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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

24
Mar21

Nervoso Miudinho

Nos tempos que correm a maioria das entrevistas são feitas por videoconferência. Mas isto sou eu a supor.

Há um fenómeno a que me apetece chamar-lhe agora, no calor no momento, de síndrome do bloqueio pré entrevista online, i.e., meia hora antes da entrevista, quando o meu chromebook me avisa (como se eu não soubesse) que tenho uma entrevista a certa hora, o meu corpo enrijece. Detenho-me em frente ao computador sem saber onde nem como colocar as mãos. O coração acelera. Mais ainda quando penso no que pode correr mal. Afinal de contas estamos a lidar com máquinas temperamentais que, quando bem lhes apetece, fazem birras e deixam de funcionar.

Mas dizia eu... Bloqueio pré entrevista... Sim. Meia hora antes da entrevista já tenho o email à minha frente, a postos para clicar no link mágico e nesta meia hora sou incapaz de me mexer. Sinto-me gelada e o meu corpo deixa de responder. Nesta meia hora, de um quase pânico, conto as batidas do meu coração e olho, simplesmente, para o ecrã, à espera que a hora H chegue.

daqui

25
Jan21

ansiedade mil ponto zero

Ultimamente não tenho adormecido antes das duas da manhã. Às vezes consigo estar de olhos esbugalhados até às três ou quatro. Posso estar um hora a ler ou a ver algo no lapitopi que o meu quarto está silencioso. No minuto em que pouso a cabeça na almofada e o meu corpo grita por descanso, parece que tudo à minha volta acorda para a vida. Um estalinho aqui, outro acolá, uns minutos mais tarde cai qualquer coisa e dou por mim a ver sombras onde não as há e a ouvir vozes e sussurros.

Hoje tinha de acordar às 10, o mais tardar. Acho que acontece com todos nós mas, a ideia de ter de acordar a uma determinada hora, por compromisso, por si só, aumenta a ansiedade pela "obrigação" de dormir um determinado número de horas. Às oito acordei com o berbequim das obras de um apartamento ao lado do meu. Estiveram, pelo menos, três horas a trabalhar com aquilo  Enquanto esta barulheira teimava, os meus vizinhos de cima também me ofereceram o seu próprio show áudio de berbequinagem. 

Tive uma consulta no hospital às 12h45. Como sou "transporto-dependente", pensei em apanhar um autocarro um pouco mais cedo para ter a certeza de que chegava e tinha tempo para fazer as coisas. Odeio hospitais e a ideia de ter de entrar num, deixa-me desorientada. No antigo hospital de Cascais, há uns 14 anos, entrei no sítio errado e vi demasiado sangue e demasiada coisa a acontecer.

Estava na paragem de bus e estava bastante relaxada porque demora entre 10 a 15 minutos a chegar desde que sai da estação de Carcavelos. Só que hoje demorou 7 minutos. E foi exatamente no segundo em que baixei a cabeça para ler uma notícia no meu telemóvel que o autocarro, quase em câmara lenta, passou por mim e nem consegui ter tempo de reação para pedir que parasse. Fiquei sentada na paragem a pensar se iria no próximo autocarro e arriscar chegar tarde ou ser mais dondoca e apanhar um Uber. O autocarro ficava 2€ ida e volta e o Uber ficaria em 12€. Let it bus cantei alegremente na minha cabeça. Que se lixe! Mas senti a minha bexiga encher. Foi uma viagem de 40 minutos e registei-me mesmo em cima da hora da consulta. Hoje acordei e o Universo disse: vais lidar com a tua ansiedade... Quando a começo a sentir a sério, perco controlo da minha bexiga. Ou penso que vou perder controlo e fico completamente apavorada com a ideia de fazer xixi perna abaixo em público. Em Março vou fazer uma ecografia. Como é que a minha bexiga vai aguentar? 

18
Jan21

auto-mutilação

Quando me comecei a cortar - e já nem sei quando foi - já estava bem adulta. Não conhecendo ninguém a passar pelas mesmas dificuldades que eu, procurei fóruns online para ler testemunhos de pessoas como eu. Descobri que a auto-mutilação pode ser mais comum na adolescência mas há muitos adultos (com 50 e mais anos) que nunca deixaram de o fazer porque nunca encontraram outra forma de lidar com a sua dor psicológica.

O termo inglês self harm é mais inclusivo e o artigo acima menciona a expressão auto-lesões para incluir outras formas de auto tortura.

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18
Jan21

atualidade

A minha ansiedade tem estado altíssima nos últimos dias e nem exercícios de respiração me têm valido. Estou bastante sensível a demasiada atividade e demasiado estímulo que as notícias teimam em passar. E já nem ligo TV nos canais de notícias e evito os horários marcados. Deixei de seguir páginas de notícias nas redes sociais e mesmo de pessoas que conheço. Ando cansada de tanta opinião e comentário sobre tudo e sobre nada.

