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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

15
Fev21

Reta Final

Estou na reta final do meu curso. Não acredito que 5 meses se passaram em 5 minutos. E se no início achei que, provavelmente, não me levaria a lado nenhum, hoje já começo a ver alguma luz ao fundo do túnel e a minha tão aguardada rescisão com o mundo da hotelaria.

Ainda falta uma etapa muito importante e, sem dúvida, A MAIS importante. E é, precisamente, nesta altura que me estou a desmotivar e todas as minhas dúvidas e descrenças se destacam como azeite da água. Será que vou passar com distinção? Será que vou conseguir uma oportunidade para, sequer, terminar a última etapa. Será que vou conseguir fazer este tipo de trabalho? Acima de tudo, será que eu aguento tanta emoção e tanta mudança. Não tenho problemas com, nem aversão à mudança. Sei que é uma constante e que nada podemos fazer em relação a isso. Mas venho tão traumatizada de uma indústria que me tratou tão mal que estou convencida de que não haja muita coisa que saiba fazer.

Sinto, muitas vezes, que vivo na sombra da minha depressão e que quase nunca tenho a energia suficiente para superar desafios do dia a dia. Pergunto-me se, por causa disto, estou sujeita a não assentar profissionalmente nem conseguir alguma estabilidade. Se estou sujeita a acomodar-me a um emprego que não me estimule nem me encoraje a ser melhor, que pague mal, que não me permita conseguir comprar uma casa...

IMG-20210128-WA0004.jpg

18
Jan21

auto-mutilação

Quando me comecei a cortar - e já nem sei quando foi - já estava bem adulta. Não conhecendo ninguém a passar pelas mesmas dificuldades que eu, procurei fóruns online para ler testemunhos de pessoas como eu. Descobri que a auto-mutilação pode ser mais comum na adolescência mas há muitos adultos (com 50 e mais anos) que nunca deixaram de o fazer porque nunca encontraram outra forma de lidar com a sua dor psicológica.

O termo inglês self harm é mais inclusivo e o artigo acima menciona a expressão auto-lesões para incluir outras formas de auto tortura.

daqui

23
Nov20

Meh...

Mesmo que não me peçam, descrevo as duas ou três últimas semanas com a palavra BOSTA.

Tento usar estas temporadas menos boas para catalogar emoções e sentimentos e fazer um apanhado da minha história e o que provoca as minhas flutuações de humor, mas... só dá mesmo para afundar ainda mais. Pedem-nos para identificar as emoções mas há momentos tão avassaladores que se torna impossível fazer este exercício. Não é só o presente que dói. Não é o que se passa agora nem o que se passou há um segundo atrás que me faz sentir dor, fúria, frustração, abandono, culpa, humilhação, rejeição, insegurança, ansiedade. Medo! Um medo tremendo de nada em concreto. É um baralho de emoções colecionadas ao longo de 18 anos. E falar sobre elas e o que as criou não as fazem desaparecer nem me sentir melhor.

Tenho um hábito de me desconectar de tudo e todos. Por um lado, o isolamento faz-me sentir melhor, por outro é humilhante. Em isolamento não tenho ninguém com quem me comparar nem analisar a minha vida em detalhe nem sentir pena de mim (embora o faça de qualquer forma... que posso fazer?!). A humilhação vem a dobrar. Sinto-me humilhada pelo que sinto, por não conseguir fazer melhor, por me tratar mal, por tratar mal os outros. Mas porra!... só precisava de um bocadinho de compreensão dos outros. Alguém que se preocupasse e interessasse a sério. Que não notasse a minha ausência apenas quando a forço.

Não sou capaz de estar na presença de pessoas felizes. Não suporto ouvir pessoas que falam sobre si sem parar, no que fazem, no que têm, nos planos que vão fazendo, nas memórias que criaram, por muito que tudo seja insignificante e sirva apenas de uma desculpa para falarem sobre si mesmas. As minhas memórias e o meu presente são tristes. Mal consigo uma rotina saudável quanto mais fazer planos para o futuro... Não sou boa companhia porque não tenho motivos para falar e porque finjo que estou bem. Fingir é exaustivo. Passa uma mensagem errada do meu estado mental real quando na verdade eu nunca estou bem.

Há uma frase que repito constatemente na minha cabeça: Não sou boa pessoa. Se fosse, não me sentiria assim.

03
Out20

Há dias difíceis

Há dias em que a minha cabeça decide brincar e coloca-me à frente dos olhos tudo o que está errado comigo. Questiono-me do porquê de ter vindo a esta vida? É porque ainda não consegui compreender!

A dor e a dormência são, de longe, sempre maiores e mais duradouros que os momentos bons. Não me consigo encaixar nesta vida. Não há espaço para mim. Não consigo vingar a nada. Sinto-me derrotada a cada passo que dou. O medo consome-me a cada ideia que tenho e a cada plano que faço. É um labirinto de desespero, a minha vida. Odeio a vitimização mas é uma armadilha muito difícil de escapar e a razão de não ser capaz de desabafar com alguém. É curioso como os nossos problemas podem ser tão complexos e duradouros que nem sabemos por onde começar a analisar. Como posso alterar as minhas crenças quando tenho de o fazer sozinha? Como é possível sequer isto acontecer?

Não é justo! Não é! Não é justo uns poderem sentir felicidade e outros, como eu, terem de estar nesta angústia toda a vida.

07
Jul20

Há dias assim

Há dias normais, há dias maus e há dias muito, mas mesmo muito maus. E agora, enquanto ainda trepo as paredes do poço em que caí, arfando por ar fresco (uma correntezinha de ar seria suficiente, na verdade), estou incapaz de não me preocupar com todas as futuras crises que, como esta, vêm e arrasam como uma guerra.

