Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

27
Mai21

Ia mas não fui

Esta manhã acordei naturalmente antes das oito da manhã. Pouco tempo depois já estavam os jardineiros da Câmara de moto-serra em riste para cortar uma ginjeira que aqui estava caída. Cheira-me que alguém a trepou para apanhar ginjas e qualquer coisa correu mal.

Estava decidida a beber o meu chá matinal e ir até à praia caminhar ou apanhar um pouco de sol e ler um bocadinho, deitada na areia. Às dez e meia estava pronta e de chave na mão quando perdi totalmente a vontade de sair de casa. Pousei o meu saquinho de pano onde carregava o livro e o telemóvel e voltei a vestir o pijama.

EDIT: eu saio todos os dias pá... 

daqui

25
Mai21

Desaba(fa)mento

Na semana passada fui ter com os meus pais à terra. Nunca me apercebo do quão barulhento é viver na cidade e num apartamento até estar de volta. É um autêntico desassossego! Parece que fico mais atenta a qualquer barulhinho, aos cães que ladram sem parar, aos sapatos de salto da vizinha de baixo e aos berros do vizinho de cima, os arrastares de cadeiras... Os autoclismos...!! 

IMG_20210522_161014.jpg

Rio Sabor - Fotografia minha

Foi uma visita que tive de interromper por causa de uma entrevista de emprego que tive ontem e que se revelou numa verdadeira perda de tempo! Nunca tinha tido vontade de chorar numa entrevista como tive ontem de manhã. As dúvidas sobre as minhas capacidades voltam todas. No espaço de um ano apenas consegui quatro entrevistas. Sinto-me como estivesse para sempre destinada a fazer um trabalho que odeio. Posso enviar um currículo em branco? Parece que apenas sirvo para uma coisa. Fico com a ideia de não conseguir esconder o meu desespero nas entrevistas. Atrapalho-me, sou inconsistente e não consigo formar frases que façam sentido.

Esta noite vi uma sanita a transbordar num sonho que tive. E não se riam porque é óbvio o seu significado. Reprimo os meus sentimentos constantemente. Não gosto de falar sobre mim porque mesmo que o faça não me faz sentir mais leve. Nada me faz sentir a "leveza" de que todos falam. Nem escrever ajuda! Tenho demasiados destroços que precisam ser rearranjados para que tudo volte a fazer sentido. Sempre tive muita dificuldade em exprimir-me. E mais do que isso, tenho vergonha e medo de o fazer. Fechei-me cada vez mais com o tempo e guardo tudo para mim. E todos os dias sinto em todo o meu corpo os problemas que isso me traz. Não sei se é o meu individualismo que me faz achar que ninguém se importa com ninguém mas não gosto de chatear os outros com os meus problemas e com aquilo que sinto porque, no fundo... quererão, realmente, saber?

21
Mai21

Desafio dos Pássaros - Tema 2

Afinal havia outro... fogão

Mais um tema do novo desafio dos pássaros. O meu contributo abaixo, em atraso, tirado um bocadinho à pressão porque foi feito em cima do joelho 

---

Adelaide saiu de manhã cedo. Eram poucas as ocasiões que a faziam arranjar-se com o cuidado que fizera naquela manhã. Era a mais nova de 10 irmãos e a única que não emigrou. Gostava de rever toda a família mas não deixava de se sentir um tanto envergonhada pela sua modéstia em contraste com a pompa que os seus irmãos exibiam. Prometeu ir ajudar a irmã a preparar o almoço de família daquele domingo. Tinham, finalmente, a casa perfeita para acolher a numerosa prole que continuava a crescer a olhos vistos. O almoço anual tornou-se um ritual logo após a morte da matriarca há cinco anos. Olinda marcou várias gerações através do seu trabalho como costureira e o seu trabalho tornou-se famoso na região logo após o seu retorno de Paris antes da guerra estourar. A sua progénie prometeu celebrar a vida de sua mãe logo no dia do seu enterro e, apesar de dispersos pelos quatro cantos do mundo, tinham, anualmente, dia e hora marcada para se reencontrarem, recordarem e criarem novas memórias.

Alice voltara às origens há um ano. Ao final de quase quarenta anos nos Estados Unidos voltou à terra que a viu crescer depois de terminada a construção da sua mansão. Acostumara-se a viver o sonho americano e mesmo não tendo necessidade de tanto espaço para si e para o marido, avançaram com o projeto. Assente numa pequena colina, o largo portão da entrada em ferro trabalhado dava acesso à porta principal da casa através de um caminho estreito em pedra calcária. A casa de três andares e traça moderna destoava das construções em redor, típicas daquela zona do país. Chamava a atenção pelos relvados e estatuetas da fronte mas apenas os mais próximos de Alice sabiam do seu orgulho nas roseiras que tinha no jardim das traseiras da casa. Adelaide adorava cozinhar mas a cozinha era a parte de que menos gostava na casa da irmã. Demasiado grande, revestida pelo que lhe pareciam milhares de portas que escondiam todos os equipamentos de um cozinha comum. Queria muito ajudar mas sentia-se perdida e frustrada por não saber ali navegar à vontade.

