteira mas não me vejo passar o resto da vida sozinha, mas também não ando por aí a conhecer pessoas e, verdade seja dita, começo a ficar cansada delas, especialmente quanto mais me conheço e quanto mais confortável me sinto comigo mesma e me vou aceitando na minha estranheza.

Em relação a trabalho encontro-me ainda totalmente à deriva. Não tenho gosto no que vou fazendo, não consigo encontrar prazer nem utilidade nas tarefas nem nos empregos que vou empreendendo. É-me extremamente difícil integrar nas equipas e fazer parte das piadas e brincadeiras. E sei que isto se deve, apenas, ao meu estado interior de instabilidade. Vou-me moldando para fazer parte do puzzle mas traindo a minha essência.

Não me quero pintar em tons dramáticos mas a verdade é que vejo o fosso entre mim e os outros e a vida real cada vez maior. E depois fica a dúvida se serei eu ou outros que vivem na "matriz"...

Quero entrar na faculdade para o ano que vem, em pós laboral, por gosto, por gozo, para me ir estimulando. Não me preocupa tanto se consigo entrar, preocupa-me mais se consigo terminar e extrair aquilo que realmente quero.

Preocupa-me imenso o rumo que estamos a tomar - nós, sociedade. Preocupa-me esta tentativa de segregação que, devagarinho, se vai impondo entre "puros" e "impuros" e que, de mansinho, se aceita como sendo natural. E que dará lugar a uma maior divisão da Humanidade, como unidade. Preocupam-me as inúmeras formas que, cada vez mais, nos separam. A nós todos, que nos deveríamos unir. Preocupa-me o pensamento único e o pouco à vontade que vou sentindo em expressar e demonstrar as minhas opiniões. Preocupa-me a falta de capacidade que vejo de encaixarmos a ideia de que existem outros estilos de vida, outras formas de viver e ver a vida. Preocupa-me esta busca incessante e utópica por uma sociedade "perfeita", sem poluição, sem pobreza, sem doenças que tanta ansiedade cria.

Preocupa-me o facto de sentir que estou a ficar para trás. Sinto que tudo à minha volta avança a mil à hora e eu não estou capaz de acompanhar. Em termos de tecnologia, em termos de valores, de moda, de expressões e estilos de falar...

Apesar de ver uma maior preocupação com o nosso bem estar geral, principalmente no que respeita à sanidade mental, vejo muita individualidade e materialismo que acaba por ser contraproducente.

Em toda a honestidade, acabei de regurgitar muito do que me aflige, em silêncio, na minha cabeça. Apesar de ter este blog de forma anónima, sinto que começamos, verdadeiramente, a viver sob o olhar atento do Grande Irmão e não sou capaz de depositar a minha confiança nestas folhas digitais.

Juro, prometo...! Não estou sob influência do "1984". Está, simplesmente, a aumentar todas as minhas preocupações.

29
Jun21

Quais os Meus Medos

Aaaaaaaai.... os meus medos! São tantos que nem sei nomeá-los.

Na semana passada fiz um workshop de Inteligência Emocional. Apesar de a matéria não ter sido novidade para mim, foi bom praticar e relembrar técnicas de auto gestão. Isto, para dizer que o medo é uma das emoções base que regem a nossa vida e existe para nos alertar. Medo é, provavelmente, o sentimento mais predominante em mim. Já há algum tempo tomei consciência de que muito do meu discurso começa com "Tenho medo...". É algo bastante automático mas, por isso mesmo, reflecte bem a minha disposição em relação ao mundo e à vida. Sou um saco de medos andante e os que mais me limitam são os psicológicos (provavelmente como a maioria de nós), aqueles que vivem e se alimentam de outros medos e deixam de ter razão de existir.

Um medo que parece que tem vindo a piorar ao longo dos anos foi o medo de água, de mergulhar, de estar debaixo de água. Não sei (nunca aprendi) a suster nem a tamponar a respiração. Não sei mergulhar de forma nenhuma. Nunca aprendi a nadar embora saiba dar aos braços e saiba boiar (de barriga para cima sempre!) mas no momento em que me aperceba de que não tenho pé, entro em pânico. Quando frequentava aulas de hidroginástica ainda cheguei a pedir aulas individuais de natação mas a piscina acabou por fechar e... Covid.

