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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

30
Nov20

Onde está o caminho para a tranquilidade?

Pergunta original: Where is the path to serenity?

Onde está? Não sei... Em mim não será. E, honestamente, não estou na melhor forma mental para responder a esta pergunta. Será que alguém com 33 anos como eu tem a resposta a esta pergunta? Duvido... E acho que nem é suposto termos.

Se tivesse de improvisar, o caminho para a tranquilidade está no desenvolvimento do auto conhecimento e da auto estima. Conforto absoluto. Ausência de dúvida e conflito.

daqui

10
Nov20

Origem do Desequilíbrio

Pergunta Original: What Are Sources of Unsteadiness in my Life?

A instabilidade é sempre criada pelo exterior e sou eu que a nutro e que, sem querer, a encorajo a crescer. Não acho que sentiria desequilíbrio se não tivesse contacto com o mundo exterior. Tendo em conta aquilo que eu acho que me desequilibra. Não tenho uma vida muito agitada o que, pela lógica do último post, me torna rígida, pouco fluida e maleável e, por isso, mais desequilibrada.

Considero que a maior fonte de desequilíbrio na minha vida é a tentativa de prever o futuro a toda a hora. Prever ou tentar controlar. Simplesmente porque sinto que já perdi imenso até aqui e que não me posso dar ao luxo de perder ou não chegar a experienciar mais. Vivo desde os 15 com depressão, numa época em que o assunto estava tão próximo de se tornar um dos problemas de saúde mais preocupantes e mais falados em todo o mundo. Parece que a ajuda que precisei quando tinha 15 anos veio demasiado tarde para mim.

daqui

09
Nov20

Onde Encontrar Estabilidade

Pergunta Original: Where Can I Find Steadiness?

É difícil não pensar de imediato na estabilidade física ou material. Todos queremos um teto sob o qual dormir confortavelmente, saúde, um trabalho que nos pague o suficiente para comermos e fazermos a nossa vida e se formos felizes nesse trabalho, melhor ainda! Queremos estar rodeados de pessoas de quem gostamos e que nos façam sentir bem, constituir família, fazer férias, sentir paz interior. Mas queremos sempre a paz interior que origina no exterior. E feliz de quem consegue e tem tudo isto.

No meu caso particular, sinto as fundações do meu ser bem apodrecidas e prestes a ruir a qualquer momento. Um pouco como as estacas que sustêm Lisboa (aproveito para aconselhar a todos uma visita às galerias subterrâneas da capital quando vos for possível). Não tenho competências para as reparar. As minhas. As de Lisboa também não. Nem sei como aprender nem por onde começar. Desde sempre me sinto bastante fora de sítio, como se não me encaixasse em lado nenhum, à semelhança de um António Variações em "Estou bem, Aonde Não Estou".

Encontrei um artigo, exatamente sobre esta questão, que acerta na mouche. A única constante na vida é a mudança e é, por isso, impossível mantermo-nos estáveis. Pelo menos por um longo período de tempo. A estabilidade ou o sentimento dela vem da ação ou do aproveitamento do desequilíbrio natural da vida para procurar formas de equilíbrio.

Diria que a estabilidade vem com a idade, com a sabedoria que só a experiência de vida nos dá.

_DSC0241.JPG

21
Out20

Se não controlo o que me acontece, o que me resta?

Pergunta original: If I don't control what happens to me, what is left?

Considero-me uma control freak, mas com depressão. Uma mistura de vontade de querer controlar e fazer tudo com o desleixo e o deixa andar a que a depressão me obriga.

daqui

Já fiz esta reflexão antes. Sobre o que posso e não posso controlar. Tenho uma noção muito recente desta minha necessidade de controlo e da forma rígida com que me faz ver e viver a vida. Tive muito pouco controlo sobre a minha vida enquanto cresci. Foi-me dada responsabilidade sobre mim mesma desde muito cedo mas a liberdade não veio no mesmo pacote. E a liberdade a que me refiro não é, necessariamente, a física. Foi, acima de tudo, a liberdade para ser eu que me foi barrada. Fui reprimida por grande parte das pessoas à minha volta. Tanto na escola como em casa. Em casa reprimia os meus sentimentos e a minha extroversão, na escola era chamada à atenção e era gozada por ser emotiva e impulsiva. Devagarinho fui mirrando e hoje em dia aquilo que mais domino é não ser eu, apesar de esta tendência estar a diminuir.

Não será surpreendente perceber que a necessidade que temos de controlo está muito ligada a ansiedade, a este estado constante de alerta.

Mas o que nos resta, então, se sabemos que não podemos controlar tudo o que nos acontece?

