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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

18
Jan21

O que me chateia?

Pergunta original: What jerks me around?

Vi-me grega para arranjar uma definição de jerk around... Mas acho que o termo inclui transtorno, perda de tempo, irritação, ilusão e engano.

Acho que todos nós temos um rol de coisas que nos tiram do sério. Que nos deixam tristes e dececionados.

Marco Aurélio dizia que quando nos deparamos com a falta de vergonha dos outros, devemos perguntar-nos se será possível um mundo onde não exista falta de vergonha? A resposta é clara. Não! Quando tinha de lidar com uma pessoa menos aprazível, repetia para ele próprio que tinha de haver pessoas idiotas no mundo e que aquela pessoa era uma delas.

Daqui

Com certeza já todos nós lidámos com alguém que, pela nossa perspetiva, era um(a) total idiota. Eu, por exemplo, considero-me uma pessoa calma. Odeio conflito. E acho que, por viver tão fechada na minha bolha, seja um alvo fácil para a maldade dos outros. Já ouvi comentários extremamente maldosos mas a história do Marco Aurélio lembra-me de uma pessoa com quem trabalhei que, acredito, seja boa pessoa mas era muito desagradável e preconceituosa. Tecia comentários maliciosos e desnecessários em relação a tudo. Tinha opinião para tudo com base em fundamentos tendenciosos e deixava-me super desconfortável ao ponto de não conseguir ter conversa nem olhar-lhe nos olhos enquanto subíamos, sozinhas, no elevador do piso -3 ao piso 9.

Há uns anos atrás trabalhei com uma pessoa que dizia o que, simplesmente, lhe apetecia. Um dia chateei-me e disse-lhe umas tantas verdades e deixou de me falar. Evitava-me até em situações profissionais onde tínhamos de interagir. Até um dia (aleluia!) me cheguei ao pé dele e lhe disse "então achas que me podes dizer o que quiseres e não aceitas o que tenho para te dizer?!" e a nossa relação melhorou. E já tive pessoas a dizerem-me que sou má pessoa e que ninguém gosta de mim.

Numa altura em que estava sob muita pressão e comecei a descobrir algumas histórias íntimas entre membros da minha equipa e em como estas relações eram usadas para benefícios em ambiente laboral, passei-me e contei a várias pessoas sobre uma história em particular. Lancei um boato e deixei o rastilho arder.

Existem boas e más pessoas por todo o lado. E faz bem recordar que, todos nós, a dada altura da nossa vida, já fomos os dois.

 Daqui

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10
Nov20

Origem do Desequilíbrio

Pergunta Original: What Are Sources of Unsteadiness in my Life?

A instabilidade é sempre criada pelo exterior e sou eu que a nutro e que, sem querer, a encorajo a crescer. Não acho que sentiria desequilíbrio se não tivesse contacto com o mundo exterior. Tendo em conta aquilo que eu acho que me desequilibra. Não tenho uma vida muito agitada o que, pela lógica do último post, me torna rígida, pouco fluida e maleável e, por isso, mais desequilibrada.

Considero que a maior fonte de desequilíbrio na minha vida é a tentativa de prever o futuro a toda a hora. Prever ou tentar controlar. Simplesmente porque sinto que já perdi imenso até aqui e que não me posso dar ao luxo de perder ou não chegar a experienciar mais. Vivo desde os 15 com depressão, numa época em que o assunto estava tão próximo de se tornar um dos problemas de saúde mais preocupantes e mais falados em todo o mundo. Parece que a ajuda que precisei quando tinha 15 anos veio demasiado tarde para mim.

daqui

09
Nov20

Onde Encontrar Estabilidade

Pergunta Original: Where Can I Find Steadiness?

É difícil não pensar de imediato na estabilidade física ou material. Todos queremos um teto sob o qual dormir confortavelmente, saúde, um trabalho que nos pague o suficiente para comermos e fazermos a nossa vida e se formos felizes nesse trabalho, melhor ainda! Queremos estar rodeados de pessoas de quem gostamos e que nos façam sentir bem, constituir família, fazer férias, sentir paz interior. Mas queremos sempre a paz interior que origina no exterior. E feliz de quem consegue e tem tudo isto.

No meu caso particular, sinto as fundações do meu ser bem apodrecidas e prestes a ruir a qualquer momento. Um pouco como as estacas que sustêm Lisboa (aproveito para aconselhar a todos uma visita às galerias subterrâneas da capital quando vos for possível). Não tenho competências para as reparar. As minhas. As de Lisboa também não. Nem sei como aprender nem por onde começar. Desde sempre me sinto bastante fora de sítio, como se não me encaixasse em lado nenhum, à semelhança de um António Variações em "Estou bem, Aonde Não Estou".