Tenho medo de falhar porque nunca fui elogiada. Fui despedida duas vezes e pressionada a despedir-me uma vez. Não fui boa aluna, não tinha boas notas e os outros eram (e são) sempre melhores que eu. Tenho medo de tomar iniciativa porque não sei por onde começar nem se estou a começar pelo sítio certo. Qualquer crítica que me façam sinto-a sempre como destrutiva. Tenho medo de tomar decisões, de falar e dar opiniões. Tenho medo de conflito. Medo do desconhecido.

Há muitos medos, os mais profundos, que não consigo sequer compreender de onde vêm nem quais são. Tenho medo de nunca ser compreendida nem validada. Tenho medo de nunca sentir vitalidade. Tenho medo de intimidade. Muito medo.

Como posso ultrapassá-los? Não sei mas não será, com certeza, com uma varinha mágica. Este último ano foi imensamente útil para treinar os meus pensamentos e conseguir contestar toda a negatividade que me alimento. Talvez cada medo venha numa altura particular e estratégica da vida e aí teremos de encontrar formas de o enfrentar. Uma coisa que também aprendi é que não devemos fugir do medo. Devemos, sim, senti-lo e observá-lo sem deixar que tome conta de nós.

daqui

01
Jun21

Conselho a Mim Mesma

Se pudesse voltar atrás no tempo podia dar-me mil conselhos que nunca os seguiria... Não sei se sou só eu mas não me faz muito sentido seguir conselhos práticos dados pelos outros (o meu eu futuro já é outra pessoa) porque para os entendermos temos de, efetivamente, cometer os erros.

Se voltasse atrás no tempo e falasse comigo deixaria três recados.

1. Nunca dependas dos outros e segue sempre a tua intuição. Sempre procurei em demasia a aprovação dos outros. Não só para me sentir gente mas procurava, também, a pena dos outros. Queria que me reconhecessem como vítima das circunstâncias da minha vida. Queria que compreendessem que a forma como me comportava tinha uma razão de ser e que eu não tinha controlo sobre as minhas emoções e como conduzia a minha vida no dia a dia. Agora que estou bem "diagnosticada", compreendo a minha essência e sei como lidar com ela. Ainda assim não acordo a pensar nesse rótulo nem deixo que me defina. Não ajo como se me devessem pena nem trato diferenciado (espero, sim, compreensão dos que me são mais próximos).

Não esperes pela companhia dos outros para fazeres algo que queres muito. Vais sentir-te só mas no futuro não importará.

A minha curta vida já me ensinou por, pelo menos, três vezes, a seguir o meu primeiro instinto. A decisão não pensada. Essas três vezes não o segui e arrependi-me (e acho que ainda me arrependo). As decisões não tiveram efeitos imediatos mas revelaram-se muito dolorosas a médio e longo prazo.

2. Só a tua família próxima se interessa com o teu bem estar. Produto da minha busca por aprovação de terceiros, pus de lado a minha família. Lá tive os meus motivos, especialmente por achar que os dececionava a cada dia que passava. Na verdade são os únicos que fazem e farão de tudo, à sua maneira, para que tudo esteja bem comigo. Podem não o manifestar de forma "romântica" mas fazem-no da forma que sabem. Não significa que não tenho nem terei amigos que se importem contigo mas são laços de energias diferentes.

3. E, finalmente, daria um calduço a mim própria e diria para arriscar (ou não) sempre que a intuição mo sinalize. Arrisca porque os anos que se seguem são incertos e o caminho da estabilidade é uma miragem. Tenho uma ideia muito precisa de mim própria a procurar sempre o caminho mais simples e que me traga - ou penso que me trará - mais estabilidade e, por isso, não tenho arriscado muito.

 

daqui

12
Mai21

Lições de Vida

Não me parece que aos 34 anos tenha experiência suficiente para falar em lições de vida.

