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A Introvertida

Introvertida. Intuitiva. Sentimental. Perceptiva.

12
Mai21

Lições de Vida

Não me parece que aos 34 anos tenha experiência suficiente para falar em lições de vida.

Confesso que fiz uma pesquisa rápida para alguma "inspiração" mas nada se adequou ao que já vivi e muitas das lições de vida que se podem ler por aí são pseudo frases inspiradoras e, para o comum mortal, não passam, na maioria das vezes, de pura miragem.

Assim, tendo em conta o momento presente, diria que uma das maiores lições da minha vida foi perceber que só a minha família próxima (pais e irmão) se importa realmente comigo. Apesar de sermos uma família unida de uma forma pouco saudável, são eles os únicos que se preocupam comigo sem esperar algo em retorno.

Outra lição é o facto de que açúcares refinados serem uma autêntica droga (à qual, infelizmente, não se dá a devida atenção) com consequências desastrosas não só para a saúde física como para a psicológica. Não sou seguidora da dieta paleolítica mas faço parte do grupo no Facebook mas já há bastante tempo que olho para rótulos antes de comprar o que quer que seja. É um hábito que se recomenda e encoraja no grupo pois um dos maiores objetivos é comer da forma mais limpa possível, i.e., sem conservantes nem corantes nem aditivos estranhos com os quais nem sequer sonhamos. Somos o que comemos e bons hábitos têm de vir de infância. A minha mãe sempre gostou de doces e nunca nos privou enquanto crianças e hoje em dia tenho noção do meu vício e quão difícil é ver-me livre dele, embora sinta que esteja mais contida com a idade. Existem provas da relação entre a nossa flora intestinal e a saúde mental, e os açúcares presentes em muito do que comemos influencia de forma nefasta essa relação.

E finalmente... não querer saber o que os outros pensam de mim tem sido bastante libertador nos últimos anos, ainda que não consiga aplicar a toda a gente (especialmente à minha família próxima por medo de desiludi-los). Mas, cada vez mais, dou por mim a não querer saber se os outros irão gostar de mim ou não. Tenho noção de às vezes parecer e soar um pouco louca nas minhas atitudes e nas minhas palavras mas as pessoas à minha volta têm sido como nuvens. Passageiras. E, em tom de segredo, convenhamos, cada um está preocupado com o seu próprio umbigo. Podemos dar importância a algo por uns minutos ou até algumas horas mas, se não nos afecta e se não nos deixamos afectar por algo, esquecemos e voltamos aos nossos pensamentos sobre a nossa vida. Não sei se isto fez algum sentido... 

Não posso esquecer de mencionar algo que aprendi e que, realmente, me transformou: não julgar os outros. Cada um é como cada qual e não me cabe a mim fazer juízos de valor. Aprendi a aceitar e ver a importância da minha insignificância. Acho que cada pessoa aprenderá o que tiver de aprender, na verdade. Não há uma receita que se aplique a todos.

Há um pensamento, um tanto mórbido, que me ajuda a retirar importância às coisas mundanas: quando morrermos nada do que é material importará. Mas é necessário um exercício constante e persistente para o interiorizar porque a minha ansiedade não desaparece por nada... Os medos estão sempre presentes mesmo que adormecidos e têm sempre influência em tudo o que faço.

daqui

10
Mai21

O Cabalista

de Geert Kimpen

Não me lembro quando comprei este livro mas deve ter sido logo depois da faculdade porque esta edição é de 2008. Sei que comecei a lê-lo mas não terminei e, tenho de dizer isto... Nunca pensei ler um livro com tantas gralhas! Palavras omitidas, duplicadas, verbos mal conjugados... Enfim!

Não me lembro do motivo por que o comprei nem me lembro de o comprar mas não pensei que se tornasse uma extensão dos livros esotéricos que li antes deste. Para mim, foi mais que um romance. Baseado em personagens reais, figuras importantes na história judaica, sinto que "O Cabalista" foi uma oportunidade do autor "vender" a Cabala como O caminho espiritual. Já estava com a ideia de estudá-la e a curiosidade ficou mais aguçada.

Muito resumidamente, "O Cabalista" conta a história de um jovem judeu, estudante da Cabala, com um propósito de vida importante. Contudo, durante o seu percurso, debate-se com a necessidade de manter uma alma virtuosa enquanto é confrontado com os vícios do ego.

SINOPSE

A história de Chaim Vidal: um obscuro rabi do séc. XVI que registou por escrito as ideias de Itzak Luria, o fundador de uma escola da Kabbalah que ainda hoje existe. Chaim é um jovem extremamente ambicioso que sonha com um futuro brilhante, mas depara-se com muitos obstáculos pelo caminho. Quando o grande mestre da Kabbalah Cordovero morre, Chaim espera ser o seu sucessor, mas, ao invés, é obrigado a ir aprender com Luria. A relação entre os dois homens é turbulenta desde o início, mas piora quando Chaim se apaixona pela sensual mas trágica Francesca, a filha do mestre, e este o proíbe de a amar. Um romance acerca da ambição e do egoísmo, pleno de ensinamentos valiosos e de erotismo.

07
Mai21

À Janela

Não sei o que me deu - talvez seja o tempo que tenho para dar e vender - mas decidi tentar (tentar!...) dar asas à minha criatividade e participar no novo desafio dos pássaros. Sou péssima a escrever porque os pensamentos passam que nem flechas mas vou-me dar uma oportunidadezita.

Segue abaixo o meu contributo em resposta ao primeiro desafio dos pássaros 3.0.

