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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

31
Dez20

2020 / 2021

Já sabemos que o ano de "vinte vinte" foi, na sua generalidade, uma agonizante bosta por várias razões, mas não deixa de ser importante apontar algo positivo que nos tenha acontecido  ao longo destes últimos 12 meses.

Espero não trincar a língua por dizer isto mas quero mesmo acreditar que o melhor que me aconteceu este ano foi ser despedida.

Desejo a todos um bom ano novo.

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29
Dez20

Pós Pausa

Um Natal pouco normal. Não pela desculpa óbvia mas porque viemos passá-lo ao norte. À aldeia da minha mãe. Estou habituada a dormir com barulho e o silêncio absoluto da noite aterroriza-me. Nunca experienciei tanto medo do escuro como nesta última semana. Se conseguir adormecer antes de toda a gente enquanto ouço barulho, adormeço bem. Mas acordo demasiadas vezes ao longo da noite, no silêncio da noite que põe a minha imaginação a trabalhar. Ouvir e imaginar coisas que lá não estão. Que poderão estar mas nunca estarão. Este ano o medo intensificou e não houve uma única noite desde Março que não tenha dormido com luz de presença.

Não vinha à terra da minha mãe há já quase 6 anos. Desde o funeral da minha avó. A verdade é que esta aldeia é a minha segunda casa e, tal como a primeira, não me transmite um bem estar total que me faça apetecer estar aqui muito tempo. Sempre passei aqui os meus verões e a partir da adolescência, com muito pouco para fazer. Os meus pais apoderaram-se da casa centenária que era dos meus avós maternos, reabilitaram-na porque não tinha condições, e querem desfrutar dela durante as suas reformas. Querem paz e qualidade de vida na medida do possível. Estou bastante surpreendida com o rumo que o mundo está a tomar. Logo no início da pandemia, ouvi uma teoria a várias pessoas de que a vida iria mudar depois de 2020. Não só pelo vírus mas pelo rumo que o mundo está a tomar. Que iria haver um êxodo urbano e um retorno a um estilo de vida de auto-subsistência como fuga à gentrificação das grandes cidades e os desafios que esta apresenta aos locais. Já tinha ouvido, há uns 10 anos, esta teoria de retorno à terra. À Terra. E, como dizia, surpreendeu-me o número de casas à venda numa pequena e insignificante aldeia a caminho do Douro vinhateiro. Muitas das transações já feitas são para Turismo de Habitação (que, honestamente, serão tiros nos pés mas que, possivelmente, haverá outro tipo de interesses nesta restauração das casas e terrenos mas isso são contas de outro rosário) mas nota-se uma abertura dos filhos dos filhos da terra em querer fugir do tumulto das cidades. Entristece-me, ainda, a falta de investimento e falta de trabalho por estas zonas rurais e o preconceito que existe em morar em aldeias, vilas ou cidades do interior.

Deixo aqui umas recordações desta última semana. Um passeio numa tarde quente de inverno, visitas diárias à horta, as amendoeiras despidas e as vinhas secas pelo tempo frio.

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21
Dez20

Solstício de Inverno e A Era de Aquário

Bem vindos, oficialmente, ao inf...  inverno! O dia mais curto. A noite mais longa.

À semelhança das nossas festividades natalícias, as tradições pré-cristãs festejavam a luz e a natureza adormecida com decorações das casas e convívio das comunidades, não aceitando a "morte" do sol. A Festa de Yule era uma das mais importantes e antigas festividades do norte da Europa. Yule ou Jul significava "luz num mundo de trevas" e, na noite mas curta do ano faziam-se oferendas aos deuses para que o inverno passasse rápido. As casas eram decoradas com ramos verdes e faziam-se grandes fogueiras tendo o fogo uma simbologia de luz e vida.

Se tiverem curiosidade, têm mais exemplos de festividades aqui.