Confesso que fiz uma pesquisa rápida para alguma "inspiração" mas nada se adequou ao que já vivi e muitas das lições de vida que se podem ler por aí são pseudo frases inspiradoras e, para o comum mortal, não passam, na maioria das vezes, de pura miragem.

Assim, tendo em conta o momento presente, diria que uma das maiores lições da minha vida foi perceber que só a minha família próxima (pais e irmão) se importa realmente comigo. Apesar de sermos uma família unida de uma forma pouco saudável, são eles os únicos que se preocupam comigo sem esperar algo em retorno.

Outra lição é o facto de que açúcares refinados serem uma autêntica droga (à qual, infelizmente, não se dá a devida atenção) com consequências desastrosas não só para a saúde física como para a psicológica. Não sou seguidora da dieta paleolítica mas faço parte do grupo no Facebook mas já há bastante tempo que olho para rótulos antes de comprar o que quer que seja. É um hábito que se recomenda e encoraja no grupo pois um dos maiores objetivos é comer da forma mais limpa possível, i.e., sem conservantes nem corantes nem aditivos estranhos com os quais nem sequer sonhamos. Somos o que comemos e bons hábitos têm de vir de infância. A minha mãe sempre gostou de doces e nunca nos privou enquanto crianças e hoje em dia tenho noção do meu vício e quão difícil é ver-me livre dele, embora sinta que esteja mais contida com a idade. Existem provas da relação entre a nossa flora intestinal e a saúde mental, e os açúcares presentes em muito do que comemos influencia de forma nefasta essa relação.

E finalmente... não querer saber o que os outros pensam de mim tem sido bastante libertador nos últimos anos, ainda que não consiga aplicar a toda a gente (especialmente à minha família próxima por medo de desiludi-los). Mas, cada vez mais, dou por mim a não querer saber se os outros irão gostar de mim ou não. Tenho noção de às vezes parecer e soar um pouco louca nas minhas atitudes e nas minhas palavras mas as pessoas à minha volta têm sido como nuvens. Passageiras. E, em tom de segredo, convenhamos, cada um está preocupado com o seu próprio umbigo. Podemos dar importância a algo por uns minutos ou até algumas horas mas, se não nos afecta e se não nos deixamos afectar por algo, esquecemos e voltamos aos nossos pensamentos sobre a nossa vida. Não sei se isto fez algum sentido... 

Não posso esquecer de mencionar algo que aprendi e que, realmente, me transformou: não julgar os outros. Cada um é como cada qual e não me cabe a mim fazer juízos de valor. Aprendi a aceitar e ver a importância da minha insignificância. Acho que cada pessoa aprenderá o que tiver de aprender, na verdade. Não há uma receita que se aplique a todos.

Há um pensamento, um tanto mórbido, que me ajuda a retirar importância às coisas mundanas: quando morrermos nada do que é material importará. Mas é necessário um exercício constante e persistente para o interiorizar porque a minha ansiedade não desaparece por nada... Os medos estão sempre presentes mesmo que adormecidos e têm sempre influência em tudo o que faço.

daqui

03
Mai21

Quais São Os Meus Valores?

Uma das minhas aulas de filosofia foi dedicada a Confúcio. E logo no início foi-nos perguntado se conhecíamos alguma frase conhecida que lhe é atribuída nos dias de hoje. Ninguém soube e, acho que falo por todos, foi com algum espanto quando "Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti" era a frase que se esperava ser proferida por algum dos alunos.

Na minha primeira escola, que frequentei dos 3 aos 9 anos, lembro-me de ver esta frase afixada em letras garrafais na fronte envidraçada do edifício principal. E trago-a comigo desde então. Contudo, já fui criança e já fui adolescente e nem sempre a apliquei. E sou humana. Apesar disto, sempre fui uma pessoa de choro fácil e, por isso, alvo de chacota e sei o que magoa tentando, quanto me é possível, aplicar esta máxima no meu dia a dia.

