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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

07
Jun20

Caça-Sonhos

Depois de terminar a minha licenciatura houve um período de incerteza. A maior sendo se teria sido o melhor curso a fazer e se ía sequer conseguir um emprego que me satisfizesse. Consegui, ainda nesse verão, um emprego temporário (por sinal bem pago) que se tornou um bebé de 9 meses. Andava bastante perdida e tentei complementar o meu curso com outra licenciatura através de equivalências e ainda cheguei a frequentar algumas aulas. Era suposto fazê-lo com uma amiga da licenciatura mas esta abandonou-me. Deixou totalmente de ir às aulas sem me dizer e senti-me abandonada. Apesar de não ser muito mais velha que os miúdos do 1º ano, não estava preparada para passar por aquilo outra vez.

Voltando um bocadinho o tempo atrás, detestei os meus anos de faculdade, passaram-me todos ao lado, por cima, em todas as direcções menos na minha e arrependo-me IMENSO de não ter mudado de curso. A verdade é que na altura não saberia o que fazer como alternativa e a minha condição mental estava muito enfraquecida e limitei-me a ver passar o tempo.

Decidi, então, fazer uma pós graduação que correu bem. Pessoas adultas, profissionais que estavam ali pelo gosto e não pela pressão e necessidade de ter boas notas. O próprio programa da pós graduação foi feita nesse sentido. Tinha disciplinas bastante específicas e outras feitas para nos divertirmos. Uma delas era inteligência emocional. Um assunto que sempre me interessou e tenha, talvez, sido das poucas coisas que trouxe comigo dessa altura e nem por isso, de fácil aplicação: ver sempre o lado leve das coisas. Ganhar a capacidade de ver humor na tragédia. Não levar a sério tudo o que nos acontece.

Sabemos, por experiência, que por muito que estejamos em baixo e nos sintamos impotentes, tudo passa e quando analisamos o passado relativizamos e minimizamos a dor que sentimos na altura.

Numa dessas aulas, a um belo sábado à tarde, estava a turma sentada em círculo, preparada para responder a uma simples questão: quais os teus sonhos? Todos tinham algo que queriam fazer e objectivos a atingir, menos eu. No final da ronda, esquecendo-se que alguém tinha dito que não tinha sonhos, o professor diz: "não ter sonhos é das coias coisas mais tristes da vida".

E aí, sim, senti-me bastante triste. Não apenas por não ter sonhos mas por se terem esquecido que alguém, ali, não tinha sonhos.

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