Encontrei um artigo, exatamente sobre esta questão, que acerta na mouche. A única constante na vida é a mudança e é, por isso, impossível mantermo-nos estáveis. Pelo menos por um longo período de tempo. A estabilidade ou o sentimento dela vem da ação ou do aproveitamento do desequilíbrio natural da vida para procurar formas de equilíbrio.

Diria que a estabilidade vem com a idade, com a sabedoria que só a experiência de vida nos dá.

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02
Nov20

Sobre Mim

Pergunta #1

Gostamos de ouvir histórias de vida com muita aventura e episódios caricatos. Humor, drama, tramas, paixões, amores e desamores... Não tenho grandes feitos para contar mas tenho alguns demónios a exorcizar. I's que precisam de pontos. Ideias postas no seu lugar.

O meu nome é Inês e não faço ideia porque foi escolhido para mim. Correu, a dada altura, um rumor que o meu pai me queria chamar Gioconda (como a senhora do quadro famoso) mas pode ter sido só a brincar. Ninguém diria tendo em conta a sua expressão sempre sisuda.

daqui

O meu nome é de origem grega e significa "pura" ou "pureza". Nunca consegui compreender estes significados e características mas são tão generalistas que acabam por ser de tamanho único. Serve a toda a gente. Destaco, ainda assim, as seguintes:

* "personalidade adversa à imprevisibilidade e a desavenças". Odeio conflito. Só a ideia de ter de confrontar alguém e saber que a coisa não me será muito favorável e terei de me impor, faz-me suar, tremer e falhar a voz. Paradoxalmente, sei que me posso tornar facilmente uma pessoa conflituosa embora seja algo que esteja a acalmar com a idade. Quanto à imprevisibilidade, depende muito do que for e quando acontece, mas regra geral gosto de planos concretos e de seguir regras pré estabelecidas. É mais seguro, está mais sob controlo.

* "Quando necessário, dá bom uso aos seus dotes pacificadores e diplomáticos na expectativa de criar um ambiente harmonioso à sua volta. Por outro lado, esta necessidade de se dar bem com todos e de evitar o conflito, podem torna-la numa pessoa facilmente influenciável e dependente da aprovação de terceiros, características menos positivas que devem ser contrariadas desde cedo." Lembro-me de me meter entre lutas na escola enquanto miúda, para as parar. Nunca compreendi a passividade perante estas situações. Esta necessidade de me dar bem com todos tem, também, a ver com a curiosidade em ouvir todas as versões e pontos de vista. É óbvio que me influenciam mas começo a saber distanciar-me e a criar as minhas opiniões de acordo com os meus valores.

* "A necessidade de agradar pode dar origem a grandes flutuações de humor e de sentimentos." Acho que uma grande maioria de nós tem necessidade de agradar. Não sei se isto está mesmo diretamente relacionado com as minhas flutuações de humor mas elas estão cá e fazem-se sentir, tal como a torrente de emoções e sentimentos quase sempre presentes.

Enquanto revejo uma última vez este post reparo, também, na minha necessidade de me explicar. A mim e aos meus modos.

21
Out20

Se não controlo o que me acontece, o que me resta?

Pergunta original: If I don't control what happens to me, what is left?

Considero-me uma control freak, mas com depressão. Uma mistura de vontade de querer controlar e fazer tudo com o desleixo e o deixa andar a que a depressão me obriga.

daqui

Já fiz esta reflexão antes. Sobre o que posso e não posso controlar. Tenho uma noção muito recente desta minha necessidade de controlo e da forma rígida com que me faz ver e viver a vida. Tive muito pouco controlo sobre a minha vida enquanto cresci. Foi-me dada responsabilidade sobre mim mesma desde muito cedo mas a liberdade não veio no mesmo pacote. E a liberdade a que me refiro não é, necessariamente, a física. Foi, acima de tudo, a liberdade para ser eu que me foi barrada. Fui reprimida por grande parte das pessoas à minha volta. Tanto na escola como em casa. Em casa reprimia os meus sentimentos e a minha extroversão, na escola era chamada à atenção e era gozada por ser emotiva e impulsiva. Devagarinho fui mirrando e hoje em dia aquilo que mais domino é não ser eu, apesar de esta tendência estar a diminuir.

Não será surpreendente perceber que a necessidade que temos de controlo está muito ligada a ansiedade, a este estado constante de alerta.

Mas o que nos resta, então, se sabemos que não podemos controlar tudo o que nos acontece?

Conheci uma pessoa em particular cuja vida invejo. Mas a inveja boa que eu cá não sou pessoa de destilar veneno. Quando o conheci e nos fomos conhecendo mais a fundo, fiquei fascinada como vive a vida dele para cada minuto presente. Faz mil e uma atividades, nunca está parado e tenta sempre superar-se a cada coisa que faz. Cheguei a projetar a minha inveja nele e achar que me estava a apaixonar. Mas quando escavei um bocadinho mais e comecei a ver a pedra em bruto que estava debaixo de tantas camadas de areia, percebi as verdadeiras razões que nos levam a comportar como comportamos. Esse comportamento vai depender da educação e dos valores que recebemos e que trazemos connosco. Este amigo temporário que tive sempre esteve rodeado de amigos e tem uma família numerosa muito unida. Sofreu um desgosto amoroso que o fez sentir solidão pela primeira vez e, apesar da vida calma e relaxada que tem, é incapaz de adormecer no silêncio total.