Conheci uma pessoa em particular cuja vida invejo. Mas a inveja boa que eu cá não sou pessoa de destilar veneno. Quando o conheci e nos fomos conhecendo mais a fundo, fiquei fascinada como vive a vida dele para cada minuto presente. Faz mil e uma atividades, nunca está parado e tenta sempre superar-se a cada coisa que faz. Cheguei a projetar a minha inveja nele e achar que me estava a apaixonar. Mas quando escavei um bocadinho mais e comecei a ver a pedra em bruto que estava debaixo de tantas camadas de areia, percebi as verdadeiras razões que nos levam a comportar como comportamos. Esse comportamento vai depender da educação e dos valores que recebemos e que trazemos connosco. Este amigo temporário que tive sempre esteve rodeado de amigos e tem uma família numerosa muito unida. Sofreu um desgosto amoroso que o fez sentir solidão pela primeira vez e, apesar da vida calma e relaxada que tem, é incapaz de adormecer no silêncio total.

N"o que me resta?" é que está a parte mais difícil. Resta-me relaxar e ir com a brisa. A questão é que a minha brisa está deprimida e, não só não vai a lado nenhum, como não me deixa fazer nada.

07
Out20

Estoicismo

Dado estar nesta jornada estóica, acho que me competia ler e compreender um bocadinho mais sobre o Estoicismo. Há uns meses atrás, enquanto lia o "Caibalion" (que, não vou mentir, não estou na altura certa para o compreender e há-de merecer re-leituras), ouvia palestras da professora e filósofa brasileira Lúcia Helena Galvão que gravou um vídeo por cada capítulo do livro. Tem uma forma muito simples de explicar filosofia e as palestras voam. Por causa destes vídeos o Youtube começou a sugerir-me outros vídeos relacionados com filosofia e muito em particular sobre o Estoicismo.

Segundo os seus seguidores, "para viver uma boa vida, era preciso entender as regras da ordem natural, uma vez que ensinavam que tudo estava enraizado na natureza". Mais tarde "enfatizaram que, porque "a virtude é suficiente para a felicidade", um sábio era imune ao infortúnio". "O estoicismo ensina o desenvolvimento do autocontrole e da firmeza como um meio de superar emoções destrutivas. Defende que tornar-se um pensador claro e imparcial permite compreender a razão universal (logos)."

"De acordo com os estoicos, os sentidos recebem constantemente sensações: pulsações que passam dos objetos através dos sentidos em direção à mente onde deixam uma impressão na imaginação (phantasia). Uma impressão originária da mente era designada de phantasma."

Revejo muito nesta forma de pensar a filosofia oriental que tanto reverenciamos hoje em dia. A ideia de que a felicidade reside em nós próprios e não a alcançamos nem a experienciamos através de estímulos exteriores; o conceito de ego e como este se interpõe como elemento discordante nesse caminho de felicidade.

O autocontrole e firmeza para superar emoções destrutivas mais não é que a capacidade que podemos desenvolver para pura e simplesmente conseguirmos desligar e não alimentar as chamadas emoções negativas. Quem tem poder sobre as suas emoções, tem poder sobre o rumo que dá à sua vida, sobre a qualidade da sua vida e sobre a sua felicidade.

Esta corrente filosófica teve em Marco Aurélio um dos seus mais reconhecidos seguidores. Às vezes penso que vivemos uma espécie de neo-medievalidade. Fico curiosa por saber que nome daremos daqui a 500 anos a este início de milénio. Hoje em dia falamos muito em pensar por nós próprios e não dar ouvidos a todo o ruído que nos envolve. Ao mesmo tempo não somos encorajados a fazê-lo. E acho que não o fazemos por medo. De sermos mal vistos, de não pensarmos da forma certa ou de não pensarmos como é suposto ou porque nos consideramos ignorantes e não nos compete pensar sobre determinados temas. Sou das primeiras a assegurar que não existem perguntas parvas mas também sou a primeira a calar-me quando quero e preciso fazê-las.

Produz para ti próprio uma definição ou descrição da coisa que te é apresentada, de modo a veres de maneira distintiva que tipo de coisa é na sua substância, na sua nudez, na sua completa totalidade, e diz a ti próprio se é seu nome apropriado, e os nomes das coisas de que foi composta, e nas quais irá resultar. Pois nada é mais produtivo para a elevação da alma, como ser-se capaz de examinar metódica e verdadeiramente cada objeto que te é apresentado na tua vida, e sempre observar as coisas de modo a ver ao mesmo tempo que universo é este, e que tipo de uso tudo nele realiza, e que valor todas as coisas têm em relação com o todo.

Marco Aurélio

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