De resto, procuro em mim e nos outros aqueles valores generalistas que todos procuramos. Honestidade e autenticidade. Gosto de pessoas que se conhecem bem e procuram ser melhores. Humildade. Um sincero sentido de altruísmo e justiça. Responsabilidade.

Ajudem-me! Quem dá mais?! 

daqui

30
Abr21

Pelo Que Mais Estou Grata na Vida?

Por toda e qualquer oportunidade que me tenham dado quando menos esperei. Quando menos pensei merecer. 

Já falei por aqui do meu desagrado em relação à forma tão desvirtuada e leviana com que se tem proferido a palavra "gratidão" nestes últimos anos. Esta vaga de diários feitos em cima do joelho sem qualquer intenção e comentários nas redes sociais.

Mentiria a mim própria se dissesse que todos os dias agradeço por aquilo que tenho e dou por garantido. Nunca tive de as questionar e sei que sempre tive uma rede de segurança para qualquer possível queda. É-nos mais fácil analisar a nossa condição quando nos comparamos àqueles que se encontram em pior situação e, mesmo aí, encolhemos os ombros, movemos as sobrancelhas para expressar algum tipo de sentimento que nunca, ou raramente, é agradecimento.

Diria que sentimos agradecimento de duas formas possíveis: uma rápida, instantânea quando menos estamos à espera como uma resposta emocional a um gesto ou ação. E há a gratidão que se desenvolve e cresce em nós ao longo do tempo, com maturidade, quando temos empatia e conhecimento suficiente para agradecer os menores e mais importantes detalhes.

Não sei... É assim que o vejo. Não sei se vos faz sentido.

IMG_20210430_202120.jpg

Foto minha de uma pedrinha que trago sempre comigo na carteira. Há bocado fui contar os meus trocos e a pedra caiu na cama e percebi que é um símbolo para gratidão. Já a outra dizia que não existem coincidências!

29
Abr21

O Que Me Apaixona?

Um amigo meu que faleceu há uns anos dizia que eu sou uma pessoa apaixonada. Até pelos meus ódios. Eu tenho imensos interesses, incluindo ódios de estimação, mas não sei se alguma coisa me apaixona e nem sei como isso se descobre nem como me faria sentir.

Ontem, em conversa com uma pessoa, desabafava sobre o meu atual desnorte e falta de visão. Em como as gerações mais novas tiveram demasiadas opções. Ele aconselhou-me a olhar para o passado e relembrar o que me fazia sentir bem. Não quis ser demasiado negativa e não respondi o que realmente pensei mas, enquanto criança, na escola, gostava de jogar à apanhada, fazer o pino e a roda, jogar vólei, sempre falei muito e era muito ativa fisicamente. Mas em casa era o total oposto. Como passava muito tempo em casa, sozinha, via muita televisão mas não os programas dos canais generalistas... Via imensos filmes que o meu irmão gravava, vídeos de música que me emprestavam em VHS porque eu não tinha TV Cabo nem Internet, cantava no meu "microfone/escova de cabelo" , brincava com Barbies, gravava músicas em cassete a partir da rádio para poder ouvir e escrever as letras. Foi assim que comecei a aprender inglês... Quando comecei a ficar mais velha, costumava vestir a roupa da minha mãe. Fazia imensos bolos... Lia.

De que forma posso profissionalizar isto?! 

Hoje em dia gosto de andar de bicicleta apesar de não ter uma, gosto de caminhar, de ler (especialmente agora que me embrenhei num assunto que tanto me interessa). Tenho feito os meus trabalhos manuais. A criatividade é muito importante na nossa vida e deve ser canalizada de que forma for e vou procurando novas formas de criação para não a deixar esmorecer. Adoro animais e até já procurei cursos de técnica veterinária (mas não vejo muita saída).

Acredito que haja algo que me apaixona mas se calhar só não sei identificar essa paixão e como se manifesta. Também levei o assunto para um plano profissional porque estou mesmo numa encruzilhada e acho que nem no 9º e 12º anos me senti tão perdida para escolher um caminho.

imagem daqui

Mais sobre mim

Fórum Saúde Mental Portugal

A Ler

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D