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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

06
Jan21

compromisso

Esta história da Di sugou-me num buraco negro e regressei a 2014. O primeiro de três anos lancinantes. Um ano em que deixei de, praticamente, existir.

Quando decidi extinguir a minha presença das redes sociais (porque hoje em dia não existimos sem presença virtual - perceba-se!) depois de um jantar onde me senti dispensável (na altura sentia-me dispensável em qualquer sítio, na verdade) a minha depressão instalou-se a sério. A única pessoa que me fazia companhia a sério e com prazer tinha acabado de casar e fui afastando os meus colegas de trabalho. As minhas funções estavam a tornar-se bastante stressantes e não estava a conseguir manter boas relações com a equipa. Quando se está noutro país sem contactos e se trabalha em hotelaria (é a minha experiência), o trabalho é um porto seguro onde se criam laços. Na altura não me sentia confortável no trabalho nem em casa e não tinha ninguém em quem confiar nem em quem confidenciar.

No meio do meu caos, uma pessoa aproximou-se. Um colega de trabalho. O que o aproximou não foi sentimento romântico. Nem eu o via a essa luz. Nunca o vi. Saíamos para café ou chá, cinema. Talvez tenhamos jantado uma ou outra vez até ter compreendido o real motivo deste interesse: amizade colorida, a tal que vem num pacote vendido com benefícios. A conversa mudou totalmente, as chamadas telefónicas mais frequentes, com um intuito apenas.

Conto esta história pela perspetiva que tenho hoje porque na altura não compreendi porque me comportei de certo jeito e martirizei-me por isso.

Da necessidade e desespero de ter alguém ao meu lado, de que forma fosse, perdi o pouco amor próprio e a réstia de respeito que tinha por mim. Um dia, numa estação de metro, enquanto nos despedíamos e ele fazia a pressão que se tornou habitual para ir para casa dele enquanto me explicava detalhadamente os malabarismos que faria comigo, fiz a pergunta: "então e eu?". "Não fui feito para ser namorado de ninguém", responde. Lembro-me de pensar para mim que a pergunta não tinha sido bem feita porque aquela resposta não lhe correspondia. Não a tinha feito nesse sentido. Também não queria um namorado. Não procurava uma relação. Deixei a situação arrastar no tempo. Ia-lhe dando falsas esperanças enquanto mantinha alguém "ao meu lado". Triste mas uma realidade que é bastante comum e acho que, muito por causa desta experiência, hoje gosto muito de franqueza e muito pouco de rodeios.

Um dia lá me decidi a ir com ele e quando o ambiente já estava bem aquecido, pedi-lhe para parar. Ele continuou a tentar e eu pedi para parar. "Estou dececionado", diz-me. Tentei ir para casa mas já não havia transportes pelo que tive de lá dormir. Na manhã seguinte, o processo repete-se e volto a ouvir que o dececionei. Ele foi tomar banho e feita parva ainda fiquei à espera. Fiquei à espera para que saíssemos juntos até à cidade. Cheguei a casa, fechei-me no meu quarto, odiei-me e voltei a cortar-me.

Na altura não saberia explicar mas hoje sei que quando perguntei "então e eu?" referia-me a alguém que se preocupasse realmente comigo e não me quisesse usar. Ainda estou para conhecer alguém com uma auto estima mais baixa que a minha, tenho imensos defeitos e um deles é mesmo não ter um mente aberta para certas coisas e ser inflexível para outras mas, como qualquer pessoa (e não me venham com tretas), todos buscamos validação exterior porque estamos todos bem longe de ser uns Budas iluminados.

desenho de Ferdinand Hodler

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