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INFP

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

18
Set20

Atenção ao Cliente

Qualquer emprego que tenha como função principal o atendimento ao público é visto um pouco como o parente pobre das profissões. Tarefas que não necessitam especialização são executadas por pessoas com poucas habilitações e, por algum motivo, há quem ache que estas pessoas se encontram na base de uma qualquer pirâmide que mede a dignidade humana e o seu direito ao respeito alheio.

Há umas semanas atrás enquanto revistava as novidades do LinkedIn (que, honestamente, me dá uma vontade de apagar mas acredito que poderá ainda vir a ser útil) li uma pequena publicação de um senhor sobre as pessoas que lhe servem um café todas as manhãs antes de ir para o trabalho. Muito sucintamente, comparou tirar um café da sua máquina Nespresso aos grunhidos que recebe de quem, do outro lado do balcão, não serve com excelência. O mesmo senhor não era fiel a um estabelecimento em particular, parando onde mais lhe desse jeito a caminho do trabalho. E de 5 estabelecimentos, consegue obter um "bom dia", dois ou três grunhidos e dos restantes, silêncios. E deixava uma pergunta qualquer no ar dando a entender que para ser atendido por máquinas, mais vale tirar o seu próprio café da sua própria máquina. E os moralistas desta vida aplaudiam e comentavam que, sim senhor, realmente, estamos muito mal servidos, as pessoas não têm brio no que fazem. Não me lembro da última vez que fiquei tão quente e alterada ao ler algo na internet. Nem mesmo quando me aventuro e arrisco ler comentários por essa web fora. E por esse motivo, contive-me e não respondi.

Durante vários meses fui cliente assídua de um estabelecimento perto do meu trabalho. Por vezes passava lá de manhã, outras vezes depois do almoço, noutros dias até duas vezes ao longo do dia. Quem entrasse e fosse atendido pela rapariga que lá estava praticamente todos os dias e a apanhasse num dia mais cinzento, diria que era muito mal educada. Mas não era. Era super animada, falava pelos cotovelos e sabia muito bem fazer o seu trabalho.

Quem não trabalha atrás de um balcão ou do outro lado de um telefone não tem noção do tipo de pessoas com que lidamos diariamente. Também recebemos grunhidos e silêncios, faltas de respeito galore porque fazemos um trabalho menos digno. Estamos ali para servir. Quem nunca fez este tipo de trabalho não percebe que somos apenas empregados, não fazemos as regras, cumprimos ordens.

Se há qualidade que prezo é empatia. Antes de trabalhadores, somos pessoas. Somos humanos. Temos problemas pessoais muitas vezes impossíveis de esconder e esquecer e que acabam por atrapalhar o nosso trabalho. Quem nunca? Não sabemos se a pessoa que nos serve um café é especializada em qualquer área que não lhe proporciona um emprego apropriado e nos tira café para pagar as contas porque não tem outra hipótese e sente-se frustrada. Quem nunca? Não conhecemos o ambiente de trabalho daquele estabelecimento e se os trabalhadores se sentem satisfeitos (que se traduz num bom serviço). Trabalhar atrás de um balcão é extremamente esgotante pelo trabalho físico (muitas horas em pé ou em passo rápido) e mental (lidar com pessoas, queixas, atrito) e ainda assim ter de manter a postura porque, literalmente, lidamos com quem nos paga o salário.

Portanto, não... não somos máquinas... E parece ser mesmo isso que este senhor e tantos outros procuram.

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