Parece que avançamos a passos largos para a insanidade total, um armagedão cheio de tragédias, mortes, pandemias, voyeurismos mórbidos, partidos, sectarismos, opinionismos e extremismos. E embora não seja nada de novo, a pessoa comum está cada vez mais envolvida sem nada perceber e sem nada de benéfico a acrescentar. Vivemos cheios de orgulho, inflexivelmente convictos da superioridade dos nossos valores sem a capacidade de olhar os acontecimentos através de lentes diferentes.

"Na vida quotidiana, não é fácil definir o verdadeiro, o bom e o necessário. São conceitos abstratos que às vezes são difíceis de aplicar. Por isso há, também, algumas perguntas adicionais que ajudam a aplicar os três filtros de Sócrates.

* Verdadeiro: Eu sei? Posso comprovar? Seria capaz de garantir diante de qualquer um? Estaria disposto a arriscar minha reputação por isso?

* Bom: Beneficia ou faz a outra pessoa ou a mim mesmo sentir melhor? Despertará emoções positivas? Melhorará a situação das pessoas envolvidas?

* Necessário ou útil: Ao conhecer essa mensagem, a vida da pessoa ou a minha vida vai melhorar? Essa pessoa poderá realizar alguma ação prática com essa informação ou mensagem? De que maneira não saber a prejudica ou afeta?"

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Mas será que isto funciona no mundo real? Na era em que vivemos?

daqui

01
Out20

Stresses, ansiedades e afins

É curioso perceber como o nosso corpo funciona.

Sempre achei que estes últimos meses tivessem sido calmos para mim. Descansei e consegui colocar a cabeça em ordem. Dormi como há muito não dormia e soube bem estar um tempo sem fazer quase nada. Receber bem cedo a notícia de que ficaria sem emprego deu-me o tempo necessário para fazer planos e preparar o necessário.

Apesar de tudo, tenho-me sentido bem. Tenho uns momentos menos bons de vez em quando mas em geral não sinto a névoa mental e confusão a que a pressão me subjuga em dias de trabalho.

Só que não...

Desde junho que comecei a ter eczema. No início do ano comecei a ter uma comichão insuportável na dobra superior da orelha. Coçava sem pensar no assunto. Em junho essa comichão apareceu na palma das mãos acompanhada de pele seca e muita descamação. Um mês depois, sensivelmente, a minha pele das axilas tornou-se muito escura e muito seca para não falar da comichão que me dá... Em pleno verão tive uma vergonha enorme de usar alças e sempre muito cuidado para não levantar os braços... 

Quando acho que estou calma e está tudo bem, o meu corpo grita e diz-me que afinal só já estou habituada de uma forma pouco saudável à ansiedade.

No início de setembro comecei a fazer uma formação de 6 meses. Não me parece um curso difícil. Apela muito ao senso comum mas fiquei um pouco desmotivada quando comecei a ver anúncios de emprego e os requisitos necessários. Este curso não é mais do que um complemento bastante importante a cargos de engenharia e qualidade e percebi que, apesar da oferta, poderei não encontrar emprego.

27
Abr20

Inquietações

Tenho ouvisto muito sobre o aumento de ansiedades e ataques de pânico por causa deste tempo de quarentena.

A falta de ocupar o tempo (de forma produtiva ou não) aumenta a tendência natural à ruminação que advém destas circunstâncias. A ruminação mental é a espiralização de pensamentos. Em casos de depressão e ansiedade crónica, muitos destes pensamentos são negativos, de tom auto depreciativo e, tornam-se tão constantes e automáticos que os tornamos como verdades absolutas.

De alguém que tem aprendido a viver com isto desde sempre, só posso dar o melhor conselho que já me deram até hoje: ocupem o vosso tempo livre o mais possível, nem que seja vendo vídeos no Youtube. Nos meus momentos mais difíceis, é a única coisa que me apetece fazer apesar de chegar ao final do dia e pensar que não fiz nada de produtivo. Esta forma de pensar é, também ela, negativa. O conselho é da minha psicóloga e esta forma de lidar com o nosso dia a dia em quarentena é uma forma de prevenir a espiral de pensamentos que se assomam.

Claro que nem sempre é tão fácil. Bem sei disso, mas é uma estratégia que requer muita tentativa sem efeito imediato.

Só espero que não haja um aumento exponencial na prescrição de ansiolíticos e antidepressivos (que haverá). Felizmente a minha médica de família deixou de nos passar receitas para estes medicamentos e começou a focar-se em alternativas mais naturais.

Para quem não costuma ter ansiedade, suplementos ou chá de raíz de valeriana poderão ser uma boa solução. A valeriana cheira muito mal, é verdade, mas há muita gente que confirma os seus efeitos.

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