Também no Irão (e antigos territórios persas) se celebra esta noite de uma forma especial. A noite Yalda ou Shab-e Yalda marca "a primeira noite dos primeiros 40 dias dos 3 meses de inverno"  Língua complicada a deles! Mas dividem o inverno em 2 períodos. Apesar de ser uma República Islâmica, a tradição manteve-se não com significado religioso mas como uma ocasião social. Nesta noite as famílias, à semelhança de nós no Natal, juntam-se para comer, beber, cantar, contar histórias e ler poesia. A origem da noite Yalda é bastante interessante.

Na astrologia, quando dois corpos celestes se alinham, neste caso Júpiter e Saturno, as suas características potenciam-se e funcionam em conjunto. Esta conjunção, a ter lugar hoje, tem sido muito falada pelo seu carácter de transformação a nível social com novas tendências económicas, financeiras, sociais e novas formas de pensamento. Este alinhamento entre Júpiter e Saturno acontece a cada 20 anos mas este ano ocorre, pela primeira vez em 200 anos, num signo de ar - Aquário - que corresponde ao espectro mental, em oposição ao materialismo dos signos de terra. Tal transição augura uma mudança nos valores da sociedade e um foco no bem estar social e coletivismo.

Não podemos negar que 2020 foi um ano de uma mudança brusca para muitos, em vários domínios. A famosa Era de Aquário terá inicio no princípio deste século - o XXI - e parece-me que a porta já está entreaberta.

daqui

18
Dez20

Momento Marcelo Rebelo de Sousa V

Tudo o Que Não Vemos

O quinto e último livro que li na totalidade este ano foi este. "Tudo o Que Não Vemos" de Ziya Tong. Confesso que o comprei quase apenas pelo aspeto. Vi-o, senti-o, li alguns comentários e decidi levá-lo. O livro está impresso totalmente em papel de cana de açúcar reciclado e o principal intuito da autora é alertar o público para os ângulos mortos da raça humana e rebentar a bolha em que flutuamos. A autora é uma apresentadora de televisão de programas relacionados com ciência no Canadá e é vice-presidente da World Wildlife Fund Canada. Esta posição de constante aprendizagem científica deu-lhe confiança para escrever este livro que, honestamente, quase o senti como uma forma de forçar o seu estilo de vida mas depois acalmei as minhas hormonas e deixei de pensar assim e permiti-me assimilar a informação que me foi passada. Se choca? Talvez a alguns mas a mim não. Apenas confirma o que, no fundo, sabemos que o ser humano pode fazer por lucro. Algumas das frases chave são:

"70 porcento do salmão disponível no mercado global é de aquacultura e todo ele é artificialmente colorido com cantaxantina e astaxantina, que são carotenóides sintéticos produzidos a partir de petroquímicos."

"Oito horas de trabalho manual humano é o equivalente à energia existente em três colheres de sopa de petróleo."

"Em outubro de 2016, as documentaristas Deia Schlosberg e Lindsey Grayzel foram presas por filmarem protestos contra oleodutos."

"Investigadores descobriram um verdadeiro zoológico de bactérias - 2368 espécie diferentes - quando analisaram amostras tiradas dos umbigos de 60 pessoas."

"Hoje temos câmaras em toda a parte exceto nos lugares de onde vem a nossa comida, a nossa energia e para onde vai o nosso lixo."

