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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

29
Mar21

A Beleza dos Detalhes

Pergunta original: Can I find grace and harmony in places others overlook?

Em 2018 viajei com uma pessoa que não conhecia. Tínhamos uma amiga em comum que viajou connosco e serviu de ponte entre os dois. Partilhávamos o mesmo gosto pela fotografia com a diferença de que ele se dedicava a essa arte de forma mais empenhada e era (e suponho que ainda seja) um hobby sério, quase profissional. Apesar de ter levado a sua máquina xpto, decidiu nunca a utilizar preferindo explorar o seu novo telemóvel.

Quando partilhou as suas fotografias connosco admirei a sua sensibilidade ao detalhe e a forma como o consegue captar na sua forma de fotografar. E muitas vezes são objetos que não vemos ou lugares por onde passamos e para onde não olhamos duas vezes.

Procuramos belezas óbvias e lugares cliché para nos sentirmos bem mas creio que a pergunta tem a intenção de nos fazer entender que podemos encontrar equilíbrio e bem estar no mundano. No comboio da linha de Cascais os lugares do lado costeiro são os que se ocupam primeiro. Ninguém quer olhar para paredes graffittadas nem para os empreendimentos em betão, muito menos para as casas degradadas.

Sei que vivemos uma era de adormecimento. Dá-nos demasiado trabalho olhar para algo feio e fazer um exercício de imaginação. Mas não mudaria a nossa compreensão do mundo?

Não sou grande fotógrafa apesar de gostar da arte, mas fica, para variar, uma foto tirada por mim.

IMG_20181214_204102.jpg

(...) baking bread splits in places and those cracks, while not intended in the baker’s art, catch our eye and serve to stir our appetite.

Marco Aurélio

08
Mar21

Faço alguma coisa com significado?

Pergunta original: Am I doing work that matters?

Não sabia nem me tinha apercebido que esta pergunta, que dá titulo a este post, deixou a sua marca no meu inconsciente e me acompanhou desde que criei o rascunho há mais de um mês atrás.

Escrevi e reescrevi, sem certeza de como começar nem desenvolver este tema. Sem conseguir pôr por escrito tudo o que me vem à cabeça sobre o que faço com a minha vida. Se posso fazer mais. Se sou boa pessoa. Não tanto pelo que os outros acharão de mim mas pela diferença que posso fazer. Se soa a cliché? Epá, soa mas não há outra forma de o explicar. Acredito que todos nós tenhamos um lado menos egoísta porque todos queremos deixar a nossa marca mas atrevo-me a dizer que não o querem pelas razões certas. Por certo quero dizer, por puro altruísmo e questiono-me se isso existirá realmente. Mas depois surge um problema na definição de certo porque, convenhamos, é um termo subjetivo.

Mas estou a desviar-me do assunto.

Não posso dizer que faça alguma coisa com significado, honestamente. O que é fazer algo com significado? Lá está... com certeza o conceito será diferente para cada pessoa. Acho que a minha ideia de fazer algo com significado é uma muito romântica, uma de mudar o mundo. Mas, já sei... podemos, efetivamente, mudar o mundo de uma pessoa de forma muito subtil sem ser preciso mover mundos nem fundos. Acredito, honestamente, num propósito único que liga toda a Humanidade e era esse tema que gostava de aprofundar e "apregoar" mas não sei muito bem como me envolver, nem onde.

Fazer algo com significado é ser humano. Nada mais simples e, paradoxalmente, mais complicado. A Prof.ª Helena Lúcia Galvão responde à eterna questão sobre o propósito da vida desta forma. O nosso propósito é sermos humanos.

daqui

06
Mar21

O Melhor Ano da Minha Vida

Vi este desafio da abelha e senti um dever em escrever sobre o melhor ano da minha vida.

Podia dividir este post em duas partes: o melhor ano que já tive e o melhor ano que ainda está para vir.

O melhor ano da minha vida foi, com toda a certeza, qualquer um antes dos meus 10 anos. Total despreocupação e completo egocentrismo. Era extrovertida, tinha amigos e acima de tudo e, apesar de tudo, espaço para ser eu mesma.

Hoje, acredito que os meus melhores anos ainda estão por vir. Ainda vou voltar a sentir-me bem comigo mesma e aceitar-me a 100%. No meu melhor ano não vou prostrar-me aos meus medos, não vou hesitar nem desistir diante de frustrações. Vou aprender a ser mais assertiva e ter-me em conta, a mim e às minhas necessidades, nas decisões que tomar. Quero e vou domar estas tantas emoções que se me infiltram e se propagam diariamente e que tornam atividades tão mundanas em prisões mentais.

