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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

08
Fev21

Que suposições não questiono?

Pergunta original: What assumptions have I left unquestioned?

Todas as manhãs, quando abro os olhos e a consciência retorna, suponho que não vale a pena.

Suponho que não mereço ser feliz.

Suponho que nunca vou ser saudável.

Suponho que eu seja insignificante.

Suponho que eu não tenha valor.

Suponho que eu seja incompetente.

Suponho que não vale a pena viver.

Suponho que mereço tudo o que (não) tenho.

Suponho que mereço este sofrimento, toda a solidão...

Às vezes suponho os preços errados quando os produtos estão fora do sítio.

É fácil aos outros dizerem-me que tenho de me ver de forma diferente e acreditar mais em mim. Mas como fazê-lo se não sei sê-lo. Nunca me foi ensinado a sê-lo? Onde se começa? Como posso ser algo que nunca fui nem nunca me foi mostrado?

Estas verdades, tão só e não só minhas, vêm de comparações, de perda de identidade, de crítica, de negatividade, de doença.

O meu pai comparava-nos muito com os outros. Ainda hoje o faz. Há uns meses atrás cortei contacto com quase toda a gente, especialmente duas amigas. Estar com elas não é mau. Torna-se um pesadelo quando volto para casa e me pergunto porque não posso ser como elas. Cheguei à conclusão que não me refiro ao que têm ou ao que são ou como são mas invejo-lhes, sim, a capacidade de amar, de oferecer a sua vulnerabilidade. Ao fim destes meses sei que sou eu a pessoa tóxica nas vidas dos outros. Sou eu que peço mais do que posso dar nas relações.

Faço parte de uma geração que ainda teve professores "da velha guarda". Castigos sem recreio, virados para a parede, alvos de comentários pessoais e pouco apropriados para um ambiente escolar, puxões de orelhas e chamados de burros bem alto aos nossos ouvidos, as reguadas... Há um ou dois anos recebi uma fotografia de uns textos que nós, miúdos de 9 e 10 anos, escrevemos à professora no final da escola primária. Devo confessar que fiquei chocada. A prostração é notável, na nossa escrita. Li algures que para cada comentário negativo que recebemos, são precisos 7 positivos para compensá-lo. Eu não me lembro de nem um, se foram feitos.

Não sei se foi neste blog se no que tive anteriormente que falei de Jacque Fresco e da sua teoria de que a depressão é, em grande parte, a falta de uma identidade própria, uma que não seja projetada em outras pessoas nem em profissões ou hobbies ou em objetos e posses. Pessoalmente, é algo que me faz bastante sentido mas cada um é como cada qual, com a sua experiência de vida e, nem todos nos revimos nas mesmas opiniões.

Segundo o neuro cientista Nick Hanson, a negatividade é consequência da nossa evolução. Com ela os nossos antepassados aprenderam a fazer decisões inteligentes em situações de alto risco. Com o tempo, a nossa - do Homem - estrutura cerebral adaptou-se a prestar mais atenção à informação negativa. Estudos realizados pelo psicólogo John Cacioppo, comprovam que a resposta do cérebro a estímulos negativos é muito maior em relação aos positivos. Para estar em harmonia com o título, suponho que estas explicações estejam relacionadas com a ansiedade e os modos fight, flight ou freeze.

Algo que aprendi na hotelaria e que uma chefe (por sinal, má chefe) nos martelava todos os dias é: never make assumptions.

Fonte 1, Fonte 2

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