SINOPSE

Fomos educados para acreditar que tudo aquilo que vemos é real. Ziya Tong, o rosto dos mais importantes programas científicos do Canadá, começa este livro a falar sobre os limites físicos da visão, para nos provar que apenas vemos uma parcela ínfima da realidade. E a partir daí, desvenda-nos os ângulos mortos, sociais e culturais, que nos impedem de ver o mundo como ele é. Desde logo, a comida. Afastámo-nos de tal modo da origem dos alimentos que já não sabemos o que comemos. Olhamos para uma posta de salmão de aquacultura sem imaginar que aquela bonita cor é dada por um corante feito à base de petroquímicos.
Numa viagem guiada pelo tempo e espaço, a autora mostra-nos muito daquilo que os média ignoram: desde a origem da energia que nos move e aquece, ao destino que damos ao lixo (custa a acreditar que há cem anos não havia plástico; e que daqui a 30 haverá mais plástico do que peixes no oceano). Tudo o que fazemos, desde os nossos hábitos de sono às férias que gozamos, é determinado pela evolução de conceitos abstratos, que já nada têm a ver com a nossa natureza.
Tudo o Que Não Vemos é um exercício de divulgação científica de um extraordinário alcance - tão depressa estamos a revisitar a pré-história do petróleo como a descobrir um gigantesco observatório de neutrinos enterrado numa montanha do Japão. E ao longo desta viagem começamos a perceber até que ponto andamos às cegas - e como este livro nos abre os olhos.

17
Dez20

Momento Marcelo Rebelo de Sousa IV

Populismo: Uma Brevíssima Introdução

Já por aqui disse que pouco ou nada percebo de política. Faço parte da maioria apática e desinteressada mas que, de repente, acordou porque hoje em dia tudo se politiza e tudo nos divide. Por esse motivo, quando comecei a ouvir vezes sem conta a palavra "populismo" aplicada ao nosso panorama político, simplesmente analisei a palavra e não consegui perceber o porquê de acusarmos apenas a direita de populismo. Como já pouco acredito no que vou lendo pelas internets porque factos não são opiniões e os sites enciclopédicos mais conhecidos não me convencem, decidi procurar uma alternativa e comprei o livro "Populismo - Uma Brevíssima Introdução". Os seus autores são politólogos, especialistas em populismo pelo que me pareceu um bom começo.

Sendo uma breve introdução, o livro é bastante simples, claro e explica como este "movimento" tem sido utilizado por vários tipos de regimes e em diversos países por esse mundo fora desde a sua origem nos Estados Unidos. Como suspeitava, o populismo não é só utilizado pela direita. E suspeito também que, por ser uma palavra da moda, há muita gente que a usa sem saber o que realmente sustenta.

Com textos exclusivos para a edição portuguesa sobre as eleições nos EUA. Publicado em Portugal em simultâneo com a edição internacional. Um livro tão acessível quanto imprescindível para estar bem informado.

Nos debates, nos meios de comunicação social, nas conversas de café, fala-se de populismo. Mas saberá a maioria das pessoas do que se trata? Sociólogos e jornalistas usam o termo por vezes a propósito de fenómenos diversos, o que ajuda pouco a um conhecimento real e abrangente.

O presente livro visa explicar o conceito e analisar as causas e consequências do populismo, visto estar a ressurgir em força no século XXI, constituindo um perigo para as democracias ocidentais.

Quem foram e quem são os líderes populistas? O que têm em comum Hugo Chávez, Marine Le Pen e Donald Trump? Neste livro sério e de leitura acessível, escrito pelos dois maiores especialistas mundiais no assunto, encontrará as respostas.

16
Dez20

Momento Marcelo Rebelo de Sousa III

Os Donos do Mundo

O terceiro livro que li este ano foi "Os Donos do Mundo" de Pedro Baños (coronel do Exército na reserva, diplomado pelo Estado-Maior de Espanha, especialista em Geopolítica, Estratégia, Defesa, Segurança, Terrorismo, Inteligência e Relações Internacionais).

Há uns anos que me comecei a interessar por geopolítica. A razão? Uma pseudo relação que tive com um muçulmano que se interessava pelo assunto e que, por questões profissionais, tinha de estar a par das guerrinhas e tensões a que vamos assistindo entre países e regiões. Foi com ele que comecei a perceber que o que vemos nas notícias não corresponde à verdade a 100%. Aproveitei a deixa do confinamento para me aventurar num livro sobre o assunto.