Best is yet to come and babe won't that be fine
You think you've seen the sun
But you ain't seen it shine

The Best Is Yet To Come, Cy Coleman

Frank Sinatra

daqui

08
Fev21

Que suposições não questiono?

Pergunta original: What assumptions have I left unquestioned?

Todas as manhãs, quando abro os olhos e a consciência retorna, suponho que não vale a pena.

Suponho que não mereço ser feliz.

Suponho que nunca vou ser saudável.

Suponho que eu seja insignificante.

Suponho que eu não tenha valor.

Suponho que eu seja incompetente.

Suponho que não vale a pena viver.

Suponho que mereço tudo o que (não) tenho.

Suponho que mereço este sofrimento, toda a solidão...

Às vezes suponho os preços errados quando os produtos estão fora do sítio.

É fácil aos outros dizerem-me que tenho de me ver de forma diferente e acreditar mais em mim. Mas como fazê-lo se não sei sê-lo. Nunca me foi ensinado a sê-lo? Onde se começa? Como posso ser algo que nunca fui nem nunca me foi mostrado?

Estas verdades, tão só e não só minhas, vêm de comparações, de perda de identidade, de crítica, de negatividade, de doença.

O meu pai comparava-nos muito com os outros. Ainda hoje o faz. Há uns meses atrás cortei contacto com quase toda a gente, especialmente duas amigas. Estar com elas não é mau. Torna-se um pesadelo quando volto para casa e me pergunto porque não posso ser como elas. Cheguei à conclusão que não me refiro ao que têm ou ao que são ou como são mas invejo-lhes, sim, a capacidade de amar, de oferecer a sua vulnerabilidade. Ao fim destes meses sei que sou eu a pessoa tóxica nas vidas dos outros. Sou eu que peço mais do que posso dar nas relações.

Faço parte de uma geração que ainda teve professores "da velha guarda". Castigos sem recreio, virados para a parede, alvos de comentários pessoais e pouco apropriados para um ambiente escolar, puxões de orelhas e chamados de burros bem alto aos nossos ouvidos, as reguadas... Há um ou dois anos recebi uma fotografia de uns textos que nós, miúdos de 9 e 10 anos, escrevemos à professora no final da escola primária. Devo confessar que fiquei chocada. A prostração é notável, na nossa escrita. Li algures que para cada comentário negativo que recebemos, são precisos 7 positivos para compensá-lo. Eu não me lembro de nem um, se foram feitos.

Não sei se foi neste blog se no que tive anteriormente que falei de Jacque Fresco e da sua teoria de que a depressão é, em grande parte, a falta de uma identidade própria, uma que não seja projetada em outras pessoas nem em profissões ou hobbies ou em objetos e posses. Pessoalmente, é algo que me faz bastante sentido mas cada um é como cada qual, com a sua experiência de vida e, nem todos nos revimos nas mesmas opiniões.

Segundo o neuro cientista Nick Hanson, a negatividade é consequência da nossa evolução. Com ela os nossos antepassados aprenderam a fazer decisões inteligentes em situações de alto risco. Com o tempo, a nossa - do Homem - estrutura cerebral adaptou-se a prestar mais atenção à informação negativa. Estudos realizados pelo psicólogo John Cacioppo, comprovam que a resposta do cérebro a estímulos negativos é muito maior em relação aos positivos. Para estar em harmonia com o título, suponho que estas explicações estejam relacionadas com a ansiedade e os modos fight, flight ou freeze.

Algo que aprendi na hotelaria e que uma chefe (por sinal, má chefe) nos martelava todos os dias é: never make assumptions.

Fonte 1, Fonte 2

daqui

03
Fev21

Estou no caminho certo ou a desviar-me?

Pergunta original: Am I staying the course or being steered away?

Estou longe do caminho certo e só pode ser porque me desvio dele. Aliás! Não estou longe porque o vejo. Caminho em paralelo àquele que penso ser o correto. Estou no errado, porque tomo as decisões erradas. E é mesmo assim que me tenho sentido desde sempre. A tomar as decisões erradas. E, se estou no caminho certo, é bom que haja uma espécie de Santo Graal algures na jornada ou no seu fim porque ninguém merece tamanha aflição.

Invejo as pessoas que têm uma vida normal. Quem, aos 24 vive com o/a namorado/a que tem há 6 anos, que tem um emprego que o/a satisfaz o suficiente, que passam férias na praia com os amigos e têm vida social.