Parece que cada quebra, cada viagem súbita às profundezas da depressão é pior que a anterior mesmo quando acho que já senti dores que nunca pensei voltar a sentir. Elas voltam mais fortes e enfraquecem-me a mim.

Por algum motivo vejo estas minhas crises como a expressão do desespero de algo com o qual não tenho lidado que é, na realidade, só toda a minha vida!

Basta um segundo e o estímulo mais banal para começarem a cair as lágrimas e a vontade de sorrir desaparece. Por muito que tente, os cantos da boca teimam em não reagir. O telemóvel fica de lado com mensagens e chamadas por atender. Mas ninguém insiste. Ninguém sabe onde estou nem como estou nem do que mais preciso. E a dor persiste. O sono, esse, ora desaparece, ora pesa em demasia, mas o tempo deitada na cama nunca aborrece. A auto-estima é aniquilada e deixo de existir.

Sou um conjunto de causas infelizes. Sou um efeito difícil de emendar. Há dores tão fortes que são impossíveis de explicar. Estão fora da escala. Agonias tão profundas que apertam o peito e colhem o fôlego.

Não sei explicar a ninguém como é que passo de um humor normal para um estado tão sinistro em apenas milissegundos. Costumam ser ocasiões em que me sinto posta de parte, momentos de isolamento e quando sinto um ínfimo indício de humilhação.

É nestes momentos que sei que o apreço por mim própria não existe. Repetem-se, continuamente, na minha cabeça, as vezes que falhei no passado. Essas vezes que, por sua vez, me arrancaram mais a vitalidade e a motivação e a direção.

O que mais me frustra na depressão é que não há uma solução milagrosa. Posso pegar num telefone e desabafar? Posso! Posso falar com a minha psicóloga? Posso! Mas não altera nada. Não previne as crises futuras nem avisa de antemão o grau de intensidade e dor que se vai sentir.

A solidão impõe-se quando me apercebo que por muito que partilhe, por muita terapia e desabafos que faça, sou EU que vou ter de viver assim para o resto da vida. Ninguém tem o poder de ajudar e eu não tenho as forças necessárias para o fazer sozinha.

poço.jpg

poço (?!) pintado por mim

25
Jun20

O Passarinho Azul

Curiosamente, pássaro azul é um prenúncio de felicidade e harmonia.

Prefiro falar do meu passarinho azul do que do meu cão negro.

 

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too tough for him,

I say, stay in there, I'm not going

to let anybody see

you.

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I pour whiskey on him and inhale

cigarette smoke

and the whores and the bartenders

and the grocery clerks

never know that

he's in

there.

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too tough for him,

I say,

stay down, do you want to mess

me up?

you want to screw up the

works?

you want to blow my book sales in

Europe?

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too clever, I only let him out

at night sometimes

when everybody's asleep.

I say, I know that you're there,

so don't be

sad.

then I put him back,

but he's singing a little

in there, I haven't quite let him

die

and we sleep together like

that

with our

secret pact

and it's nice enough to

make a man

weep, but I don't

weep, do

you?

22
Jun20

...

sim... mais um post sobre depressão

A depressão é uma doença e qualquer pessoa pode senti-la se não trabalhar e desenvolver uma boa forma de saber lidar com as emoções.

Creio que a maior parte das depressões sentidas nos dias de hoje são ocasionadas por uma perda (às vezes nunca ganha) de identidade.

Não é só tristeza e não é algo que qualquer pessoa possa e consiga compreender. E por vezes é esta a razão porque não nos abrimos e desabafamos com as pessoas que, sabemos, estarão sempre ao nosso lado e mais nos querem ver felizes. Por vezes os piores comentários (embora de forma não intencional) são tecidos por estas mesmas pessoas que, uma tentativa de bem fazer, desconsideram sentimentos já sombrios e turvam ainda mais os pensamentos de quem sofre num silêncio tumultuoso.

Por esta razão, o acompanhamento psicológico é tão importante. Nem sempre os amigos nem a família podem ajudar. Nem sempre sabem o que dizer quando o fazem nem sempre nos faz sentir melhor.

Há uns três anos estava eu numa das minhas piores crises quando o meu rendimento no trabalho sofreu. Durante uma avaliação com a minha superior contei-lhe que estava a passar por uma fase menos boa e tinha sido diagnosticada há 3 anos com uma depressão. À pergunta dela, respondi que não tomava medicamentos porque não surtiam qualquer efeito no meu caso e tinha simplesmente deixado de os tomar. A resposta dela ainda hoje me atormenta, infelizmente. É algo que a minha memória ainda vai buscar quando a nuvem chega. Disse-me que sabia o que era depressão porque tinha amigos que tomavam medicação e um ex-namorado se tinha suicidado pelo que, se eu não tomava medicação não poderia ser assim tão grave. Não me passou na avaliação e, na próxima vincou ainda mais a sua opinião reiterando que eu não a convencia e que, ademais, era uma influência negativa para toda a equipa. Escusado será dizer que não sequer valia a pena continuar ali e apresentei, pouco depois, a minha carta de demissão. Por muito que conte esta história, este é um capítulo mal encerrado.

As doenças de foro psicológico são cada vez mais comuns mas interessa compreender o porquê. Quebrar as correntes. Abrir-nos e partilhar-mos as nossas vulnerabilidades para que percebamos que nenhum sentimento nos é exclusivo. Todos temos dúvidas sobre o caminhho que estamos a fazer e nem sempre o que sentimos no interior se reflecte no exterior.

Depressão mata e basta um segundo da nossa vida na mais obscura solidão. 

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