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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

07
Jul20

Há dias assim

Há dias normais, há dias maus e há dias muito, mas mesmo muito maus. E agora, enquanto ainda trepo as paredes do poço em que caí, arfando por ar fresco (uma correntezinha de ar seria suficiente, na verdade), estou incapaz de não me preocupar com todas as futuras crises que, como esta, vêm e arrasam como uma guerra.

Parece que cada quebra, cada viagem súbita às profundezas da depressão é pior que a anterior mesmo quando acho que já senti dores que nunca pensei voltar a sentir. Elas voltam mais fortes e enfraquecem-me a mim.

Por algum motivo vejo estas minhas crises como a expressão do desespero de algo com o qual não tenho lidado que é, na realidade, só toda a minha vida!

Basta um segundo e o estímulo mais banal para começarem a cair as lágrimas e a vontade de sorrir desaparece. Por muito que tente, os cantos da boca teimam em não reagir. O telemóvel fica de lado com mensagens e chamadas por atender. Mas ninguém insiste. Ninguém sabe onde estou nem como estou nem do que mais preciso. E a dor persiste. O sono, esse, ora desaparece, ora pesa em demasia, mas o tempo deitada na cama nunca aborrece. A auto-estima é aniquilada e deixo de existir.

Sou um conjunto de causas infelizes. Sou um efeito difícil de emendar. Há dores tão fortes que são impossíveis de explicar. Estão fora da escala. Agonias tão profundas que apertam o peito e colhem o fôlego.

Não sei explicar a ninguém como é que passo de um humor normal para um estado tão sinistro em apenas milissegundos. Costumam ser ocasiões em que me sinto posta de parte, momentos de isolamento e quando sinto um ínfimo indício de humilhação.

É nestes momentos que sei que o apreço por mim própria não existe. Repetem-se, continuamente, na minha cabeça, as vezes que falhei no passado. Essas vezes que, por sua vez, me arrancaram mais a vitalidade e a motivação e a direção.

O que mais me frustra na depressão é que não há uma solução milagrosa. Posso pegar num telefone e desabafar? Posso! Posso falar com a minha psicóloga? Posso! Mas não altera nada. Não previne as crises futuras nem avisa de antemão o grau de intensidade e dor que se vai sentir.

A solidão impõe-se quando me apercebo que por muito que partilhe, por muita terapia e desabafos que faça, sou EU que vou ter de viver assim para o resto da vida. Ninguém tem o poder de ajudar e eu não tenho as forças necessárias para o fazer sozinha.

poço.jpg

poço (?!) pintado por mim

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