Não sei se nasci assim porque já não me lembro de ser diferente, mas acho que vim ao mundo sem a capacidade de sentir coisas boas, positivas. As escolhas que tenho feito só me trazem mais dor, mais frustração, deceção e cada vez menos esperança. Vejo os anos passarem cada vez mais rápido sem qualquer alteração. Nos dois últimos anos tenho trabalhado para algum tipo de mudança mas para cada passo que dou, sou empurrada, violentamente, para trás, como se os meus pés estivessem bem assentes na terra e o meu corpo fosse sovado pela vida. Uma espécie de saco de boxe de mim própria e das minhas consequências.

Já comentei por aqui diversas vezes que tenho uma família disfuncional, pouco harmónica, uma ligação kármica com certeza e, mesmo sentindo a sua influência negativa até à mais ínfima parte de mim, estou-lhe demasiado ligada e parece impossível libertar-me do impacto nefasto que teve em mim. Não tenho liberdade financeira para sair de casa, não tenho liberdade para ser eu. Tenho tanto para dizer e tantas contas a ajustar...

daqui

18
Jan21

O que me chateia?

Pergunta original: What jerks me around?

Vi-me grega para arranjar uma definição de jerk around... Mas acho que o termo inclui transtorno, perda de tempo, irritação, ilusão e engano.

Acho que todos nós temos um rol de coisas que nos tiram do sério. Que nos deixam tristes e dececionados.

Marco Aurélio dizia que quando nos deparamos com a falta de vergonha dos outros, devemos perguntar-nos se será possível um mundo onde não exista falta de vergonha? A resposta é clara. Não! Quando tinha de lidar com uma pessoa menos aprazível, repetia para ele próprio que tinha de haver pessoas idiotas no mundo e que aquela pessoa era uma delas.

Daqui

Com certeza já todos nós lidámos com alguém que, pela nossa perspetiva, era um(a) total idiota. Eu, por exemplo, considero-me uma pessoa calma. Odeio conflito. E acho que, por viver tão fechada na minha bolha, seja um alvo fácil para a maldade dos outros. Já ouvi comentários extremamente maldosos mas a história do Marco Aurélio lembra-me de uma pessoa com quem trabalhei que, acredito, seja boa pessoa mas era muito desagradável e preconceituosa. Tecia comentários maliciosos e desnecessários em relação a tudo. Tinha opinião para tudo com base em fundamentos tendenciosos e deixava-me super desconfortável ao ponto de não conseguir ter conversa nem olhar-lhe nos olhos enquanto subíamos, sozinhas, no elevador do piso -3 ao piso 9.

Há uns anos atrás trabalhei com uma pessoa que dizia o que, simplesmente, lhe apetecia. Um dia chateei-me e disse-lhe umas tantas verdades e deixou de me falar. Evitava-me até em situações profissionais onde tínhamos de interagir. Até um dia (aleluia!) me cheguei ao pé dele e lhe disse "então achas que me podes dizer o que quiseres e não aceitas o que tenho para te dizer?!" e a nossa relação melhorou. E já tive pessoas a dizerem-me que sou má pessoa e que ninguém gosta de mim.

Numa altura em que estava sob muita pressão e comecei a descobrir algumas histórias íntimas entre membros da minha equipa e em como estas relações eram usadas para benefícios em ambiente laboral, passei-me e contei a várias pessoas sobre uma história em particular. Lancei um boato e deixei o rastilho arder.

Existem boas e más pessoas por todo o lado. E faz bem recordar que, todos nós, a dada altura da nossa vida, já fomos os dois.

 Daqui

daqui

10
Nov20

Origem do Desequilíbrio

Pergunta Original: What Are Sources of Unsteadiness in my Life?

A instabilidade é sempre criada pelo exterior e sou eu que a nutro e que, sem querer, a encorajo a crescer. Não acho que sentiria desequilíbrio se não tivesse contacto com o mundo exterior. Tendo em conta aquilo que eu acho que me desequilibra. Não tenho uma vida muito agitada o que, pela lógica do último post, me torna rígida, pouco fluida e maleável e, por isso, mais desequilibrada.

Considero que a maior fonte de desequilíbrio na minha vida é a tentativa de prever o futuro a toda a hora. Prever ou tentar controlar. Simplesmente porque sinto que já perdi imenso até aqui e que não me posso dar ao luxo de perder ou não chegar a experienciar mais. Vivo desde os 15 com depressão, numa época em que o assunto estava tão próximo de se tornar um dos problemas de saúde mais preocupantes e mais falados em todo o mundo. Parece que a ajuda que precisei quando tinha 15 anos veio demasiado tarde para mim.

daqui

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