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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

09
Jun20

Lição Aprendida

Há 2 anos atrás por esta altura tinha feito uma decisão que me ia custar o crescimento de muitos cabelos brancos.

Estava numa empresa com um contrato temporário (licença de maternidade) e foi-me dada a possibilidade de integrar uma equipa diferente no mesmo departamento. Pouco depois abriu uma vaga para uma posição até aí inexistente, num departamento diferente, mas que me atraía imenso e que acarretaria mais responsabilidades. Algo que nunca tinha feito antes e significaria um pulo considerável no meu progresso pessoal. Ainda antes de apresentar a minha decisão conversei e tirei dúvidas com quem seria meu superior direto em cada posição, pesei os prós e os contras, com a preciosa ajuda da minha psicóloga, consoante aquilo que se ajustaria às minhas necessidades e desejos na altura.

Decidi agradecer o voto de confiança do meu coordenador e ficar no departamento e mudar de equipa e funções que se esperariam menos stressantes. Na altura fiquei orgulhosa da minha decisão, da minha lealdade a alguém que tinha visto potencial em mim para benefício da empresa. Tinha sido tão bem acolhida e integrei-me rapidamente como nunca antes tinha acontecido que só podia ser aquela a decisão a tomar. Na altura estávamos numa mudança de estratégia pelo que achei que eu fosse apenas uma adição à equipa. Só que não. A minha entrada significou a saída de outra pessoa. E senti-me a pessoa mais ingénua do mundo. Perguntei-me vezes sem conta como pude não perceber nem desconfiar daquilo antes. A coordenadora dessa equipa demorou a aceitar-me (e acho que até hoje nunca me aceitou a 100%) e não consegui mais olhar nos olhos a pessoa que saiu. Senti-me envergonhada e culpada.

Nestes últimos dois anos aprendi imenso e ganhei gosto pela organização de eventos (coisa que nunca me passou pela cabeça acontecer). Estive numa empresa com valores que vão totalmente na direcção contrária desta área de prestação de serviços e sentia-me constantemente entre a espada e a parede. Janeiro e Fevereiro deste ano foram particularmente difíceis e acho mesmo que cheguei a sabotar o meu próprio trabalho de forma inconsciente. Não queria ser embaixadora daquela marca mas, ao mesmo tempo, se conseguisse chegar à efetividade sentiria um pouco mais de estabilidade na vida e conseguiria fazer planos mais seguros para o futuro.

O stress que senti no início deste ano (além de se traduzir em dezenas de cabelinhos brancos que nasceram no cocuruto da minha cabeça e um acentuar brutesco das minhas flutuações de humor) levou à decisão da não renovação do meu contrato por parte da direcção (a forma como me foi informado, por si só, é outra história triste de como as empresas tratam os seus empregados). Não me surpreendeu. Sentia-me fragmentada, a defender políticas com as quais nunca concordei e a colocar-me em posições frágeis que iriam, inevitavelmente, levar a este desfecho.

Hoje lembrei-me de quando tomei essa decisão e de, como já disse, me senti tão orgulhosa por ter baseado a minha escolha naquilo que eu achava ser lealdade. Também hoje compreendo que fiz, afinal, a escolha mais segura e que pouco ou nada teve a ver com lealdade. Apenas não me senti confiante para tomar riscos e acreditar nas minhas capacidades. Foi uma decisão que em nada serviu os meus interesses e em que me importei com a opinião dos outros em detrimento dos meus reais interesses.

Lição aprendida.

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