N"o que me resta?" é que está a parte mais difícil. Resta-me relaxar e ir com a brisa. A questão é que a minha brisa está deprimida e, não só não vai a lado nenhum, como não me deixa fazer nada.

14
Out20

Quais os meu Vícios?

Pergunta original: What Am I Addicted To?

Para além de açúcar... Sou viciada em pensamentos. Sou viciada em encravar e ficar num círculo vicioso de pensamentos.

E os vícios deveriam dar um kick de bem estar mas este não. Este não só não me faz sentir bem como me destrói tanto como outros vícios. E nunca permite uma pausa. Os pensamentos são constantes. Desde o momento em que acordo até aos últimos segundos em que estou acordada. E não me deixam adormecer rápida e descansadamente.

Sou viciada em pensamentos que me perturbam. Aqueles que apenas são memórias e despoletam os "devias ter feito" e os "devias ter dito". Fico a pensar como a minha vida teria sido bem mais diferente. E quando o passado não me assombra, o futuro preocupa. "Se isto acontecer" ou "se não acontecer", faço mil e um planos para ter a certeza de que tenho tudo controlado. Como se este desassossego não bastasse, até em sonhos me agito. Vejo pessoas do passado que comentam a minha vida e se riem às minhas custas, sou atormentada por cheias de águas sujas e visitada por sombras que me fitam do canto do meu quarto. Mas o pior tipo de pensamentos que tenho são os de teor imaginário. Os que não são úteis. Não me deixam avaliar o passado que foi real nem planear o futuro.

Já mencionei por aqui que sou um sentir humano e esta faculdade de sentir demais reflete-se no meu pensamento compulsivo. Penso o que sinto e sinto o que penso. Sou o que penso.

Num tom mais informativo, uma pessoa tem entre 60,000 e 80,000 pensamentos por dia, dos quais a grande maioria são inúteis. Raros são os pensamentos originais e que nos elevam.

Leitura

You are not a helpless victim of your own thoughts, but rather a master of your mind.

Louise Hay                        

daqui

05
Out20

Como posso manter a minha mente limpa?

Pergunta original: How Can I Keep My Mind Clear From Pollution?

Suponho que o objetivo da meditação seja esse. Ou algo do género.

daqui

Para mentes macacas como a minha, manter-me ocupada não funciona. Não há forma de ter pensamentos mais saudáveis ou menos intrusivos. Se me concentro em algo que não necessita de usar palavras ou pensamentos concretos, sou levada por memórias e revivo momentos dolorosos e assuntos inacabados.

Sou muito mais disciplinada com exercícios físicos, não tanto com a minha mente pelo que serei a pessoa menos indicada para falar do assunto. Há uns anos conseguia por breves segundos manter a mente limpa concentrando-me apenas no ar a entrar e a sair do meu nariz. Imaginava um plano fechado das minhas próprias narinas e os pelos a mexerem ligeiramente com o movimento do ar.

Se pensarmos bem, manter a mente limpa é um trabalho contínuo consciente que se torna inconsciente. Tal como a respiração diafragmática. Se já consigo controlar melhor a minha respiração, o mesmo não posso dizer da mente. E creio que qualquer pessoa que leia isto confirma que é um exercício extremamente difícil para as vidas que seguimos hoje em dia. Vivemos num caos mental e não conseguimos calar a nossa vozinha interior. Quando estou desesperadamente assoberbada com barulho interior e exterior, entro em curto circuito. Como introvertida, esta confusão retrai-me e dava tudo para ser um caracolinho.

Buddha dizia que a mente macaca é como ter na nossa cabeça uma árvore com muitos ramos. Os nossos pensamentos são macacos que discutem e saltam de ramo em ramo, atrás uns dos outros. Podemos dedicar meia hora do nosso dia a essas nossas inquietações e transpô-las para papel. Outra forma de "sair da nossa cabeça", é sair de casa. Os barulhos e todas as informações sensoriais exteriores, preferencialmente da natureza, fazem com que a nossa atenção se vire para fora. Uma dica que me ajuda em períodos mais difíceis é falar com os meus pensamentos. Não os nego. Simplesmente os deixo "falar" mas respondo quando sei que não têm razão.

Tenho um teste para fazer daqui a menos de 24 horas cuja matéria pouco me interessa e não me apetece estudar! Deixo-vos este link com mais informação.

Deixem os macacos viver!

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