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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

29
Dez20

Pós Pausa

Um Natal pouco normal. Não pela desculpa óbvia mas porque viemos passá-lo ao norte. À aldeia da minha mãe. Estou habituada a dormir com barulho e o silêncio absoluto da noite aterroriza-me. Nunca experienciei tanto medo do escuro como nesta última semana. Se conseguir adormecer antes de toda a gente enquanto ouço barulho, adormeço bem. Mas acordo demasiadas vezes ao longo da noite, no silêncio da noite que põe a minha imaginação a trabalhar. Ouvir e imaginar coisas que lá não estão. Que poderão estar mas nunca estarão. Este ano o medo intensificou e não houve uma única noite desde Março que não tenha dormido com luz de presença.

Não vinha à terra da minha mãe há já quase 6 anos. Desde o funeral da minha avó. A verdade é que esta aldeia é a minha segunda casa e, tal como a primeira, não me transmite um bem estar total que me faça apetecer estar aqui muito tempo. Sempre passei aqui os meus verões e a partir da adolescência, com muito pouco para fazer. Os meus pais apoderaram-se da casa centenária que era dos meus avós maternos, reabilitaram-na porque não tinha condições, e querem desfrutar dela durante as suas reformas. Querem paz e qualidade de vida na medida do possível. Estou bastante surpreendida com o rumo que o mundo está a tomar. Logo no início da pandemia, ouvi uma teoria a várias pessoas de que a vida iria mudar depois de 2020. Não só pelo vírus mas pelo rumo que o mundo está a tomar. Que iria haver um êxodo urbano e um retorno a um estilo de vida de auto-subsistência como fuga à gentrificação das grandes cidades e os desafios que esta apresenta aos locais. Já tinha ouvido, há uns 10 anos, esta teoria de retorno à terra. À Terra. E, como dizia, surpreendeu-me o número de casas à venda numa pequena e insignificante aldeia a caminho do Douro vinhateiro. Muitas das transações já feitas são para Turismo de Habitação (que, honestamente, serão tiros nos pés mas que, possivelmente, haverá outro tipo de interesses nesta restauração das casas e terrenos mas isso são contas de outro rosário) mas nota-se uma abertura dos filhos dos filhos da terra em querer fugir do tumulto das cidades. Entristece-me, ainda, a falta de investimento e falta de trabalho por estas zonas rurais e o preconceito que existe em morar em aldeias, vilas ou cidades do interior.

Deixo aqui umas recordações desta última semana. Um passeio numa tarde quente de inverno, visitas diárias à horta, as amendoeiras despidas e as vinhas secas pelo tempo frio.

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