Parte da família já estava instalada e enquanto os miúdos brincavam no jardim e se preparava o churrasco, o resto da família ia chegando em intervalos cada vez menores. As duas irmãs preparavam o banquete e a elas se iam juntando mais membros, a conversa ficava mais ruidosa e animada.

- A mesa já está posta! - anuncia Daniela, uma neta - Posso começar a levar a comida?

- Podem começar a levar tudo, já está tudo feito, só falta uma perna de perú que ainda está no forno mas já vou desligar - responde Alice, de sorriso nos lábios, satisfeita com o trabalho daquela manhã e de coração cheio com a animação e amor que sentia com todo aquele rebuliço.

- Falta ainda fazer a comida do António! - exclamou Adelaide, meio em pânico porque estava à espera que o fogão fosse liberado para cozinhar a dieta do marido - Ele só pode comer cozidos...

- Oh Lai, já podias ter dito, não tinhas de esperar - respondeu Alice por entre gargalhadas. - Está ali outro fogão, podias ter usado.

- Sabia lá que havia dois fogões... Por que raio havia uma casa de ter dois fogões? - ripostou Adelaide.

daqui

16
Mai21

Prioridades

Portanto... morrem, anualmente, centenas e milhares de civis no conflito entre Israel e a Palestina mas quando o edifício onde estava hospedada grande parte da comunicação social é bombardeado é que alguns líderes mundiais reagem.

12
Mai21

Lições de Vida

Não me parece que aos 34 anos tenha experiência suficiente para falar em lições de vida.

Confesso que fiz uma pesquisa rápida para alguma "inspiração" mas nada se adequou ao que já vivi e muitas das lições de vida que se podem ler por aí são pseudo frases inspiradoras e, para o comum mortal, não passam, na maioria das vezes, de pura miragem.

Assim, tendo em conta o momento presente, diria que uma das maiores lições da minha vida foi perceber que só a minha família próxima (pais e irmão) se importa realmente comigo. Apesar de sermos uma família unida de uma forma pouco saudável, são eles os únicos que se preocupam comigo sem esperar algo em retorno.

Outra lição é o facto de que açúcares refinados serem uma autêntica droga (à qual, infelizmente, não se dá a devida atenção) com consequências desastrosas não só para a saúde física como para a psicológica. Não sou seguidora da dieta paleolítica mas faço parte do grupo no Facebook mas já há bastante tempo que olho para rótulos antes de comprar o que quer que seja. É um hábito que se recomenda e encoraja no grupo pois um dos maiores objetivos é comer da forma mais limpa possível, i.e., sem conservantes nem corantes nem aditivos estranhos com os quais nem sequer sonhamos. Somos o que comemos e bons hábitos têm de vir de infância. A minha mãe sempre gostou de doces e nunca nos privou enquanto crianças e hoje em dia tenho noção do meu vício e quão difícil é ver-me livre dele, embora sinta que esteja mais contida com a idade. Existem provas da relação entre a nossa flora intestinal e a saúde mental, e os açúcares presentes em muito do que comemos influencia de forma nefasta essa relação.

E finalmente... não querer saber o que os outros pensam de mim tem sido bastante libertador nos últimos anos, ainda que não consiga aplicar a toda a gente (especialmente à minha família próxima por medo de desiludi-los). Mas, cada vez mais, dou por mim a não querer saber se os outros irão gostar de mim ou não. Tenho noção de às vezes parecer e soar um pouco louca nas minhas atitudes e nas minhas palavras mas as pessoas à minha volta têm sido como nuvens. Passageiras. E, em tom de segredo, convenhamos, cada um está preocupado com o seu próprio umbigo. Podemos dar importância a algo por uns minutos ou até algumas horas mas, se não nos afecta e se não nos deixamos afectar por algo, esquecemos e voltamos aos nossos pensamentos sobre a nossa vida. Não sei se isto fez algum sentido... 

Não posso esquecer de mencionar algo que aprendi e que, realmente, me transformou: não julgar os outros. Cada um é como cada qual e não me cabe a mim fazer juízos de valor. Aprendi a aceitar e ver a importância da minha insignificância. Acho que cada pessoa aprenderá o que tiver de aprender, na verdade. Não há uma receita que se aplique a todos.

Há um pensamento, um tanto mórbido, que me ajuda a retirar importância às coisas mundanas: quando morrermos nada do que é material importará. Mas é necessário um exercício constante e persistente para o interiorizar porque a minha ansiedade não desaparece por nada... Os medos estão sempre presentes mesmo que adormecidos e têm sempre influência em tudo o que faço.

daqui

Pág. 1/2

Mais sobre mim

Fórum Saúde Mental Portugal

A Ler

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D