Vivi pouco mais de 5 anos numa sociedade multi cultural onde aprendi imenso sobre as diferentes formas de ser e estar, tão diversos quanto as suas origens. Este livro, além de me abrir os olhos para muitas situações que desconhecia (à semelhança do livro de que falei ontem), apenas reforçou aquilo em que já acreditava: falta de empatia e falta de conhecimento, falta de História, desprezo pelas diferenças culturais existindo uma crença de que a cultura Ocidental (a nossa, portanto) é a mais correta, civilizada e o modelo a seguir e a impor a todo o mundo.

Criei o hábito de ler apenas à noite, na cama, para ver se me ajudava com a insónia mas este livro quase teve um efeito contrário. Algumas noites prolongaram-se várias horas por não conseguir parar de o ler. Pela opinião que dei acima, a mensagem que retiro do livro é, no fundo, a mesma do "A Insanidade das Massas": um apelo à empatia e à descoberta.

 
SINOPSE

Pedro Baños revela-nos as táticas e os segredos dos países para dominar e influenciar à escala mundial, incluindo através da religião. Recorrendo a vários exemplos reveladores, o autor mostra-nos ainda as estratégias clássicas - todas com uma base de hipocrisia e aproveitamento das fragilidades alheias - e aponta os erros do passado que continuam a repetir-se e que são inerentes à condição humana. As regras do jogo podem ter mudado, mas há princípios imutáveis.
Uma análise reveladora sobre as principais estratégias de manipulação implementadas pelos países para manter e reforçar o seu poder ao longo dos séculos.

15
Dez20

Momento Marcelo Rebelo de Sousa II

A Insanidade das Massas

Não me lembro que pesquisa fiz no site da FNAC em Março mas acabei por encomendar este e outro livro do qual falarei amanhã. Comprei-os apenas pelo título e pela pequena descrição que o acompanha. Não sabia nada dos autores. Só quando chegaram a casa é que fiz essa pesquisa. A primeira frase que li sobre o Douglas Murray foi "... autor e comentador político conservador britânico..." e imediatamente a minha mente idiota que nada percebe de política começou a arrepender-se de ter comprado o livro pensando que ia entrar num mundo de endoutrinação. Faço parte daquilo que acho ser uma grande maioria do povo que se sente bastante dividido entre os extremos que vivemos hoje em dia e este "moço" fala disso mesmo. Dos extremos. Da politização de tudo e de como esta politização aumenta o fosso entre as chamadas esquerda e direita.

A leitura começou um pouco lenta, sou sincera. Talvez pela minha reticência em lê-lo e medo de ler coisas que não quereria ler (estupidez, bem sei!) e o primeiro capítulo arrastou-se. Mas as poucas tardes passadas deitada na praia durante o verão fizeram-me querer ler mais e mais e li-o relativamente rápido, com muitas dobras nas pontas das folhas a assinalar aquilo que mais me marcou. Há factos dos quais não tinha a mais pequena ideia e sobre os quais não ouvimos falar nas nossas notícias mas que afetam o nosso dia a dia. O livro fala sobre sexualidade, género, tecnologia e raça.

A mensagem que retiro do livro é uma de tolerância. Tão simples quanto isto. Que é exatamente o que não temos visto entre a nossa raça.

SINOPSE

Neste seu novo livro, Douglas Murray analisa os assuntos mais fraturantes do século XXI, revelando as novas guerra culturais que acontecem nas empresas, nas universidades, nas escolas e dentro das nossas casas, em nome da justiça social e das políticas de identidade. Vivemos numa era em que as noções de religião e ideologia política colapsaram. No seu lugar emergiu um desejo cego de corrigir o que está errado e uma militância de identidade, ambos potenciados pelas redes sociais.
A agenda acabou dominada por um conjunto restrito de interesses enquanto a sociedade se torna cada vez mais tribal - e, como o autor mostra, as baixas estão a aumentar. Nenhum leitor, de qualquer quadrante político, pode ignorar este livro provocativo que procura dar sentido à discussão sobre os temas mais complicados do momento. A Insanidade das Massas termina com um impressionante apelo à liberdade de expressão, aos valores comuns e à sanidade numa era de histeria.

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