---

Adelaide puxou o banco e sentou-se à janela. De braços cruzados sobre o parapeito, fechou os olhos e deixou-se absorver os últimos raios de sol daquela tarde de verão tórrida, tão comum naquela zona, mas ao qual nunca se habituara. O calor afastava da rua a maioria dos aldeãos e os mais irrequietos molengavam-se nos bancos de pedra do largo da Igreja ou faziam conversa fiada à porta do café central. Àquela hora começaram-se a ouvir os primeiros passos do final de tarde. O ranger da gravilha miúda na calçada de granito, das beatas que se apressam nas suas últimas tarefas antes da missa. Ouve-se, de fundo, conversa miúda sobre a roupa que já deve estar seca e os tantos motivos que os levam a sair à rua àquela hora.

O toque dos sinos ecoou por toda a aldeia aumentando o alvoroço e a velocidade das passadas na gravilha. A Igreja já não enchia para a missa como em tempos idos mas continuava a ser um ponto de encontro e, acima de tudo, o ambiente perfeito para mexericos. Era comum as devotas mais velhas ficarem a tecer conversa até noite caída, sentadas nos bancos de pedra, certas de que ninguém as escutava. Adelaide morava numa das muitas ruas que iam dar ao largo da Igreja mas era pouco movimentada. As casas estavam vazias, muitas abandonadas e reivindicadas pela natureza e tantas outras já derrubadas mas tão perfeitas para inquilinos felinos.

Os sinos pararam e, ainda de olhos fechados, virada para o sol, pareceu-lhe ouvir vozes. Já estava habituada ao silêncio e soube que não era da sua cabeça. Atentou, quanto pode, aos sussurros, para ter a certeza de que não era da sua cabeça. Afinal de contas a idade também já pesava. Mas quanto mais se concentrava mais tinha a certeza de que estavam, pelo menos, duas pessoas a sussurrar não muito longe dali. Mesmo ali, ao virar da esquina. Quando Adelaide deixou de sentir o sol na cara, abriu os olhos para fechar a janela e voltar para dentro de casa. No mesmo momento, perdidas nas suas risadinhas e alheadas à sua presença, três moças novas que ela já não conhecia viraram a esquina não conseguindo conter, desta vez, um coro de gargalhadas estridentes.

Woman By The Window, 1936 - Pablo Picasso

03
Mai21

Quais São Os Meus Valores?

Uma das minhas aulas de filosofia foi dedicada a Confúcio. E logo no início foi-nos perguntado se conhecíamos alguma frase conhecida que lhe é atribuída nos dias de hoje. Ninguém soube e, acho que falo por todos, foi com algum espanto quando "Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti" era a frase que se esperava ser proferida por algum dos alunos.

Na minha primeira escola, que frequentei dos 3 aos 9 anos, lembro-me de ver esta frase afixada em letras garrafais na fronte envidraçada do edifício principal. E trago-a comigo desde então. Contudo, já fui criança e já fui adolescente e nem sempre a apliquei. E sou humana. Apesar disto, sempre fui uma pessoa de choro fácil e, por isso, alvo de chacota e sei o que magoa tentando, quanto me é possível, aplicar esta máxima no meu dia a dia.

De resto, procuro em mim e nos outros aqueles valores generalistas que todos procuramos. Honestidade e autenticidade. Gosto de pessoas que se conhecem bem e procuram ser melhores. Humildade. Um sincero sentido de altruísmo e justiça. Responsabilidade.

Ajudem-me! Quem dá mais?! 

daqui

30
Abr21

Pelo Que Mais Estou Grata na Vida?

Por toda e qualquer oportunidade que me tenham dado quando menos esperei. Quando menos pensei merecer. 

Já falei por aqui do meu desagrado em relação à forma tão desvirtuada e leviana com que se tem proferido a palavra "gratidão" nestes últimos anos. Esta vaga de diários feitos em cima do joelho sem qualquer intenção e comentários nas redes sociais.

Mentiria a mim própria se dissesse que todos os dias agradeço por aquilo que tenho e dou por garantido. Nunca tive de as questionar e sei que sempre tive uma rede de segurança para qualquer possível queda. É-nos mais fácil analisar a nossa condição quando nos comparamos àqueles que se encontram em pior situação e, mesmo aí, encolhemos os ombros, movemos as sobrancelhas para expressar algum tipo de sentimento que nunca, ou raramente, é agradecimento.

Diria que sentimos agradecimento de duas formas possíveis: uma rápida, instantânea quando menos estamos à espera como uma resposta emocional a um gesto ou ação. E há a gratidão que se desenvolve e cresce em nós ao longo do tempo, com maturidade, quando temos empatia e conhecimento suficiente para agradecer os menores e mais importantes detalhes.

Não sei... É assim que o vejo. Não sei se vos faz sentido.

IMG_20210430_202120.jpg

Foto minha de uma pedrinha que trago sempre comigo na carteira. Há bocado fui contar os meus trocos e a pedra caiu na cama e percebi que é um símbolo para gratidão. Já a outra dizia que não existem coincidências!

30
Abr21

Tenho de Partilhar Isto

No último mês fiz um tratamento ayurvédico e esta música acompanhou-me em TODAS as 8 sessões! Deixei de ouvir a minha playlist para adormecer e passei a ouvir isto.

Sabem quando mal abrem os olhos de manhã e começam logo a cantar uma música na vossa cabeça? Hoje calhou-me esta. E cantei baixinho e para mim na minha cabeça. Foi comigo até à praia e ao supermercado. E aqui está ela.

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